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Pará tem 0,22% de áreas rurais com 5G e nenhuma cidade entre as 30 com internet mais rápida do país

Quatro anos após a chegada da quinta geração de telefonia móvel ao estado, tecnologia avançou nas áreas urbanas, mas ainda enfrenta obstáculos no interior; Belém aparece apenas na 16ª posição entre as capitais brasileiras em velocidade de internet

Jéssica Nascimento
fonte

Quatro anos depois da chegada do 5G ao Pará, a quinta geração da telefonia móvel ainda está longe de transformar de maneira uniforme a experiência de conexão no estado. Embora a tecnologia tenha avançado principalmente nos centros urbanos, os números mais recentes da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mostram uma realidade marcada por forte desigualdade entre cidades, áreas urbanas e rurais.

Em junho de 2026, o Pará tinha cobertura 5G em 51,73% das áreas urbanas, enquanto nas áreas rurais o índice era de apenas 0,22%. Em termos de população, 76,22% dos moradores urbanos estavam em áreas cobertas pela tecnologia, contra somente 2,58% dos moradores rurais.

O contraste aparece também no desempenho geral da internet. Segundo dados do ranking Minha Conexão referentes ao segundo trimestre de 2026, o Pará ficou apenas na 19ª posição entre os estados brasileiros, com velocidade média de 176 Mbps. Nenhuma cidade paraense aparece entre as 30 cidades brasileiras com internet mais rápida no período.

Entre as capitais, Belém ocupa a 16ª posição. O desempenho é inferior ao de quatro capitais da Região Norte que aparecem entre as primeiras colocadas: Rio Branco, em terceiro; Porto Velho, em quarto; Boa Vista, em sétimo; e Palmas, em nono.

A situação levanta uma questão que acompanha a implantação da tecnologia desde 2022: quatro anos depois, o 5G entregou ao consumidor paraense aquilo que prometia?

Uma tecnologia que chegou prometendo muito

A implantação do 5G foi cercada pela expectativa de uma mudança significativa na forma como as pessoas se conectariam à internet. A promessa era de velocidades maiores, menor latência — o tempo necessário para que uma informação percorra a rede —, mais estabilidade e capacidade para suportar um número muito maior de dispositivos simultaneamente.

Na prática, a percepção dessa evolução depende de onde o consumidor está e de como utiliza a rede.

Para Allan Costa, professor da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e pesquisador da Universidade Federal do Pará (UFPA), a diferença técnica em relação ao 4G já pode ser percebida em locais onde a infraestrutura 5G está efetivamente disponível.

Segundo o Doutor em Ciência da Computação, testes realizados em ambientes universitários e a própria experiência como usuário mostram ganhos de velocidade e de capacidade da rede. Uma das situações em que a evolução pode ser percebida é justamente em locais com grande concentração de pessoas, onde redes anteriores poderiam apresentar congestionamento.

image Allan Costa durante entrevista ao Grupo Liberal. (Foto: Ivan Duarte)

Em uma chamada de vídeo, por exemplo, a menor latência permite que a comunicação aconteça com menor atraso. A maior capacidade da rede também favorece a transmissão de conteúdo em melhor qualidade.

Mas há uma condição fundamental: é preciso estar, de fato, conectado ao 5G.

Ter celular 5G não significa ter 5G disponível

Um smartphone compatível com a quinta geração não garante, sozinho, uma conexão 5G. O aparelho depende da existência de cobertura, da infraestrutura da operadora, das condições do sinal e do plano contratado.

A rede também pode alternar automaticamente entre diferentes tecnologias conforme o usuário se movimenta. Esse processo, conhecido como handover, permite que o celular migre entre uma antena 4G e uma 5G sem necessariamente interromper uma chamada ou outra atividade.

Por isso, um usuário pode ter um aparelho 5G e circular por uma região aparentemente atendida pela tecnologia sem permanecer conectado a ela durante todo o deslocamento.

Para avaliar se a quinta geração está efetivamente proporcionando uma experiência superior, não basta observar o símbolo “5G” na tela. É necessário analisar indicadores como velocidade de download e upload, latência, estabilidade da conexão, perda de pacotes e disponibilidade do sinal.

72 municípios têm 5G para mais de 10% da população

A desigualdade de cobertura fica evidente quando os dados municipais são observados individualmente.

