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Pará é um dos estados com menor crescimento do PIB em 2023, aponta IBGE

Enquanto o Brasil cresceu 3,2%, economia paraense avançou apenas 1,4%, freada por quedas na Agropecuária e no setor de Energia, desempenho inferior a vizinhos como Acre e Tocantins.

Maycon Marte
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Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o estado do Pará registrou um dos menores crescimentos do Produto Interno Bruto (PIB), em comparação à média nacional. Enquanto o Brasil alcançou 3,2% de crescimento, o estado avançou apenas 1,4%, retração afetada principalmente por reduções nos setores da agropecuária, eletricidade e gás. O presidente da Associação dos Produtores de Soja, Milho e Arroz do Estado do Pará (Aprosoja-PA), Vanderlei Ataídes, concorda que o ano de 2023 apresentou dificuldades significativas, em especial, relacionadas à seca que atingiu a região Norte no mesmo período.

Além do Pará, o estado de São Paulo também alcançou uma alta de 1,4%, seguido pelo Rio Grande do Sul e Rondônia, com avanço de 1,3%. No caso do Pará, os dados do IBGE apontam como principais fatores as atividades da agropecuária e dos serviços de eletricidade e gás, água, esgoto, gestão de resíduos e descontaminação. Em São Paulo, o crescimento mais moderado decorreu da contribuição negativa das indústrias de transformação, com destaque para os segmentos de defensivos agrícolas e de fabricação de máquinas e equipamentos.

Segundo o presidente da Aprosoja, os entraves do ano analisado provocaram uma redução na produção de soja, que desponta como uma das principais participações do agronegócio do estado. “Em 2023 nós tivemos uma produção um pouco menor, porque tivemos a questão da seca, entre outros problemas dentro do estado que tornaram tudo complicado”, avalia.

Ataídes explica que esse tipo de situação afeta diretamente o preço da soja comercializada, o que impacta em cadeia cada um dos envolvidos no processo de produção. A redução registrada no valor do produto foi de aproximadamente 35,29%, considerando a série histórica de 2023 até o dado mais recente. O representante ainda pontua efeitos mais agravados em regiões distantes de portos, que também sofrem com os fretes mais elevados nesses períodos de baixa.

“Nós estamos há três anos já, desde 2023, com os preços da soja baixos. Então a gente saiu de uma época em que vendíamos soja por R$ 170 a R$ 180 a saca e veio para cerca de R$ 120 a R$ 110”, recorda o presidente da associação.

Reorganização

Na avaliação do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese-PA), o capital concentrado e muito dependente da exportação justifica esses resultados, o que, segundo o superintendente da entidade, Everson Costa, pode ser contornado, por exemplo, com a verticalização da produção, a qualificação da mão de obra e a melhoria da infraestrutura logística.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país em um determinado período, que serve para medir a atividade econômica e o crescimento do país. O superintendente do Dieese-PA lembra que a economia paraense é fortemente dependente de produtos primários, como mineração e agronegócio, o que a torna vulnerável a flutuações e problemas do mercado internacional. Isso porque as principais atividades econômicas ainda gastam muita energia com a exportação de produtos, o que ele descreve como um “capital concentrado”.

“Quando a gente fala da importância da verticalização, da qualificação e da melhoria da infraestrutura logística é para que a gente possa ter um PIB, uma geração de riqueza mais diversificada. O agronegócio cresce no estado, a mineração ainda é o principal carro-chefe, mas quando a gente tem problemas estruturais, seja de flutuação de câmbio, tarifas ou outros fatores que afetam o mercado internacional, isso acaba derrubando a nossa economia”, avalia Costa.

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Apesar do cenário, o porta-voz da entidade defende esse tipo de capital e enfatiza que o Pará costuma se manter entre os maiores geradores de riquezas para a balança comercial do país, a partir dessas atividades econômicas. Segundo ele, o problema é o modelo, já que a exportação sozinha “não gera as divisas econômicas desejadas para um desenvolvimento robusto”, devido ao capital concentrado, em vez de diversificado.

“Mantenho a convicção de que ainda temos muito a contribuir. É imprescindível, contudo, o investimento em projetos de médio e longo prazo que promovam a verticalização da produção, o fortalecimento da mão de obra e a ampliação da infraestrutura logística. Dessa forma, o estado, produtor de minério e agronegócio, poderá agregar valor aos produtos, gerar mais renda, riqueza e promover a distribuição dos lucros internamente”, defende o superintendente.

Outros nove estados também tiveram variação em volume inferior à média nacional (3,2%), sendo dois deles do Norte: Amazonas (2,1%) e Amapá (2,9%); seis do Nordeste: Piauí (3,1%), Ceará (3,0%), Paraíba (3,0%), Pernambuco (2,4%), Sergipe (3,1%) e Bahia (2,3%); e um do Sul: Santa Catarina (1,9%).

 

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