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Mercado imobiliário ainda vive efeitos da crise

Aumento do custo dos materiais de construção freia novos lançamentos no primeiro semestre

Fabrício Queiroz

Com índice elevado de vendas no primeiro trimestre, mas com poucos lançamentos até então, representantes do mercado imobiliário estão conservadores quanto ao desempenho do setor ao longo do ano. Nesta quinta-feira (21), em Belém, o Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Pará (Sinduscon-PA) promoveu uma reunião com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) para discutir sobre o cenário atual e as perspectivas para o segmento.

A CBIC apresentou dados que mostram o aumento de 9,7% no Produto Interno Bruto (PIB) da Construção Civil no ano passado, recuperando as perdas de 2020, quando o setor recuou 6,3%. Por outro lado, o aumento dos custos dos insumos tem preocupado os empresários. Somente nos últimos dois anos, a inflação sobre os materiais de construção já acumula alta de 52,7%.

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O reflexo disso se observa na redução do volume de novos empreendimentos, que caiu 42,% entre o último trimestre de 2021 e o primeiro trimestre de 2022. A nível local, o Censo Imobiliário de Belém e Ananindeua mostrou que, no primeiro trimestre deste ano, as vendas de imóveis cresceram 41,8% em comparação com o último trimestre de 2021.

Para Alex Carvalho, presidente do Sinduscon-PA, fica evidente que fatores externos ao setor tem provocado instabilidade, insegurança, dificuldades de precificação e, em consequência, um desempenho aquém do seu potencial. “Como se sabe que a evolução salarial da população não consegue acompanhar esses aumentos excessivos e inoportunos da grande parte dos materiais de construção, o resultado disso é uma inibição muito drástica do número de novos lançamentos imobiliários”, analisa o empresário, que considera que os efeitos são prejudiciais para o conjunto da economia e para o enfrentamento do problema do déficit habitacional.

“Outros padrões de renda também tem sido abalados porque o custo de construção dos imóveis tem aumentado e isso interfere diretamente na capacidade de pagamento dessas pessoas de poder acessar um financiamento imobiliário e até mesmo a compra direta de um imóvel”, acrescenta Carvalho. Em razão disso, o sindicato patronal avalia com prudência os indicadores positivos, já que, apesar da fluidez de vendas, principalmente de imóveis de tipos mais econômicos, os empresários tem preferido adotar uma postura cautelosa à espera de um contexto mais favorável.

Nesse sentido, o segmento aposta nos efeitos que os programas habitacionais subsidiados pela União e os estados possam ter no aquecimento do setor. O presidente da CBIC, José Carlos Martins, considera que o aumento do prazo para o financiamento de residências pelo programa Casa Verde e Amarela, de 30 para 35 anos é uma das medidas que pode reaquecer o mercado imobiliário. “Com isso você aumenta a capacidade de compra das famílias. Outra coisa que pode ser feita é a diminuição de custos. Podemos usar, por exemplo, a cooperativa de compras e tem que criar cultura de redução de custos via importação”, disse Martins, pontuando que a redução da alíquota para importação de aço, aprovada em maio, representou um incentivo à construção civil.

Presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, destacou desafios para a precificação dos empreendimentos (Cristino Martins / O Liberal)

HABITAÇÃO

A performance do segmento de compra, venda e locação de imóveis residenciais e comerciais também inspira cautela por parte dos empreendedores do ramo. “A venda caiu muito. O mercado não está tão bom. No setor de aluguel também estamos vivendo uma crise, tentamos negociar com nossos inquilinos para manter a ocupação, mas a qualquer sinal de aumento os clientes ameaçam deixar o imóvel”, diz José Nazareno Nogueira, presidente do Sindicato da Habitação (Sindcon), que representa, entre outras categorias, as empresas de locação, avaliação e administração.

Para Nogueira, colabora para este cenário o fato de que a Caixa Econômica Federal tem ampliado a oferta de crédito para outros setores produtivos em detrimento da construção. Aliado a isso, o empresário observa a cautela diante do cenário eleitoral e qual a política econômica que pode ditar o país pelos próximos anos.

“O parâmetro do ano passado foi crítico. Estávamos tentando voltar à normalidade, mas com essas políticas econômicas mundiais acabamos submergindo a uma crise. Agora estamos em um nível de estabilidade, que espero que perdure até o final do ano”, afirma Nazareno Nogueira, enfatizando que o clima geral não estimula grandes investimentos. “Não tenho visto nada no mercado que desponte para levantar o setor imobiliário. Está tudo muito pacifico porque creio que o pessoal está se segurando para não jogar dinheiro fora. Todo mundo está se resguardando para o futuro próximo, aguardando também os bancos oficiais abrirem as carteiras para o financiamento”.

Economia
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