Investidores paraenses comentam prejuízos após rombo bilionário das Lojas Americanas

O déficit de R$ 20 bilhões fez a empresa pedir recuperação judicial na última quinta-feira (19)

Daleth Oliveira
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No dia 11 de janeiro, o presidente das Lojas Americanas, Sergio Rial, decidiu deixar o comando da companhia após a descoberta de “inconsistências em lançamentos contábeis” no valor de R$ 20 bilhões. O rombo bilionário que fez a empresa pedir recuperação judicial na última quinta-feira (19) fez muitos acionistas perderem dinheiro de uma hora para outra, como o empresário paraense Caio Benjamin, que tinha parte do seu patrimônio aplicado em fundos com ativos da varejista.

“Eu estava investindo no fundo que tem ativos da Lojas Americanas, então fui impactado de forma significativa, mas não a ponto de me comprometer financeiramente. Faz parte do jogo”, conta o investidor de perfil arrojado, ou seja, aquele que prefere correr riscos com investimentos em rendas variáveis. Ele é um dos investidores que perdeu dinheiro após o anúncio do rombo das Lojas Americanas.

Os produtos de investimentos podem ser classificados em duas grandes categorias: renda fixa e renda variável. Enquanto na renda fixa o investidor empresta recursos para o governo, um banco ou uma empresa e se ganha com o recebimento de juros; na renda variável se compra ativos, cuja rentabilidade sofre influência de fatores da economia do país, como a taxa de juros e o cenário político.

“Para mim, investir em ativos de renda variável é animador porque os retornos são potencialmente maiores. Porém, corro mais riscos. Sobre isso, eu gosto de fazer a analogia: investir é como tomar banho de rio e mar. Tem pessoas que querem ficar na beira, apenas para se refrescar. Tem outros que gostam de tomar banho, mergulhar mas sem ir para o fundo, de forma segura. Entretanto, há aqueles que optam pelo alto mar, praticam surf e outros esportes radicais. Eu entendo que dá para surfar boas ondas no mercado financeiro do País. Porém, às vezes acontece alguma fatalidade, é normal. Quem investiu nos longos anos das Americanas, ganhou muito dinheiro. Agora, perdeu. Mas o ganho foi maior”, explica Benjamin, que investe há 10 anos no mercado financeiro.

Golpe de sorte

Ao contrário de Caio, o servidor público paraense Roberto Franco se livrou de perder dinheiro. “Eu investi nas Lojas Americanas de 2018 até 10 de janeiro de 2023. Num golpe de sorte, eu pulei fora vendendo ações do setor de varejo e bando antes da divulgação do rombo”, diz aliviado.

Ele, que investe em renda fixa e variável desde 2008, disse que decidiu retirar as aplicações na varejista por questões pessoais. “Agora estou mais conservador, não estou acompanhando o mercado financeiro há um bom tempo, não dava mais para manter a mesma fatia de investimentos na renda variável. Então, hoje estou investindo mais em renda fixa”, explica Roberto.

Para Franco, apesar da possibilidade de se obter lucros maiores com rendas variáveis, hoje, há mais vantagem na renda fixa. “O grande trunfo é a possibilidade de se ter a garantia do seu patrimônio diante da inflação, se mantendo estável diante da instabilidade do mercado”, opina.

Debêntures

O rombo não influenciou apenas os acionistas da empresa. Fundos de renda fixa com investimentos em crédito privado, e que investiam em debêntures (títulos de dívida) da varejista apresentaram um forte recuo de rentabilidade.

Exemplo disso é o "Nu Reserva Imediata", do banco digital Nubank. Este fundo tinha aplicação mínima de R$ 1 e era apresentado pela instituição como sendo de “baixo risco e alta liquidez”, e indicado para “investidores que não querem correr muitos riscos e com uma expectativa de retorno melhor que o da poupança”. Após a derrocada da varejista, a carteira, que antes entregava ganhos equivalentes a 109% do CDI (certificado de depósito interbancário, principal referência de rentabilidade para investimentos em renda fixa), chegou a um retorno de 37% do CDI nos últimos 30 dias.

O assessor de investimentos da Ação Brasil, Leonardo Cardoso, detalha como a situação das Americanas influenciou nas contas dos investidores. “Esse rombo atrapalhou todo o mercado financeiro, não só os de renda variável, porque as ações da empresa desvalorizaram quase 100%, antes valendo R$ 12 por ação, e agora já chegou a valer R$ 1; mas também os investidores de renda fixa, por causa dessa aplicação chamada debênture. Logo, o mercado levou um susto.

Como investir em renda variável

Para os investidores que querem correr riscos, mas se blindando de grandes prejuízos, Cardoso dá a dica: diversificar os investimentos. “Quem quer se blindar, é muito importante a diversificação de portfólio. Primeiramente, um portfólio que seja adequado ao seu perfil de risco e investidor. Se você é um cara que é mais passivo, um cara mais conservador, não consegue acompanhar o mercado de perto, não faz sentido se expor tanto à renda variável e ativos de risco, principalmente de setores muito complicados que possam ter uma situação como essa, como o setor de varejo. Então, foque mais em empresas que tenham uma estabilidade, um pagamento de dividendos recorrentes”, indica o especialista.

“O nome do jogo é a diversificação, o único almoço grátis do mercado. Todo investidor pode diversificar o seu portfólio para não ficar com uma exposição muito grande a uma única classe de ativos que certamente pode trazer problemas e prejuízos que muitas vezes podem ser até irreversíveis”, continua Leonardo.

Além disso, para reduzir ainda mais os riscos, ele afirma que o mais aconselhável é separar apenas de 10% a 20% de todo o patrimônio para renda variável. “Para quem está começando, aconselho que desse total, ainda seja dividido em ações e fundos imobiliários. Então vamos supor, você tem um patrimônio de R$ 100 mil, vou colocar R$ 10 mil reais na bolsa de valores, dividindo entre pelo menos cinco a dez empresas, para que eu não fique muito concentrado na renda variável”, finaliza.

 

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