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Conta de energia dos paraenses vai ficar mais cara no segundo semestre deste ano

A mudança ocorre devido ao acionamento da bandeira amarela e ao Reajuste Tarifário Anual

Kamila Murakami
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Os paraenses vão pagar mais caro na conta de energia a partir do segundo semestre deste ano. A mudança acontece devido ao acionamento da bandeira tarifária amarela informado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) esta semana, que vai gerar um acréscimo de R$1,88 a cada 100 kWh consumidos no mês de julho. Com o reajuste, o Pará deve se manter como o estado com a conta de luz mais cara do país.

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Conforme a Aneel, o valor aprovado para a tarifa foi definido em março de 2024 quando - segundo a instituição - houve uma redução no valor da bandeira amarela, que saiu de R$2,989/KWh para R$1,885/KWh. A conta de energia em todo Brasil estava com bandeira verde desde abril de 2022.

As bandeiras tarifárias fazem parte do sistema que sinaliza para a população os custos com a produção de energia. Em suma, elas não geram um novo custo, mas indicam aos usuários quanto será o valor cobrado pelo consumo em kWh. De acordo com a Aneel, dessa forma o público pode adaptar o consumo e tentar utilizar estratégias para economizar.

O estudante Rômulo Vale, 27 anos, conta que costuma pagar em média R$270 na tarifa elétrica. Segundo ele, o valor pago acaba afetando outros compromissos mensais. “Tem impacto em outras despesas, como o plano de saúde e o supermercado, pois querendo ou não será necessário reduzir dessas despesas para poder se adequar aos novos valores da despesa mensal dentro de casa”, afirma.

O jovem é adepto de estratégias para tentar reduzir o consumo, como manter os aparelhos desconectados da tomada quando não está utilizando. Ainda assim, segundo Rômulo, o sentimento é de indignação com a tarifa paga mensalmente. “Nós, do estado do Pará, pagamos uma taxa de energia muito alta, uma das maiores do Brasil, sendo que somos um dos maiores produtores de energia do país. Com isso, a frustração é grande”, lamenta.

Quem também não está nada satisfeito com os aumentos é o músico paraense Jonny Lobato, 31 anos. Ele e a família optaram por investir na instalação do serviço de energia solar em casa, com o intuito de - a longo prazo - diminuir as despesas com a tarifa de eletricidade. Porém, segundo o músico, a taxa paga à concessionária de energia, que deveria estar na média de R$80 a R$100, este mês chegou a R$535,72.

image Jonny Lobato, 31 anos, licenciado em música. (Carmem Helena / O Liberal)

“Em minha casa a família toda é preocupada com o desperdício de energia gerado por luzes, ventiladores, carregadores, até mesmo ar condicionado. Mas, é questionadora a situação de contratar o serviço de energia solar visando até uma "folga" a fim de um "conforto" e no final das contas pagar quase o dobro do valor, sem folga e conforto”, narra Jonny.

Agora, com o anúncio da mudança de bandeira, que vai tornar a tarifa mais cara, o músico se diz preocupado e “sufocado”. “É uma surpresa totalmente desagradável. A cada mês que passa, a pressão aumenta e somos obrigados a nos adequar, abrir mão de coisas essenciais”, enfatiza.

Conforme divulgado pela agência reguladora de energia, a mudança de bandeira neste mês de julho aconteceu devido à previsão de chuvas abaixo da média para o período, além da expectativa do aumento na carga e do consumo de energia nesta época do ano.

Com a escassez de chuva, as usinas hidrelétricas passam a funcionar no limite de produção, o que torna necessário o uso das usinas termelétricas, que produzem energia a partir da queima do carvão mineral. A opção, no entanto, custa mais caro aos cofres públicos e o valor é repassado para as contas de energia dos consumidores.

Reajuste Tarifário Anual

Além do aumento previsto com troca de bandeiras, a partir do dia 07 de agosto os paraenses terão mais um acréscimo na conta de energia: o Reajuste Tarifário Anual. O ajuste é feito todos os anos, no aniversário de concessão da empresa de energia que opera no estado. Por meio de nota, a Aneel disse que o reajuste está em análise pela área técnica, mas até o momento não foi estabelecido de quanto será o aumento.

“O processo deverá ser deliberado e aprovado em reunião pública da diretoria colegiada da Agência, ainda sem data definida para o assunto entrar em pauta. As novas tarifas ‘deverão’ entrar em vigor em 7 de agosto”, informou o órgão.

Também em nota, a Equatorial Energia disse que “conforme contrato de concessão para prestação do serviço público de energia elétrica, a definição do reajuste tarifário pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ocorre anualmente no aniversário do contrato, que no caso do Pará se dá em agosto. Neste contexto, a Equatorial Pará informa que a Aneel ainda não definiu o índice de reajuste tarifário para clientes do Pará.”

O paraense Carlindo Lins é consultor de energia e destaca que, diferente do ano passado - no qual foi realizada a revisão tarifária - este ano a Aneel fará apenas o reajuste. “O mais importante é que os indicadores do ciclo tarifário que foram definidos no ano passado serão mantidos durante o intervalo até a próxima revisão, que vai de 2023 até 2027”, cita.

O especialista explica que, embora o Pará seja um grande gerador e exportador de energia, a partir das usinas hidrelétricas de Tucuruí e Belo Monte, a produção não entra na composição tarifária e o estado não é compensado pelo que produz. Além disso, de toda eletricidade que é produzida no estado, apenas 28% é aproveitado pelos consumidores paraenses. Os outros 72% são enviados ao restante do país.

Os custos operacionais e os investimentos necessários para o funcionamento da rede elétrica acabam sendo cobrados na conta de energia dos consumidores paraenses, de forma que a tarifa seja necessária para custear toda a cadeia energética.

De acordo com Carlindo, no caso do Pará, as linhas de distribuição são extensas para poder alcançar a população que vive nas regiões mais longínquas, e o valor do investimento e os gastos com custos operacionais são rateados por uma média de três milhões de consumidores. “O paraense acaba sendo penalizado por morar em um estado de dimensões tão grandes e com uma densidade demográfica tão baixa", enfatiza.

Um outro ponto abordado por Carlindo é que a mudança nos hábitos de consumo por parte da população, como a adesão à energia solar, também acaba impactando nas contas dos consumidores em geral. "O que está acontecendo agora é que o consumidor cativo está pagando mais caro também por conta da migração dos consumidores que migraram para a energia subsidiada, seja no mercado livre ou energia solar. Isso está virando uma bola de neve, porque a conta que fica vai crescendo ano a ano”, conclui o consultor de energia.

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