Endividamento das famílias chega a quase 70% no Pará, aponta Fecomércio
Estudo mostra, no entanto, leve redução no percentual de famílias com contas em atraso entre dezembro de 2025 (16,8%) e dezembro de 2024 (21,2%)
O nível de endividamento das famílias no Pará apresentou aumento de 1,4 pontos entre dezembro de 2025 (69,5%) e dezembro de 2024 (68,1%). No entanto, o levantamento mostra que o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso em dezembro de 2025 (16,8%) apresentou recuo em relação a dezembro de 2024 (21,2%). Também houve redução no percentual de famílias que afirmaram não ter condições de pagar os débitos em dezembro de 2025 (5,1%) frente a dezembro de 2024 (7%).
Os dados são da Fecomércio (Federação do Comércio, Serviços e Turismo do Pará) com base na pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) de dezembro de 2025, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Março atingiu o pico do endividamento (77,1%)
Conforme a Fecomércio Pará, o índice de comprometimento da renda com débitos apresentou leve redução entre dezembro de 2025 (32,1%) e dezembro de 2024 (32,9%). Em 2025, o endividamento das famílias apresentou variações distintas, no período analisado, chegando a percentuais altíssimos de 77,1%, no mês de março, por exemplo.
O estudo mostra que, em janeiro, o percentual de famílias endividadas chegou a 69,4%; e em fevereiro, 69,3%. Ao longo do ano, as famílias alcançaram o pico de endividamento no mês de março com índice de 77,1% em débito. O levantamento segue com os seguintes resultados: abril (68,6%); maio (68,4%); junho (68,5%); julho (69,3%); agosto (70,3%); setembro (71,1%); outubro (70,2%); novembro (69,5%); e dezembro (69,5%).
O Brasil fechou o mês de dezembro de 2025 com alta de 0,33%, no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Ou seja, 0,15 ponto porcentual (p.p.) acima da taxa de 0,18% registrada em novembro. Em dezembro de 2024, a variação havia sido de 0,52%.
Dependência de outros estados eleva custo de vida no Pará, diz Dieese
Everson Costa, supervisor técnico do Dieese Pará (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), ressalta que a condição de renda baixa, o alto nível de dependência de outros estados, em produtos e bens de consumo e até de serviços, eleva o custo de vida no Pará.
"É importante a gente observar que quando a gente fala do custo de vida na capital paraense, a gente precisa relacionar isso ao grau de dependência de produtos, bens e até serviços de outras partes do Brasil. A nossa alimentação, talvez, o que mais pesa em relação ao orçamento dos paraenses, sofre com entressafra de certos produtos e também a dependência de outros estados, custos de fretes, entre outros fatores”, afirmou Everson Costa.
Ele também apontou o baixo poder aquisitivo da grande maioria dos trabalhadores no Pará. “Há um outro elemento que agrava a nossa condição e faz uma relação com o custo de vida, que é o rendimento do trabalhador, a gente está falando de um estado, que embora seja rico, e está entre as 10 maiores economias do Brasil se considerarmos o PIB, nas últimas décadas, mas a gente tem uma renda muito concentrada com poucos ganhando muito e milhares recebendo bem pouco”, disse Costa.
"Nós temos a 18ª renda per capita brasileira, olha que coisa interessante. E aliado a isso o mercado de trabalho cresceu e se expandiu também, fechamos na 12ª colocação entre os estados que mais geraram emprego no Brasil. Mas, o rendimento do trabalho aqui é muito baixo. Temos cerca de 4 milhões de pessoas que trabalham, mas metade delas ganha tão somente um salário mínimo por mês”, assinalou Everson Costa, do Dieese Pará.
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