Fipa 2026 encerra com defesa de pacto entre indústria, meio ambiente e desenvolvimento
Federação das Indústrias do Pará cobra consenso estratégico para acelerar projetos logísticos, minerais e de sociobioeconomia na Amazônia
A XVII Feira da Indústria do Pará (Fipa 2026), maior evento industrial da Amazônia realizado para valorizar a produção regional e divulgar o compromisso do setor com a sustentabilidade, encerrou suas atividades neste sábado (23), no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, em Belém. Durante os quatro dias de programação, empresários, especialistas e autoridades se reuniram para traçar os rumos da indústria do Pará, incluindo discussões estratégicas sobre o impacto socioambiental de hidrovias, o papel dos minerais críticos na geopolítica industrial e o avanço da sociobioeconomia. As análises funcionaram como um balanço das principais potencialidades e desafios econômicos locais diante do mercado global.
Como a desinformação impede o avanço dos projetos logísticos no Estado
O debate sobre a infraestrutura de transportes aquáticos regional exige a superação de entraves comunicacionais para consolidar os investimentos previstos. Conforme avalia o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), Alex Carvalho, o desencontro de dados constitui um dos principais impeditivos para a consolidação das hidrovias paraenses. Ele defendeu que o modal deve ser tratado com responsabilidade técnica para evitar perdas econômicas irreversíveis, funcionando também como ferramenta de navegação democrática e combate a atividades ilegais através da geração de empregos formais.
"Tratar desses impactos exige, antes de tudo, eliminar a desinformação. Esse assunto deve ser conduzido com responsabilidade, pois dados falsos geram a perda de oportunidades irrecuperáveis. Precisamos esclarecer as reais consequências e criar as medidas mitigadoras", afirmou Alex Carvalho.
O dirigente explicou que a federação mobiliza um grupo de especialistas e universidades para aprofundar o embasamento científico sobre o tema. Carvalho enfatizou que a busca pela licença social para operar legitima a ampla participação de comunidades tradicionais, ribeirinhos, sociedade civil, academia e empresários na construção de consensos coletivos.
Reservas de cobre inserem a região na geopolítica dos minerais críticos
A abundância geológica paraense na corrida global pela transição energética foi apontada como uma janela de oportunidade estratégica, mas que possui prazo limitado. Mapeamentos na Província de Carajás projetam o Pará como o futuro principal produtor de cobre do mundo, mineral cuja demanda global superará a capacidade de extração planejada até o ano de 2040. Carvalho criticou a lentidão do Estado brasileiro em se apropriar desses momentos econômicos e citou a estagnação nas pesquisas da margem equatorial devido a entraves burocráticos ou ideológicos.
"Existe uma janela de oportunidade e o Brasil tem perdido o tempo de se apropriar dela, tanto para minerais críticos quanto para a margem equatorial, onde patinamos há anos por caprichos. Há um limite para tudo e, quando se transcende o zelo ambiental, a sociedade paga um preço alto pela perda de chances", pontuou o presidente da Fiepa.
Para reter a riqueza do concentrado de cobre e incentivar frentes como a bioeconomia e os biocombustíveis locais (etanol e biodiesel), a federação sugeriu um pacto estratégico unificado entre empresas privadas, governos e secretarias de licenciamento ambiental.
Projetos aliam a atividade extrativista à manutenção da floresta em pé
A viabilidade prática de integrar grandes operações minerais com o desenvolvimento sustentável foi detalhada pelo setor corporativo atuante na Amazônia Legal. O diretor de Gestão e Territórios da Vale, Eloíso Araújo, demonstrou que a atividade industrial e a economia da floresta em pé não são agendas excludentes ou opostas, mas atuam como alicerces complementares para gerar valor compartilhado no território.
"A sociedade tem compreendido de forma crescente que a indústria e a socioeconomia não são antagônicas. Elas devem e podem caminhar juntas, apoiando iniciativas sustentáveis", explicou Eloíso Araújo.
A mineradora mantém a conservação de mais de 800 mil hectares de floresta na região de Carajás. Por meio do Fundo Vale, criado há 16 anos, a empresa aplicou mais de R$ 550 bilhões no bioma amazônico. Durante a feira, o público conheceu uma loja com 10 projetos comunitários focados em biojoias, cosméticos, alimentos e extração manejada de jaborandi, além de painéis técnicos sobre pobreza e mineração circular.
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