Segundo a Anatel, o 5G está presente para mais de 10% da população em 72 dos 144 municípios paraenses. Isso significa que metade dos municípios do Estado já apresenta algum nível relevante de cobertura populacional, enquanto a outra metade está abaixo desse patamar.

Mas a distribuição é bastante irregular.

Na Região Metropolitana, os índices são próximos da universalização da população: 99,72% dos moradores de Ananindeua, 99,33% de Belém e 98,70% de Marituba estão em áreas com cobertura 5G.

O cenário muda conforme se avança para outras regiões.

Tucuruí registra 94,04% de cobertura populacional; Salinópolis, 91,40%; Castanhal, 91,07%; Canaã dos Carajás, 87,18%; Parauapebas, 86,89%; Marabá, 86,44%; Paragominas, 86,35%; e Barcarena, 85,02%.

Santarém chega a 75,08%, enquanto Altamira tem 72,23% e Itaituba, 74,51%.

Na outra ponta, há dezenas de municípios com cobertura muito baixa ou inexistente. Em Uruará, Abel Figueiredo, Anajás, Aveiro, Bagre, Bannach, Belterra, Brejo Grande do Araguaia, Bujaru, Chaves, Cumaru do Norte, Curionópolis, Curuá, Faro, Floresta do Araguaia, Goianésia do Pará, Gurupá, Irituia, Jacareacanga, Juruti, Limoeiro do Ajuru, Mãe do Rio, Magalhães Barata, Melgaço, Muaná, Nova Timboteua, Novo Progresso, Oeiras do Pará, Palestina do Pará, Pau D'Arco, Piçarra, Portel, Prainha, Primavera, Quatipuru, Rio Maria, Santa Bárbara do Pará, Santa Luzia do Pará, Santa Maria do Pará, Santana do Araguaia, Santarém Novo, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, São Miguel do Guamá, São Sebastião da Boa Vista, Sapucaia, Senador José Porfírio, Soure, Terra Santa, Tracuateua e Trairão, o indicador de moradores cobertos aparece em 0% nos dados fornecidos pela Anatel.

Isso não significa necessariamente que esses municípios não tenham qualquer serviço de telefonia móvel ou internet. O indicador específico se refere à cobertura 5G da população.

image Em junho de 2026, o Pará tinha cobertura 5G em 51,73% das áreas urbanas, enquanto nas áreas rurais o índice era de apenas 0,22%. Em termos de população, 76,22% dos moradores urbanos estavam em áreas cobertas pela tecnologia, contra somente 2,58% dos moradores rurais. (Foto: Ivan Duarte)

Interior é o principal desafio

Para Allan Costa, a geografia paraense é um dos principais obstáculos à expansão da tecnologia.

O estado tem grandes distâncias entre cidades, vilas e comunidades, além de localidades isoladas por rios e ilhas. A instalação de uma rede de quinta geração exige infraestrutura capaz de conectar as antenas e transportar o grande volume de dados.

A dificuldade é ainda maior quando a tecnologia precisa chegar a áreas com baixa densidade populacional. O custo de implantação de infraestrutura tende a ser maior quando há poucos usuários para compartilhar a rede.

Os números da Anatel traduzem essa dificuldade. Enquanto 76,22% da população urbana estava coberta pelo 5G em junho de 2026, somente 2,58% da população rural tinha acesso à tecnologia.

A diferença também aparece quando se observa a área territorial: 51,73% das áreas urbanas tinham cobertura 5G, contra apenas 0,22% das áreas rurais.

A cobertura das operadoras também é desigual

Considerando conjuntamente TIM, Claro e Vivo, os dados apresentados pela Anatel apontam 57,86% dos moradores cobertos por 5G e 58,66% dos domicílios atendidos.

Individualmente, a TIM aparece com 43,99% dos moradores cobertos e 44,84% dos domicílios; a Claro, com 48,91% dos moradores e 50,11% dos domicílios; e a Vivo, com 48,29% dos moradores e 49,20% dos domicílios.

Na dimensão territorial, os percentuais são muito menores: 0,41% da área para o conjunto das três operadoras; 0,09% para a TIM; 0,36% para a Claro; e 0,10% para a Vivo.

A aparente discrepância entre cobertura territorial e cobertura populacional é explicada pela concentração da população em áreas urbanas. Uma pequena parcela territorial pode abrigar uma grande quantidade de pessoas, enquanto grandes extensões rurais permanecem sem cobertura.

