Mercado de games no Pará cresce e aposta em tecnologia, indústria e inovação

Profissionais e estudantes mostram como o setor deixa o hobby, avança na indústria e incorpora a IA no Pará

Fabyo Cruz

O mercado de produção de games no Pará vive um momento de transição: deixa de ser visto apenas como hobby e passa a se consolidar como um setor profissional, conectado à tecnologia, à indústria e ao mercado corporativo. Esse cenário ficou evidente durante o EDG-X – Expo Dev Games, realizado em dezembro deste ano no Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, da UFPA, onde desenvolvedores, estudantes e empresários compartilharam experiências e discutiram os rumos da área no estado.

Com mais de dez anos de atuação no setor, o desenvolvedor e instrutor do Senac Pará, Ivo Barbosa, 40 anos, avalia que, embora o estado ainda não possua grandes estúdios consolidados, há uma base significativa de profissionais qualificados atuando de forma remota. Segundo ele, desenvolvedores paraenses prestam serviços para empresas de outras regiões do país e também para grandes companhias do setor industrial. 

“A gente faz jogos e simuladores 3D para empresas como Vale e Hydro, principalmente na área de treinamento e segurança do trabalho”, explica. Para Ivo, a tecnologia de games vai muito além do entretenimento e atende tanto ao ramo comercial, com ações de marketing e gamificação, quanto ao industrial, com simulações que reduzem riscos reais.

image Ivo Barbosa é desenvolvedor e instrutor do Senac Pará (Cristino Martins/O Liberal)

A inteligência artificial surge como um fator decisivo nesse novo momento do setor. Na avaliação de Ivo Barbosa, a IA tem contribuído para democratizar o desenvolvimento de jogos, ao reduzir custos e tempo de produção. “Projetos que levavam meses hoje podem ser feitos em poucos dias, com equipes menores, sem perder qualidade”, afirma. Para ele, a tecnologia não substitui o profissional, mas amplia a capacidade de entrega e competitividade, inclusive fora dos grandes centros do eixo Sul-Sudeste.

Futuros profissionais

Do ponto de vista da formação, estudantes veem no mercado de games uma oportunidade concreta de crescimento profissional e financeiro. É o caso de Bruna Silva, de 31 anos, aluna do Senac, que participa do desenvolvimento de um jogo didático voltado à divulgação dos cursos da instituição. 

image Bruna Silva é aluna do Senac (Cristino Martins/O Liberal)

Ela destaca que o interesse surgiu da combinação entre design gráfico, criatividade e jogos digitais. “Sempre joguei desde criança e hoje vejo esse mercado como uma chance real de crescimento pessoal e financeiro”, relata. Para Bruna, eventos como o EDG-X são fundamentais para ampliar contatos, trocar experiências e dar visibilidade aos trabalhos produzidos no estado.

Desafios

Apesar do avanço, o setor ainda enfrenta desafios estruturais. O desenvolvedor e cofundador de uma empresa paraense de tecnologia interativa, Khelson Farias, 35 anos, avalia que o mercado paraense é aquecido, mas carece de mais investimento, maturidade e reconhecimento profissional. Segundo ele, ainda existe um estigma de que o desenvolvedor “faz só joguinho”, o que desvaloriza o esforço técnico envolvido. 

image Khelson Farias é desenvolvedor e cofundador de uma empresa paraense de tecnologia interativa (Cristino Martins/O Liberal)

“Criar jogos é criar experiências, pensar em emoção, narrativa, tecnologia e psicologia ao mesmo tempo”, explica. Mesmo assim, Khelson afirma que já é possível viver da área, seja com jogos comerciais, projetos culturais ou soluções voltadas ao setor público e à valorização da biodiversidade amazônica.

Essa visão também é compartilhada por Ítalo Freitas, 33 anos, diretor-executivo da mesma empresa, que atua desde 2015 no desenvolvimento de soluções imersivas. Ele explica que o estúdio trabalha tanto com jogos digitais de entretenimento quanto com aplicações complexas para a indústria, como simulações, treinamentos e monitoramento de ativos. 

image Ítalo Freitas é diretor-executivo de uma empresa que atua desde 2015 no desenvolvimento de soluções imersivas (Cristino Martins/O Liberal)

Para Ítalo, o mercado local ainda sofre com a falta de mão de obra especializada, especialmente programadores e modeladores 3D, mas iniciativas de formação e eventos têm ajudado a mudar esse cenário. “Games não são algo simples. É uma área multidisciplinar que envolve programação, arte, música e animação”, ressalta.

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