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Em Belém, profissionais de Rh apontam baixo envolvimento de candidatos como entrave para seleção

Comportamento na capital paraense acompanha uma pesquisa nacional que revela que 60% das empresas veem a falta de empenho como causa de não contratação

Valéria Nascimento
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A dificuldade de contratar no Brasil já não está apenas na escassez de talentos, mas na falta de engajamento de quem se candidata às vagas. É o que revela o Guia Salarial 2026 da Michael Page, empresa com atuação global em recrutamento e seleção de pessoas. Segundo o levantamento, 60,6% das empresas apontam o baixo envolvimento dos candidatos como um dos principais entraves nos processos seletivos.

Em Belém, profissionais de Rh, como Érica Figueiredo e Thaís Pinheiro, que atuam com o processo de contratação de trabalhadores, disseram não se surpreenderem com os resultados da pesquisa. Na prática, isso já vem sendo percebido há algum tempo, afirmaram as duas profissionais.

"Um ponto muito frequente está relacionado à forma como muitos candidatos conduzem a própria candidatura”, disse Érica Figueiredo. Por sua vez, Thaís Pinheiro afirmou: “Muitos candidatos participam dos processos sem conhecer a empresa ou sem demonstrar real interesse pela vaga, e isso acaba impactando diretamente o recrutamento”.

'Há demora para preencher vagas', aponta psicóloga

Thaís Pinheiro é psicóloga com quatro anos de experiência na área de recrutamento e seleção em empresas do ramo de agronegócio e varejo, tanto nacionais quanto regionais. Ela afirma que já viveu situações em que as vagas demoraram para serem fechadas justamente pela dificuldade de encontrar profissionais ‘realmente engajados’, destaca.

"Hoje, além da parte técnica, as empresas valorizam competências comportamentais, como criatividade, iniciativa, inteligência emocional e boa comunicação, porque são habilidades que fazem diferença no dia a dia das equipes. O profissional que busca uma oportunidade precisa entender que não basta apenas preencher requisitos: é importante demonstrar interesse genuíno, preparo, vontade de aprender e alinhamento com a cultura da empresa”, disse Thaís.

image Érica Figueiredo tem 11 anos de atuação profissional com seleção no setor privado: "Além da parte técnica, é preciso competência comportamental", diz ela. (Foto: Arquivo Pessoal)

Érica Figueiredo tem 11 anos de atuação profissional na área de recrutamento e seleção no setor privado, e ressalta que "atualmente os atrativos da vaga influenciam diretamente no interesse dos candidatos".

'Candidato precisa conhecer a si mesmo', destaca profissional de Rh

Figueiredo explica que "salários compatíveis com o mercado, benefícios, possibilidade de crescimento e qualidade do ambiente de trabalho tendem a gerar mais procura. "Porém, junto a isso, entra também a responsabilidade do candidato em compreender o próprio perfil profissional e avaliar se realmente ele tem alinhamento com a vaga e com aquilo que a empresa busca”, salienta Érica.

Ela explica que é comum a área de recrutamento receber currículos incompletos. “Há currículos pouco elaborados, sem informações importantes ou até desatualizados. Além disso, muitos profissionais acabam enviando currículo para diversas vagas sem analisar se realmente têm perfil para os requisitos solicitados”.

Na rotina do recrutamento, pontua Érica, os profissionais de Rh veem que parte dos candidatos nem leem atentamente a descrição da vaga, as exigências ou as atribuições do cargo. “Isso impacta diretamente o engajamento no processo seletivo. Muitas vezes, o candidato participa das etapas sem clareza sobre a oportunidade ou sem interesse na função específica”.

"Costumo dizer que, em muitos casos, o candidato perde para ele mesmo, justamente pela falta de atenção, preparo ou cuidado na forma como se apresenta profissionalmente”, disse Érica Figueiredo. Ela acrescentou: “Hoje, o profissional que busca uma oportunidade precisa entender que apenas cumprir requisitos básicos já não é suficiente”.

Uma das dicas de Érica passa pela proatividade antes mesmo de ingressar na empresa. “Pesquisar sobre a empresa”, diz ela, é uma ótima ação para quem quer mostrar desembaraço na entrevista, e conteúdo sobre o foco do negócio empresarial.

"O mercado tem valorizado profissionais que conseguem unir competência técnica, habilidades humanas e postura profissional”, ressalta Érica. Mas, não só isso, ela completou: “Elaborar um currículo claro e objetivo, compreender a função desejada, participar das etapas com preparo, comunicar seus objetivos profissionais com clareza e demonstrar comprometimento são aspectos cada vez mais observados pelos recrutadores. Isso aparece em atitudes simples do processo seletivo”.

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