Embrapa alerta que El Niño traz forte ameaça às lavouras e pode elevar risco de queimadas no Pará
O alerta é da pesquisadora da Embrapa Lucietta Martorano, que aponta o Oeste paraense como uma das áreas mais suscetíveis aos efeitos do fenômeno.
O avanço de um El Niño considerado forte pode mudar o calendário da agricultura no Pará nos próximos meses. Com menos chuva e temperaturas mais altas, produtores podem enfrentar dificuldade para manter a umidade do solo necessária ao desenvolvimento das lavouras. O alerta é da pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Lucietta Martorano, que aponta o Oeste paraense como uma das áreas mais suscetíveis aos efeitos do fenômeno.
Segundo a pesquisadora da Embrapa, o El Niño provoca o aquecimento das águas do Oceano Pacífico, aumentando a evaporação e alterando a circulação da atmosfera. De acordo com ela, esse processo contribui para deslocar parte da umidade em direção ao Sul do Brasil, onde são registradas chuvas mais intensas, enquanto a Amazônia, especialmente o oeste do Pará, sofre de forma mais pronunciada os efeitos do fenômeno.
"Então, isso ocorre igual? Não ocorre. Recentemente, eu estou terminando um artigo que submeti para uma revista, em que mostro exatamente as áreas que são quatro áreas diferenciadas no Estado do Pará que sofrem esses efeitos", relata.
A pesquisadora explica que a preocupação está relacionada ao aumento da seca e à redução das chuvas, que deixam o solo mais seco e favorecem a queda das folhas. Com a vegetação mais seca, cresce também o risco de incêndios e queimadas, que podem ser provocados até mesmo por pequenas faíscas.
"Por exemplo, nós lembramos o que ocorreu em 2023 para o início de 2024. Aquele El Niño foi um El Niño forte. Temos 90% de chance de que ele seja um evento forte neste ano e 69% de chance de que ele se intensifique entre setembro, outubro e novembro. O que acontece? Muito mais efeito de queimadas, muito mais deficiência de água no solo. As culturas não vão ter água, não vão produzir", comenta.
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