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Demanda por roupas juninas cresce até 30%, preço chega a R$ 400 e tendência de 2026 é ‘copa junina’

Com maio aquecido, costureiras de Belém ampliam jornadas, atendem escolas inteiras e veem mistura entre verde e amarelo da Copa e estampas tradicionais da chita dominar os pedidos

Jéssica Nascimento

A proximidade das festas juninas já movimenta intensamente os ateliês e serviços de costura em Belém. Em maio, costureiras relatam aumento expressivo na demanda por roupas para quadrilhas, apresentações escolares, customizações e ajustes, com crescimento que varia de 30% a até três vezes mais em relação a outros meses do ano. Os preços médios dos trajes personalizados giram em torno de R$ 400, mas podem partir de R$ 150, dependendo do modelo e acabamento. Em 2026, a principal tendência apontada pelas profissionais é a chamada “copa junina”, marcada pela mistura entre referências da Copa do Mundo e elementos tradicionais das festas juninas.

Para quem atua no setor, maio e junho estão entre os períodos mais rentáveis do calendário. Além do aumento no número de encomendas, o período aquece o comércio local de tecidos, aviamentos e acessórios, impulsionando uma cadeia econômica que envolve diferentes pequenos negócios na capital paraense.

image (Foto: Thiago Gomes)

Maio e junho impulsionam encomendas e ampliam jornadas

A costureira Flávia Lima, que trabalha com consertos e roupas personalizadas para quadrilhas, afirma que o período junino costuma ser um dos melhores do ano para o segmento, justamente pelo caráter cultural das festividades.

“O período junino costuma ser um dos melhores do ano pra gente. É um período temático, então sempre dá aquela alavancada no trabalho, na produção e assim vai indo”, afirma.

Segundo ela, neste ano houve um crescimento de cerca de 30% nos pedidos em comparação com outros meses. O aumento da procura inclui desde consertos simples até vestidos de festa, peças sob medida e customizações.

image Flávia Lima. (Foto: Thiago Gomes)

“Nós podemos colocar aí uma demanda de 30% a mais. Aqui, nós trabalhamos com conserto em geral, tanto das roupas como dos jeans aos vestidos de festa. Também fazemos confecções personalizadas e customização de modelos antigos, transformando e deixando com uma cara mais atual”, explica.

Com a agenda cheia, a profissional conta que precisou reorganizar a rotina de trabalho para atender aos pedidos, inclusive com atividades aos sábados.

image (Foto: Thiago Gomes)

“Geralmente a gente fica com uma demanda bem grande. A gente acaba estendendo nosso dia de trabalho. Temos uma agenda de produção para manter tudo organizado, mas acabamos também trabalhando no sábado”, relata.

Flávia já contabiliza cerca de 15 pedidos agendados para o início de junho e afirma que o movimento beneficia também outros segmentos do comércio.

“O movimento fica bem mais extenso. Os clientes geralmente trazem os materiais, mas nós fazemos investimento em linha, aviamento, agulhas. Isso dá uma alavancada de mais de 20% e acaba sendo distribuído no comércio de Belém”, diz.

Procura pode triplicar e escolas garantem clientes fixos

A proprietária de ateliê e costureira Cacau Carmona afirma que a demanda neste mês já ultrapassa sua capacidade de atendimento. Segundo ela, o volume de pedidos chega a ser até três vezes maior do que em períodos normais e poderia crescer ainda mais.

“Tem mais pedidos do que posso atender. A demanda é realmente maravilhosa”, afirma.

Para a costureira, a força cultural das festas juninas explica o aquecimento do setor, especialmente por envolver crianças e adolescentes em apresentações escolares.

image (Foto: Thiago Gomes)

“O Carnaval e o Halloween, por exemplo, são mais opcionais, as pessoas escolhem se querem ou não participar. A festa junina é cultural, todas as crianças e adolescentes participam. É um período de clientes confirmados”, destaca.

Ela afirma que atualmente atende duas escolas inteiras, com turmas fechadas para produção dos figurinos juninos.

“Pelo menos três vezes mais a demanda cresce. Isso porque tenho um limite de pedidos. Se quisesse aumentar, iria para umas cinco vezes mais”, revela.

image (Foto: Thiago Gomes)

Entre os serviços mais procurados estão roupas para apresentações escolares, quadrilhas e danças regionais.

“Os pedidos são para trajes de apresentação na escola, quadrilha, carimbó, tudo que se encaixa na nossa cultura”, explica.

Preços variam entre R$ 150 e R$ 400, com modelos personalizados

Os valores cobrados pelos serviços variam conforme o nível de personalização, tecidos e detalhes do figurino. Flávia explica que, no caso das roupas sob medida, os preços médios ficam em torno de R$ 400.

“Como o nosso trabalho é personalizado, sob medida, e temos um espaço para tirar as medidas dos clientes, cada modelo fica em média R$ 400”, afirma.

image (Foto: Thiago Gomes)

Já Cacau diz que os preços podem começar em R$ 150, mas não têm teto, dependendo do grau de sofisticação desejado pelas famílias.

“Tem trajes a partir de R$ 150, mas não existe limite de valor final. Tem vestidos riquíssimos e mães extremamente caprichosas com suas princesas”, comenta.

“Copa junina” mistura verde e amarelo com tradição 

Entre as novidades deste ano, as costureiras apontam uma mudança no perfil dos pedidos, influenciada pela Copa do Mundo 2026. Tons de amarelo, verde e referências ao universo do futebol começaram a aparecer nos figurinos juninos, sem deixar de lado elementos tradicionais.

image (Foto: Thiago Gomes)

“Neste ano, a tendência é ‘copa junina’. A gente já tem algumas coisas espalhadas aqui no tom de amarelo, nos tons mais quentes. Estamos saindo daquele tradicional, muito colorido e entrando com a quadra junina junto com a Copa do Mundo”, afirma Flávia.

Cacau também percebe a presença das cores da seleção nos pedidos, embora ressalte a permanência da estética típica das festas.

“Tem muitas escolas com cores verde e amarelo, por conta da Copa. Porém, nossa cultura é muito forte e o florido da chita ainda é o foco principal”, conclui.

 

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