Ministro da Previdência descarta nova reforma e rejeita medidas que penalizem trabalhadores

Titular da pasta defende soluções estruturais para garantir a sustentabilidade do sistema e afirma que ajustes não devem recair sobre os segurados

Gabriel Pires
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Medidas que aumentem a idade mínima para aposentadoria ou as alíquotas de contribuição não devem voltar ao centro do debate neste momento, afirmou o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, em entrevista ao Grupo Liberal. Para ele, uma nova reforma da Previdência está descartada e deve ser postergada ao máximo, pois transfere o peso do ajuste fiscal para os trabalhadores.

O ministro defendeu que a sustentabilidade do sistema deve ser buscada por alternativas menos tradicionais, como o combate à sonegação e a revisão da desoneração da folha de pagamento, em vez de novas elevações de contribuição ou ampliação do tempo necessário para aposentadoria.

“Penso que esse assunto deve ser postergado o máximo possível porque, como disse antes, quando se fala em reforma da Previdência, o peso recai sempre sobre as costas do trabalhador, seja pelo aumento da alíquota, seja pelo aumento da idade para se aposentar. Então, quero crer que a nossa inteligência nacional vai gerar soluções que não penalizem o trabalhador”, declara..

A reforma da Previdência de 2019 estabeleceu idade mínima para aposentadoria de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, aumentou o tempo mínimo de contribuição, criou regras de transição para quem já estava no mercado de trabalho, alterou a forma de cálculo dos benefícios e das pensões por morte e endureceu os critérios de acesso à aposentadoria, com o objetivo de reduzir o crescimento das despesas previdenciárias e garantir maior equilíbrio fiscal.

Penalidades aos trabalhadores

Queiroz critica o modelo da reforma aprovado há 7 anos: “Aprovar uma reforma como a de 2019 é o pior tipo de reforma possível. Você diz: ‘Eu quero economizar 100 bilhões. Então, como é que eu faço?’. Aí aumenta dois anos aqui e aumenta a alíquota ali. Na verdade, você está colocando o peso nas costas do trabalhador brasileiro. Falar em reforma da Previdência nesses moldes é sacrificar quem já carrega o país nas costas, que é o povo brasileiro”, comenta.

“Em outros formatos, digamos assim, menos habituais, precisamos encontrar soluções, como a desoneração da folha e o combate às sonegações da Previdência Social, que normalmente são deixados de lado, em vez de buscar as fórmulas mais simples, como aumentar o tempo de contribuição, aumentar a idade mínima ou aumentar as alíquotas para quem contribui para a Previdência Social”, acrescenta Queiroz.

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