Reajuste médio de 6,94% na tarifa de energia repercute em Belém
Medida afeta o orçamento de pequenos e grandes consumidores
Em um cenário de calor intenso, o anúncio da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de reajuste médio de 6,94% para as unidades residenciais paraenses acendeu o alerta entre os moradores de Belém. Na noite desta quarta-feira (16), o comerciante Luiz Carlos Mendes, morador da avenida Romulo Maiorana, no bairro do Marco, disparou ao saber da notícia: "Recorrer a quem?".
Luiz mantém na frente de casa um carrinho de lanches. Ele paga em torno de R$ 900, variando conforme a bandeira tarifária vigente (verde, amarela ou vermelha). Com o novo reajuste, a previsão é que o boleto fique em R$ 970.
"A energia já é cara e o aumento vem justamente em um momento de grande calor. Meu irmão mora em um apartamento em São Paulo, tem três televisores e paga cerca de R$ 300. Ele acha um absurdo o que eu pago aqui. Fico sem entender essa diferença porque o Pará tem hidrelétricas. Vamos recorrer a quem?", questiona Mendes.
Moradora há mais de 50 anos no bairro da Pedreira, a dona de casa Dalva Costa divide a residência com o marido aposentado, uma filha e duas netas. Ela contou que a filha tem emprego formal, e o marido complementa a renda familiar com serviços avulsos de sapataria.
Em agosto, a família pagou de energia R$ 533,35, e em julho R$ 684,36. Valor considerado alto pela moradora, especialmente diante da ausência de aparelhos de ar-condicionado na casa. Dalva se assustou quando soube do reajuste de quase 7%. "Não, é doido é, já pago tudo isso, imagina aumentar mais".
"Está cruel", diz moradora do bairro da Pedreira
"A gente vai ter que economizar para poder baixar (o consumo), porque está cruel", disse ela, destacando a dificuldade de reduzir o uso de ventiladores diante do clima quente da capital paraense.
Na noite desta quarta-feira, uma das filhas de Dalva, Luciana Costa, visitava a mãe com o marido, Hugo Brasil, que é eletricista. O casal mora com a filha pequena em outra casa, também no bairro da Pedreira. Luciana contou que em sua casa, com dois ar-condicionados, a conta de energia dá em torno de R$ 400.
Sobre o preço menor do que o da casa da sogra, Hugo explicou que todos os aparelhos de sua residência (geladeira, televisão, ar-condicionado) são equipamentos com a tecnologia inverter. “Eles consomem menos energia, podendo gerar uma economia de 40% a 60% na conta de luz em comparação aos modelos convencionais".
"A gente gasta mais na hora de comprar, mas em compensação tem essa economia na conta de luz”, explicou o eletricista Hugo, que inclusive afirmou ter trabalhado na antiga Celpa, em Belém.
'Aumentos sempre impactam no preço final dos produtos', diz presidente da Aspas
Presidente da Aspas (Associação Paraense de Supermercados), Jorge Portugal afirmou que qualquer reajuste impacta no preço final dos produtos. Sobre o reajuste específico, ele afirmou que a energia é um insumo caro para a cadeia de supermercados.
“Nós temos câmeras frigoríficas, ar-condicionado, o consumo de energia é grande nas lojas de supermercado, então o custo dela vai influenciar com certeza os custos básicos, operacionais. Indubitavelmente, vai haver, sim, reflexo. Não, logicamente, nessa proporção de aumento, que é de 6%, mas qualquer aumento impacta no final porque é custo”, afirmou Portugal.
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