E a velocidade?

É justamente nesse ponto que os dados do ranking Minha Conexão colocam outra interrogação sobre o desempenho paraense.

No segundo trimestre de 2026, o Pará registrou 176 Mbps de velocidade média e ficou em 19º lugar entre os estados brasileiros.

O Acre, líder nacional no período, alcançou 389,13 Mbps — mais de duas vezes a velocidade média registrada no Pará.

A ausência de municípios paraenses entre as 30 cidades brasileiras com internet mais rápida também chama atenção. O Norte, apesar dos conhecidos desafios de infraestrutura, colocou três cidades entre as dez primeiras: Mâncio Lima, no Acre, ficou em terceiro; Guajará, no Amazonas, em quarto; e Cruzeiro do Sul, no Acre, em quinto.

Entre as capitais, Belém aparece na 16ª posição.

Os números, porém, precisam ser interpretados com cautela: velocidade média de internet não é um indicador exclusivo de 5G. O ranking reúne medições de conexões de internet e, portanto, não permite concluir que o desempenho do 5G de uma cidade seja exatamente aquele registrado pelo levantamento.

Ainda assim, o dado ajuda a dimensionar o ambiente de conectividade em que o consumidor paraense utiliza a nova tecnologia.

Uma rede para além do celular

Apesar das limitações atuais, Allan Costa aponta que o impacto potencial do 5G no Pará vai muito além de permitir que um vídeo seja baixado mais rapidamente.

A tecnologia foi projetada para sustentar aplicações que dependem de baixa latência, grande capacidade de conexão e transmissão de dados em tempo real.

Nas universidades paraenses, já existem experimentos relacionados a cidades inteligentes. Sensores instalados em veículos podem, por exemplo, identificar buracos, lixo, temperatura e poluição e transmitir essas informações para uma central de monitoramento.

Também é possível utilizar redes conectadas para acompanhar consumo e funcionamento de sistemas de iluminação, monitorar rios e observar indicadores ambientais.

Nesse cenário, o 5G funciona menos como uma simples “internet mais rápida” e mais como uma infraestrutura para conectar sensores, máquinas, veículos e sistemas de inteligência.

O chamado network slicing, ou fatiamento da rede, também permite que diferentes tipos de tráfego tenham características específicas. Uma mesma infraestrutura pode ser organizada para atender, por exemplo, aplicações empresariais, serviços de emergência e usuários comuns.

5G no Pará: cobertura por município

Fonte: Anatel | Percentual de moradores cobertos

Mais de 90% da população coberta

  1. Ananindeua: 99,72%
  2. Belém: 99,33%
  3. Marituba: 98,70%
  4. Tucuruí: 94,04%
  5. Salinópolis: 91,40%
  6. Castanhal: 91,07%

De 80% a 89,99%

  1. Canaã dos Carajás: 87,18%
  2. Parauapebas: 86,89%
  3. Marabá: 86,44%
  4. Paragominas: 86,35%
  5. Barcarena: 85,02%
  6. Capanema: 81,54%

De 70% a 79,99%

  1. Bragança: 79,05%
  2. Tailândia: 76,18%
  3. Redenção: 75,58%
  4. Santarém: 75,08%
  5. Itaituba: 74,51%
  6. Mocajuba: 73,28%
  7. Altamira: 72,23%

De 60% a 69,99%

  1. Abaetetuba: 63,17%
  2. Xinguara: 62,12%

De 50% a 59,99%

  1. Oriximiná: 58,71%
  2. Santa Izabel do Pará: 58,15%
  3. Tucumã: 57,86%
  4. Rondon do Pará: 57,77%
  5. Vigia: 57,41%
  6. Almeirim: 56,59%
  7. Benevides: 54,79%
  8. São Caetano de Odivelas: 53,69%
  9. Nova Esperança do Piriá: 53,02%
  10. Ourém: 52,30%
  11. Breves: 52,22%
  12. Igarapé-Açu: 51,86%

