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Estudo aponta alta no consumo de açaí na região Norte

Abílio Dantas

Fruto símbolo do Pará, o açaí foi mais consumido em quase todas regiões do Brasil nos anos de 2017 e 2018, de acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na região Norte, o crescimento foi de 3,4%, passando de 9% para 12,4% da população que consome o alimento frequentemente. Nas demais regiões, houve um ligeiro aumento, de 1% em média.

O estudo aponta também que as áreas rurais ainda são os locais onde as pessoas mais tomam açaí, em todo o país. O consumo alimentar médio por pessoa, considerando a ingestão da unidade da medida grama, por dia, mostra que nos ambientes urbanos o consumo foi de 4,2 gramas/dia, em média, enquanto nas localidades interioranas o dado registra que foram ingeridas 9,1 gramas/dia, também em média. O consumo do açaí fora de casa é bem maior nos ambientes urbanos (18,2%) em comparação com as áreas rurais (1,9%), segundo a pesquisa.

A nutricionista e professora Vanessa Lourenço Costa, pesquisadora da Universidade Federal do Pará (UFPA), destaca que no consumo alimentar médio por pessoa (gramas/dia), na comparação do quesito Grandes Regiões, a região Norte também apresentou médias mais elevadas (45,4 g/dia) para o consumo de açaí em comparação com as demais regiões (Nordeste 1,6, Sudeste 1,1, Sul 1,0, Centro-oeste 1,0).

De acordo com a doutora em doenças tropicais, o aumento na região Norte, em comparação com as outras, já era esperado, ainda que nos últimos anos o alimento tenha ganhado novos mercados consumidores. “O açaí é um fruto típico da região Amazônica, bastante consumido por nossa população paraense, maior produtora do país. Porém, a partir de 1990 ganhou maior público consumidor nas grandes capitais brasileiras e estrangeiras devido seu grande valor nutricional”, afirma.

Além da frequência em que é consumido, os modos de consumo, segundo a professora, são também um indicador das diferenças regionais refletidas pelo açaí. Assim como nas cidades paraenses, nos demais estados do Norte o consumidor toma o açaí “com farinha de mandioca ou tapioca, acompanhado com peixe frito, camarão ou charque, e outros misturam com açúcar e consomem como sobremesa”, descreve. “Nas outras regiões do Brasil, o açaí é preparado a partir da polpa congelada batida com xarope de guaraná, frutas e cereais, dessa forma, é muito consumido por frequentadores de academias e desportistas, já que a bebida preparada dessa forma, dá energia, pois é rica em carboidrato”, completa.

VALORIZAÇÃO

O músico e empresário Mauro Serrão, de 39 anos, nasceu em uma família que tem o hábito diário de tomar açaí, das diversas “formas paraenses”. “Na minha família, as pessoas tomam açaí a qualquer hora do dia, não tem regra. Enquanto alguns preferem tomar com comida, outras preferem como sobremesa.  A única regra é que tem que ter todos os dias, sem exceção. É um costume que vai sendo passado de geração em geração. Eu, por exemplo, tomo das duas formas”, relata.

Para Mauro, o açaí deixou de ser um alimento encontrado apenas nos interiores do Pará e nos bairros periféricos de Belém, como antigamente, e ganhou prestígio em todas as classes. Além de percussionista na banda de pagode Nosso Tom, ele é também dono de uma empresa de bonés personalizados e nota também nesse ramo a popularização do fruto. “É notório o crescimento dos pontos de venda no centro da cidade, por exemplo. E, além disso, notamos que aumentou bastante o número de empresas que comercializam o açaí para outros estados, fábricas de produtos derivados. Noto isso porque também já produzi alguns bonés personalizados para algumas delas”, afirma.

O vendedor Ademir José Coutinho, que veio para Belém de São Domingos do Capim, no nordeste paraense, vende açaí há dez anos. Ele concorda com Mauro em relação à mudança de “status” do açaí. “No meu entendimento o consumo de açaí aumentou consideravelmente em Belém. Não havia tantos pontos de venda, por todos os bairros, como temos hoje. Você nota isso nas feiras. Antes, sobrava açaí, estragava, agora não sobra nem um caroço”, compara.

RIQUEZA NUTRICIONAL

Além da questão cultural, o açaí passou a ser mais comprado também em razão do valor nutricional que possui. A professora Vanessa Costa destaca, entre outros atributos, que o fruto é rico em fibras, substância importante para o adequado funcionamento do intestino, além de participar da prevenção do câncer do cólon. Um litro de açaí médio contém 31,5 g de fibras alimentares totais, o que corresponde a 90% da recomendação diária do indivíduo.

”A cor típica do açaí preto, roxo-avermelhada, se deve à presença de pigmentos naturais chamados antocianinas, substância pertencente à família dos flavonoides. As antocianinas são responsáveis por diminuir a oxidação das LDL-colesterol, diminui o risco de doenças, possui atividade antioxidante, propriedades antiestrogência e antialergênica. Assim, a ingestão de um litro de açaí médio a 12,5% de teor em matéria seca fornece 1,28g de antocianinas, em média”, explica ainda a professora.

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