Paraense mostra como a interação entre humanos e inteligência artificial está acelerada
Vitor Alves, do Açaí Valley, mostra como a adoção de agentes de IA avança e tende a se intensificar
A convivência entre humanos e sistemas de inteligência artificial deixou de ser uma projeção futura e já se consolidou como parte do cotidiano em diferentes setores da sociedade. Na avaliação de especialistas, o cenário mais realista para os próximos anos é o de uma interação constante e crescente entre pessoas e IAs.
Em Belém, o presidente do conselho da Associação de Inovação e Tecnologia do Pará (Açaí Valley), Vitor Alves, destaca que a interação entre as IAs e humanos, já ocorre com naturalidade e essas práticas só tendem a se intensificar. Ele também pondera que se vive uma fase de transição e os profissionais que aprendem a usar a inteligência artificial como aliada conquistam uma vantagem competitiva significativa.
“Em vez de apenas gerar texto, áudio ou vídeo, um agente de IA, que são uma evolução do chatbot tradicional, pode comparar preços e reservar uma passagem, marcar uma consulta no melhor horário, fazer uma busca mais completa, checar informações e entregar uma tarefa finalizada, sem que você precise conduzir cada passo do processo”, diz Vitor, que é também empresário, mestre em computação aplicada em inteligência artificial, e mantém um canal no YouTube, onde fala de inteligência artificial.
“Eu via os agentes como o “próximo passo” lá no começo de 2025. Hoje, para mim, eles já são uma realidade do presente”, comenta. Ele aponta como o avanço mais recente a chamada orquestração de agentes, modelo no qual diferentes IAs trabalham de forma coordenada, cada uma responsável por uma parte do processo. “Ainda é algo mais comum “na mão de especialistas”, mas acredito que até o fim do ano pessoas menos técnicas já vão conseguir orquestrar agentes com mais facilidade, de forma mais guiada e intuitiva”, avalia o conselheiro da Açaí Valley.
A integração entre humanos e IA, frisa Vitor, já ocorre em larga escala. “Um exemplo bem claro está no atendimento ao cliente: o “robozinho” não só entende o que você diz, como também executa ações de verdade, como agendar um atendimento, confirmar um pagamento, gerar um boleto, abrir um chamado ou atualizar um cadastro, com muito mais autonomia do que os chatbots antigos”.
Alves observa que outros agentes, ainda pouco usados pelo grande público, mas já bastante disponíveis, estão no Gemini, no Manus AI e no modo agente do ChatGPT. “Essas ferramentas conseguem montar um plano de ação, executar etapas e agir diretamente sobre o que você solicita. Na prática, elas podem comparar opções, fazer compras ou reservas, gerar apresentações e até produzir conteúdos como podcasts, sempre com você definindo o objetivo e validando o resultado”.
Empresas adotam agentes de IA para ganhar produtividade
No ambiente corporativo, a adoção de agentes de IA avança de forma acelerada. Em geral, ressalta Vitor Alves, “as empresas começaram pelo atendimento ao cliente, mas hoje já existem agentes usados também para pesquisa de concorrência, produção de conteúdo para redes sociais, monitoramento de desempenho e suporte a equipes comerciais, entre outros processos”.
Vitor Alves dá exemplos concretos. “Em minha empresa, (de software de gestão), nós aumentamos a produtividade na produção de conteúdo para o YouTube. Temos um agente que pesquisa e resume o trabalho dos convidados do podcast, auxiliando na elaboração de roteiros e perguntas. Outro que gera sugestões de miniaturas e variações de título; enquanto um terceiro analisa métricas como retenção, cliques e comentários, propondo temas e formatos com base no desempenho dos episódios anteriores”.
"Eu vejo essa tendência como muito positiva, desde que exista governança e validação humana nos pontos críticos. Na prática, agentes bem implementados reduzem retrabalho, aceleram ciclos e liberam as pessoas para tarefas mais estratégicas”, diz. Ele enfatiza, também, que “empresas que ignoram esse movimento correm o risco de perder competitividade, desperdiçando tempo e dinheiro e ficando para trás em produtividade”.
Impactos no mercado de trabalho ainda geram debate
Os efeitos da expansão da inteligência artificial no mercado de trabalho ainda são difíceis de prever com precisão. Vitor frisa que mesmo entre especialistas e líderes do setor há divergências. "Figuras como Bill Gates, por exemplo, já mencionaram a possibilidade de uma renda mínima universal no futuro, enquanto outros acreditam que o ser humano jamais será totalmente substituído”, diz.
"Por exemplo, Jensen Huang, fundador da NVIDIA, (empresa de tecnologia líder em Unidades de Processamento Gráfico (GPUs), costuma defender a ideia de que o papel das pessoas será resolver problemas, tomar decisões e criar, enquanto o trabalho mais pesado, repetitivo ou operacional ficará a cargo da IA”.
Alves defende “que o momento de se destacar é agora, enquanto a inteligência artificial ainda não executa sozinha o trabalho completo da maioria das profissões. Estamos em uma fase de transição em que, quem aprende a usar IA como aliada ganha uma vantagem competitiva muito grande”.
"Olhando mais adiante, vejo também uma valorização maior de trabalhos manuais e presenciais, especialmente aqueles que exigem atuação física em ambientes complexos ou imprevisíveis, como manutenção de máquinas industriais, serviços em encanamentos, cuidados com animais ou outras atividades que dependem de interação direta com o mundo real. Em vez de um cenário de substituição total, o que tende a acontecer é uma reorganização do mercado de trabalho, com novas funções surgindo e outras se transformando”, analisa Alves.
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