De 40% a 49,99%

  1. Óbidos: 49,00%
  2. Breu Branco: 47,50%
  3. São Francisco do Pará: 47,16%
  4. Tomé-Açu: 46,82%
  5. São Félix do Xingu: 44,15%
  6. Alenquer: 43,87%
  7. Placas: 43,69%
  8. Terra Alta: 43,39%
  9. Ulianópolis: 42,43%
  10. Ponta de Pedras: 41,98%
  11. Rurópolis: 41,77%
  12. Igarapé-Miri: 41,56%
  13. Cametá: 41,46%
  14. Concórdia do Pará: 41,40%
  15. Ourilândia do Norte: 40,95%

De 30% a 39,99%

  1. Ipixuna do Pará: 39,60%
  2. Capitão Poço: 36,63%
  3. Dom Eliseu: 36,40%
  4. Monte Alegre: 36,16%
  5. Santo Antônio do Tauá: 35,71%
  6. Jacundá: 35,54%
  7. Medicilândia: 33,18%
  8. Itupiranga: 32,90%
  9. Augusto Corrêa: 32,33%
  10. Curuçá: 30,62%
  11. Baião: 30,10%
  12. Anapu: 30,09%

De 20% a 29,99%

  1. Novo Repartimento: 29,05%
  2. Moju: 27,43%
  3. Cachoeira do Piriá: 26,23%
  4. Conceição do Araguaia: 25,99%
  5. Santa Cruz do Arari: 25,28%
  6. Porto de Moz: 24,94%
  7. Eldorado do Carajás: 23,61%

De 10% a 19,99%

  1. Pacajá: 19,97%
  2. Acará: 19,17%
  3. Viseu: 17,70%
  4. Brasil Novo: 17,30%
  5. Aurora do Pará: 10,42%

De 1% a 9,99%

  1. Água Azul do Norte: 8,43%
  2. Salvaterra: 6,98%
  3. Peixe-Boi: 4,79%
  4. Curralinho: 3,14%
  5. Mojuí dos Campos: 1,83%
  6. Cachoeira do Arari: 1,82%
  7. Inhangapi: 1,49%
  8. Vitória do Xingu: 1,32%

Menos de 1%

  1. Bom Jesus do Tocantins: 0,63%
  2. Garrafão do Norte: 0,57%
  3. São Domingos do Capim: 0,48%
  4. Marapanim: 0,43%
  5. Maracanã: 0,35%
  6. São João de Pirabas: 0,18%
  7. Nova Ipixuna: 0,16%
  8. Bonito: 0,10%
  9. Afuá: 0,07%
  10. São João da Ponta: 0,07%
  11. Santa Maria das Barreiras: 0,04%
  12. São João do Araguaia: 0,03%
  13. Colares: 0,01%

0% de moradores cobertos

  1. Uruará
  2. Abel Figueiredo
  3. Anajás
  4. Aveiro
  5. Bagre
  6. Bannach
  7. Belterra
  8. Brejo Grande do Araguaia
  9. Bujaru
  10. Chaves
  11. Cumaru do Norte
  12. Curionópolis
  13. Curuá
  14. Faro
  15. Floresta do Araguaia
  16. Goianésia do Pará
  17. Gurupá
  18. Irituia
  19. Jacareacanga
  20. Juruti
  21. Limoeiro do Ajuru
  22. Mãe do Rio
  23. Magalhães Barata
  24. Melgaço
  25. Muaná
  26. Nova Timboteua
  27. Novo Progresso
  28. Oeiras do Pará
  29. Palestina do Pará
  30. Pau D'Arco
  31. Piçarra
  32. Portel
  33. Prainha
  34. Primavera
  35. Quatipuru
  36. Rio Maria
  37. Santa Bárbara do Pará
  38. Santa Luzia do Pará
  39. Santa Maria do Pará
  40. Santana do Araguaia
  41. Santarém Novo
  42. São Domingos do Araguaia
  43. São Geraldo do Araguaia
  44. São Miguel do Guamá
  45. São Sebastião da Boa Vista
  46. Sapucaia
  47. Senador José Porfírio
  48. Soure
  49. Terra Santa
  50. Tracuateua
  51. Trairão

Destaques dos dados

  • 144: total de municípios do Pará.
  • 72: municípios com mais de 10% da população coberta pelo 5G.
  • 6: municípios com mais de 90% da população coberta.
  • 11: municípios entre 80% e 89,99%.
  • 53: municípios com 0% de moradores cobertos, segundo o dado apresentado pela Anatel.
  • 99,72%: maior cobertura, em Ananindeua.
  • 0%: cobertura registrada em dezenas de municípios, principalmente no interior.
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