Geração Z mantém hábito de consumir no comércio de rua de Belém

Consumidores preferem o varejo de rua pela praticidade de avaliar a qualidade e evitar a espera de entregas virtuais

Gabriel da Mota
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Jovens da Geração Z mantêm o hábito de frequentar o centro comercial de Belém para fazer compras presenciais, contrariando o avanço do comércio eletrônico e das redes sociais. Esse público busca a praticidade de avaliar a qualidade dos produtos de perto e a vantagem de levar as mercadorias imediatamente para casa, transformando o consumo popular em uma experiência social conveniente.

A busca por tendências rápidas e preços baixos move esses consumidores de até 30 anos, que utilizam plataformas digitais como Instagram e TikTok como vitrines antes de irem às ruas. Para atender a essa demanda, lojistas locais adaptaram suas estratégias comerciais e passaram a produzir conteúdos diários na internet para atrair o público jovem até os estabelecimentos físicos.

Por que a experiência física atrai a Geração Z ao comércio?

A experiência do contato físico com os itens é apontada como o principal diferencial em relação ao mercado virtual. A educadora física e criadora de conteúdo Helena Araújo, de 27 anos, explica que prefere analisar as peças presencialmente para evitar decepções com o acabamento do produto. "Gosto da diversidade e da possibilidade de ver e experimentar tudo. Prefiro ter esse contato antes de comprar para conferir se a qualidade é boa", afirmou Helena, que costuma adquirir bijuterias, óculos e bolsas na região e utiliza seu perfil para dar dicas de compras. 

image Helena Araújo, 27, educadora física e criadora de conteúdo (Carmem Helena / O Liberal)

No segmento de vestuário, a divulgação digital atua como um convite direto para a experimentação prática no estabelecimento. A vendedora Eduarda Silva, de 19 anos, gerencia o perfil de uma banca de jeans no Instagram, onde edita e publica vídeos sobre modelos que estão em alta, como as bermudas bordadas do Brasil e opções com aplicação de brilho. Essa exposição atrai clientes até a banca, onde a decisão de compra presencial é consolidada pela segurança do teste físico. 

"As clientes gostam de vir aqui porque a gente tem um provador. O público prefere experimentar as peças e ver a qualidade do jeans de perto", explicou Eduarda Silva, ressaltando que a procura por saias e bermudas jeans é impulsionada pela clientela com idade abaixo dos 30 anos. 

image Eduarda Silva, 19, gerencia o perfil de uma banca de jeans no Instagram (Carmem Helena / O Liberal)

 

 

CDL Belém orienta a adoção de estratégias integradas ao ambiente digital

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL Belém) confirma o impacto financeiro positivo gerado por essa faixa etária na economia local. O gerente de relacionamento e marketing da entidade, Edson Souza, salienta que uma parcela significativa desses jovens ainda valoriza a experiência de compra física, o que contraria as projeções antigas de migração total para o comércio eletrônico. "Eles buscam a prova, o toque, a experimentação e a interação humana que a loja física proporciona. A decisão dessa geração combina racionalidade financeira com credibilidade percebida, baseada em confiança e transparência", declarou.

Como orientação para manter a competitividade diante do e-commerce, o gerente recomenda que os lojistas adotem uma abordagem integrada (omnichannel) e modernizem as estruturas das lojas. Entre as sugestões, estão: a instalação de totens de autoatendimento para consulta de produtos, espelhos inteligentes nos provadores para sugerir combinações e a oferta de meios de pagamento mais ágeis, como carteiras digitais e PIX.

"As redes sociais são a porta de entrada dos consumidores para as marcas. A chave para o sucesso está em entender essa geração, investir em narrativas lideradas por criadores, personalizar experiências e abraçar seus valores de autoexpressão", concluiu o gerente da CDL Belém.

Óculos viram acessório de rotina para festas em Belém

O dinamismo da internet dita o ritmo de reposição de mercadorias no centro comercial. O lojista David Maia, 46, que atua há 22 anos com a venda de acessórios, afirma que os óculos escuros viraram itens de uso diário para eventos e festas na capital paraense. O comerciante aponta que o público jovem representa a parcela mais expressiva de sua clientela. 

"Nas redes sociais, as pessoas publicam fotos com um modelo e logo querem usar outro diferente para não repetir o acessório", declarou.

Por causa dessa demanda, o vendedor renova o estoque constantemente e atende clientes que compram até três vezes por semana. 

David gerencia sozinho a página digital do estabelecimento e lida com as exigências diárias de postagens. Embora utilize serviços de entrega por aplicativo para pedidos virtuais, o comerciante destaca que a taxa de insatisfação online é considerável. Segundo ele, de cada 10 vendas feitas pela internet, uma resulta em troca porque o cliente não aprova o modelo ao recebê-lo em mãos.

image David Maia, 46, atua há 22 anos no comércio de acessórios (Carmem Helena / O Liberal)

Imediatismo e festas juninas movimentam buscas dos jovens

A busca por gratificação imediata é outra característica geracional que favorece o comércio presencial. A estudante Kimberly Corrêa, de 23 anos, frequenta o local a cada um ou dois meses e revela que prefere realizar a transação presencial para amenizar a ansiedade provocada pelo tempo de espera dos fretes das lojas online. Ela costuma mapear promoções por meio de vídeos de criadoras de conteúdo no TikTok antes de sair de casa.

"Prefiro comprar no comércio para sentir o produto e levá-lo na hora para casa", contou Kimberly, que planeja voltar ao local ainda este mês para comprar roupas e acessórios voltados para as festas juninas.

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