Mesmo com avanço das energias renováveis, petróleo seguirá como principal fonte de energia no futuro

Razão pela qual as discussões do Amazon Energy trataram da necessidade de acelerar a exploração de novas reservas para servir de impulsionamento a novas fontes de energias renováveis no nosso estado

O Liberal
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Enquanto o mundo acelera investimentos em energias renováveis, a demanda por petróleo continua em crescimento. A afirmação está entre as conclusões do Amazon Energy 2026, realizado, nesta semana, pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), por meio da Fiepa Redes, em Belém. Em 2025, o consumo global atingiu 103,8 milhões de barris por dia, um dos maiores já registrados, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). E estudos reforçam que o petróleo continuará exercendo papel estratégico por décadas.

Projeções do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) mostram que a produção mundial de petróleo deverá permanecer entre 60 e 100 milhões de barris por dia em 2050. Mesmo no cenário de neutralidade de carbono (Net Zero), a indústria continuará produzindo cerca de 20 milhões de barris diários, evidenciando que a substituição completa dos combustíveis fósseis não ocorrerá no curto prazo.

Atualmente, 85,3% da matriz energética mundial ainda é composta por fontes não renováveis. No Brasil, embora a participação das renováveis seja muito superior à média internacional (49,1%), petróleo e gás seguem como a principal fonte individual de energia - 45% da oferta interna do país, e 17% do PIB industrial.

O petróleo também segue como matéria-prima indispensável para embalagens, equipamentos eletrônicos, medicamentos, entre outros. Segundo o Anuário do Petróleo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), uma única Copa do Mundo mobiliza 29,4 milhões de barris de petróleo, movimentando uma cadeia econômica estimada em US$ 2,3 bilhões (cerca de R$ 12 bilhões): desde os combustíveis até os equipamentos de transmissão.  

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Para o presidente da Fiepa, Alex Carvalho, o debate precisa abandonar falsas dicotomias. “O mundo não vive uma escolha entre petróleo ou energias renováveis. Vive a necessidade de ampliar a oferta de energia para atender uma população crescente e uma economia cada vez mais tecnológica. O Brasil reúne condições únicas para liderar esse processo porque possui uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta e, ao mesmo tempo, enormes reservas de petróleo capazes de financiar inovação, infraestrutura, educação e a própria transição energética”, afirmou.

O Brasil é o 8ª entre os maiores produtores de petróleo bruto e condensado do mundo e o 8º maior consumidor global de derivados (ANP). Ao mesmo tempo, tem uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta, sendo o segundo maior gerador mundial de energia hidrelétrica e um dos líderes globais em biocombustíveis.

Segundo Carvalho, o desafio é aproveitar o diferencial competitivo sem renunciar à responsabilidade ambiental. “Não existe contradição entre ampliar a produção de petróleo e acelerar a transição energética. O petróleo continuará sendo necessário durante décadas e os países que conseguirem produzir com elevados padrões ambientais estarão em posição privilegiada para gerar riqueza, empregos e desenvolvimento”, declarou.

image Alex Carvalho, presidente da Fiepa. (Foto: Divulgação | Fiepa)

É nesse contexto que cresce o interesse pela Margem Equatorial. A região tem potencial para adicionar 1,106 milhão de barris de petróleo por dia à produção nacional a partir de 2029. As primeiras perfurações ocorreram na década de 1970, concentradas em águas rasas, mas estudos indicam elevado potencial em áreas de águas profundas. 

“Já existem planos concretos para a perfuração de 15 poços e a região tem potencial para formar um grande cluster de petróleo e gás no Norte do país, criando oportunidades para fornecedores, indústria, logística e geração de empregos. Quem é contra a exploração da Margem Equatorial, além de não conseguir salvar o planeta, estará sentenciando a nossa população à pobreza”, destacou o presidente da Fiepa. 

Durante o Amazon Energy 2026, a diretora da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Symone Araújo, destacou que o 5º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão (OPC), em 2025, foi o mais bem-sucedido desde a criação desse modelo, em 2019. Foram arrecadados R$ 989 milhões em bônus de assinatura, valor pago pelas empresas para garantir o direito de explorar os blocos e assumir os compromissos previstos nos contratos.

Segundo Symone, aproximadamente dois terços de toda a arrecadação tiveram origem nos blocos localizados na Margem Equatorial, especialmente na Bacia da Foz do Amazonas, que registrou o maior ágio do leilão e concentrou o maior interesse da indústria. Mas, neste ano, a Foz do Amazonas não fará parte do ciclo de ofertas da ANP porque, de acordo com a diretora, não houve liberação pelo IBAMA.  

image Symone Araújo, diretora da ANP. (Foto: Divulgação | Fiepa)

“Nós temos blocos da Margem Equatorial nesta rodada. Um conjunto de 36 blocos na Bacia Potiguar, a maioria deles onshore, ou seja, em terra, além de alguns blocos na Bacia do Ceará. Mas, de fato, o grande objeto de interesse são as bacias da Foz do Amazonas e Pará/ Maranhão. Vamos trabalhar intensamente para que integrem os leilões de 2027”, afirmou a diretora.

“Estamos diante da oportunidade de estruturar uma nova cadeia industrial na Amazônia. A Margem Equatorial pode representar para o Norte um novo ciclo de desenvolvimento econômico, sempre com responsabilidade ambiental, segurança jurídica e previsibilidade regulatória”, afirmou Alex Carvalho.

Avaliação reforçada no painel que reuniu representantes do Pará, Maranhão e Amapá. De acordo com o presidente da Agência Amapá, Wandenberg Pitaluga Filho, agora é fundamental “promover investimentos, apoiar negócios e impulsionar crescimento econômico sustentável através e um modelo de cooperação entre governos”. 

Na Carta de Belém, documento elaborado ao final do Amazon Energy 2026, o apelo é por urgência nos processos de licenciamento ambiental, considerado essencial para garantir investimentos e fortalecer a competitividade do país.

 

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