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Número de entregadores de aplicativos cresceu 60% durante a pandemia, estima Fenamoto-PA

Maioria tem entre 18 e 25 anos. Um ano depois de protestos realizados em Belém, eles ainda enfrentam dificuldades e lutam por respeito

Abílio Dantas

A pandemia impulsionou o comércio eletrônico em todo o país, via sites e aplicativos, e como consequência fomentou o mercado das entregas, tornando ainda mais difundida a presença de motoboys e bikeboys nas ruas, com suas caixas nas costas. No Pará, o segmento atraiu os jovens que buscam o primeiro emprego, sem encontrar oportunidade formal. A Federação dos Mototaxistas e Motoboys do Estado do Pará (Fenamoto-PA) afirma que as pessoas de 18 a 25 anos representam 70% dos 20 mil trabalhadores do setor na Região Metropolitana de Belém (RMB), considerando tanto os profissionais que utilizam motocicletas (16 mil) quanto os que pedalam nas bicicletas (4 mil).

O presidente da Fenamoto-PA, Alessandro Félix, informa que antes da pandemia, até o início de 2019, o número de motoentregadores na RMB era de cerca de 10 mil. Com o novo cenário de consumo constituído pela necessidade do distanciamento social, para evitar a contaminação pela covid-19, a quantidade passou para 16 mil, representando um aumento de 60% da categoria. “O primeiro ‘boom’ dos aplicativos de entrega aconteceu logo quando chegaram aqui em Belém, em 2016. Logo naquele momento muitos jovens que estavam buscando um meio de ter a própria renda começaram a exercer a função. Mas, com a pandemia, com certeza, o crescimento foi muito grande também. A categoria dos motoboys já existe há mais tempo, desde 1995, quando os antigos office-boys começaram a ser substituídos ou se transformaram em motoboys, mas os aplicativos e depois a pandemia criaram um novo momento”, analisa.

16 mil profissionais utilizam moto e 4 mil bicicletas para fazer as entregas. (Ivan Duarte / O Liberal)

A esquina da avenida Visconde de Souza Franco, a Doca, em Belém, com a rua Antônio Barreto, no bairro Reduto, é um dos pontos em que os entregadores se reúnem e aguardam as chamadas dos clientes dos aplicativos. De acordo com Alessandro Félix, a rotina de trabalho diário mais comum tem início entre 9h e 10h, no turno da manhã, e vai até às 14h. Em seguida, os jovens retornam ao serviço no horário de 17h até as 23h. “Há quem faça seus horários de outras formas, mas essa é a rotina em que mais entregadores trabalham”, frisa o presidente da Federação.

A renda diária de um entregador, na Grande Belém, é de “R$ 100 livres”, o que segundo o motoentregador significa o dinheiro recebido após o desconto dos gastos com combustível, alimentação e outros quesitos necessários ao exercício da atividade. “Em um mês, que conta como 26 dias de trabalho, é possível conseguir, em média, de R$ 1.200 a R$ 1.300. No caso dos bikeboys, a receita em um dia é de R$ 50 a R$ 70, por conta da capacidade de locomoção da bicicleta. Mas muitos tem como objetivo comprar uma moto, para poder aumentar a renda mais entregas”, explica Alessandro.

São muitas dificuldades enfrentadas pela categoria nas ruas de Belém, com destaque para os perigos do trânsito. “No ano passado, fizemos protestos para chamar a atenção da sociedade para muito problemas que passamos. Hoje a sociedade tem mais respeito por nós, já que todos reconhecem o papel importante que exercemos na pandemia, levando os alimentos, os remédios, para as pessoas que não podiam sair. Em muitos condomínios não autorizavam a nossa entrada antes. Isso mudou. Mas o poder público deveria fazer mais campanhas para aumentar a segurança no trânsito, e para defender o respeito aos motoboys e bikeboys. Também queremos linhas de crédito para que a gente possa empreender e cursos de qualificação para os jovens que estão tentando crescer no mercado”, reivindica.

Venda de motos

O economista Marcus Holanda, conselheiro do Conselho Regional de Economia do Pará e Amapá (Corecon PA/AP), demarca que a venda de motocicletas está entre os setores mais “aquecidos” atualmente, com a formação de lista de espera de pessoas interessadas em adquiri o meio de transporte. “Acredito que o crescimento do número de motoboys vai continuar. Não podemos esquecer do contexto nacional: estamos com 15,5 milhões de desempregados, oficialmente, fora os números não oficiais”, destaca.

“Ter um jovem, na faixa entre os 18 e os 25, que foi identificada como a faixa etária em que muitos não estão nem trabalhando nem estudando, trabalhando como motoboy e bikeboy, fazendo a sua renda, é algo positivo. Mas é preciso que seja buscado o emprego técnico, que é o que o mercado mais está buscando no momento, ainda que o emprego de entregador seja digno e justo”, finaliza.

Economia
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