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Crédito consciente pode ajudar a reduzir inadimplência, apontam especialistas

Planejamento financeiro e análise do orçamento são fundamentais antes de contratar empréstimos ou financiamentos

Gabi Gutierrez
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Em um cenário de orçamento cada vez mais pressionado pelo aumento do custo de vida, o crédito pode representar tanto uma solução quanto um problema para os consumidores. A diferença, segundo especialistas, está na forma como ele é utilizado. O chamado crédito consciente tem ganhado destaque como estratégia para evitar o endividamento excessivo e ajudar no combate à inadimplência, que em janeiro chegou a 5,5%, o maior patamar desde 2017, de acordo com dados do Banco Central do Brasil.

O conceito de crédito consciente envolve o uso planejado e responsável do dinheiro emprestado, sempre alinhado à realidade financeira do consumidor. A recomendação é que o crédito seja utilizado como ferramenta para atingir objetivos específicos — como investir em educação, melhorar a moradia ou reorganizar dívidas — e não apenas para cobrir despesas do dia a dia.

Segundo Flávio Silva, gerente de negócios do Sicredi, o principal fator para evitar o endividamento está no planejamento.

“Quando o consumidor entende quanto pode pagar, avalia o impacto da parcela no orçamento e contrata o crédito com clareza sobre prazos e custos, o risco de endividamento excessivo diminui muito. O problema não é o crédito em si, mas o uso sem planejamento ou para cobrir despesas recorrentes do dia a dia, o que costuma gerar um ciclo difícil de sair”, explica.

Especialistas recomendam que o valor total das dívidas não comprometa uma parcela elevada da renda mensal, garantindo margem para imprevistos. Antes de contratar qualquer tipo de empréstimo, é fundamental avaliar se a necessidade é realmente urgente ou se pode ser adiada.

Outro ponto importante é analisar se a parcela cabe no orçamento sem comprometer despesas essenciais, como alimentação, moradia e saúde. Também é necessário comparar taxas de juros, prazos e o custo total da operação, e não apenas o valor da parcela mensal. Em muitos casos, parcelas menores significam prazos mais longos e, consequentemente, um custo final mais elevado.

Segundo ele, entre os erros mais comuns cometidos por quem busca crédito, estão a contratação por impulso, a falta de leitura detalhada do contrato e o acúmulo de diferentes financiamentos ao mesmo tempo. Esses fatores podem levar à sobreposição de dívidas e dificultar o controle financeiro.

Para evitar a inadimplência, especialistas apontam que o planejamento financeiro é uma ferramenta indispensável. Organizar receitas e despesas, acompanhar os gastos mensais e manter uma reserva de emergência ajudam a reduzir o risco de atrasos no pagamento das parcelas.

“A educação financeira ajuda as pessoas a compreenderem melhor como funciona o dinheiro, os juros, os prazos e os impactos de longo prazo de uma decisão tomada hoje. Ela desenvolve autonomia e senso crítico, permitindo que o consumidor compare opções e não aceite propostas sem entender completamente”, afirma Flávio Silva.

De acordo com ele, quando o consumidor passa a enxergar o crédito não apenas como acesso imediato ao consumo, mas como um compromisso futuro, as decisões se tornam mais equilibradas e alinhadas à segurança financeira.

No caso do Sicredi, a orientação aos associados também faz parte do processo de contratação de crédito. A instituição oferece iniciativas voltadas à educação financeira, como o programa Cooperação na Ponta do Lápis, que disponibiliza cursos e materiais gratuitos sobre planejamento financeiro e uso consciente do crédito.

“Entender como funciona a nossa relação com o dinheiro é o primeiro passo para construir hábitos financeiros saudáveis. A partir disso, as pessoas conseguem tomar decisões mais sustentáveis e seguras”, explica Eber Ostemberg, consultor de Sustentabilidade e Cooperativismo da instituição.

 

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