Construção civil do Pará lidera no Norte com quase 100 mil empregos formais durante veraneio
Estudo do Observatório do Trabalho aponta saldo positivo de empregos, fortalecimento da atividade e perspectiva de expansão das obras no segundo semestre de 2026
A chegada do veraneio amazônico deve impulsionar a construção civil no Pará no segundo semestre de 2026. A redução do período chuvoso, aliada à continuidade dos investimentos públicos e privados, à expansão do mercado imobiliário e à execução de grandes obras de infraestrutura, cria um cenário favorável para a ampliação das atividades do setor, que já mantém 98.348 trabalhadores com carteira assinada, o equivalente a mais da metade dos empregos formais da construção em toda a Região Norte.
Os dados fazem parte de estudo elaborado pelo Observatório do Trabalho, Emprego e Renda do Estado do Pará, iniciativa desenvolvida em parceria entre o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e o Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster). O levantamento analisa o desempenho recente da construção civil paraense e apresenta perspectivas para o restante de 2026.
Construção acompanha recuperação nacional
Segundo as análises do Dieese/PA, o desempenho da construção civil paraense acompanha a retomada da atividade em todo o país. Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) mostram que o setor cresceu 2,9% no primeiro trimestre de 2026, revertendo a retração registrada no fim de 2025.
"O crescimento foi sustentado principalmente pelos investimentos em infraestrutura, pelo aumento dos lançamentos imobiliários e pela expansão das vendas de imóveis, fatores que garantem elevado volume de obras em execução ao longo de 2026", destacam os técnicos do Dieese/PA.
Em 2025, os lançamentos imobiliários cresceram 13,9%, enquanto as vendas avançaram 7,2%, fortalecendo o ambiente para novos investimentos.
Pará cria empregos e mantém quase 100 mil vínculos formais
Entre janeiro e maio de 2026, a construção civil paraense registrou saldo positivo de 724 empregos formais, resultado de 33.122 admissões e 32.398 desligamentos, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), analisados pelo Dieese/PA.
Com isso, o setor alcançou 98.348 vínculos formais, crescimento de 0,74% no período.
Principais indicadores da construção civil no Pará
- Admissões: 33.122
- Desligamentos: 32.398
- Movimentação total: 65.520
- Saldo de empregos: +724
- Estoque de empregos formais: 98.348
- Crescimento do estoque: 0,74%
- Tempo médio de permanência dos desligados: 13,7 meses
Rotatividade faz parte da dinâmica das obras
As análises do Dieese mostram que a movimentação intensa de admissões e desligamentos é característica da construção civil, uma vez que as contratações variam conforme as etapas de cada empreendimento.
"À medida que uma fase da obra é concluída, determinadas funções deixam de ser necessárias enquanto outras passam a ser demandadas. No entanto, o elevado número de desligamentos também pode refletir rotatividade, contratos de curta duração, terceirização e menor estabilidade para parte dos trabalhadores", avalia o Dieese/PA.
O estudo aponta que o tempo médio de permanência dos trabalhadores desligados foi de 13,7 meses, indicando vínculos de pouco mais de um ano.
Construção responde por quase 10% do emprego formal do estado
Considerando todos os setores da economia paraense, entre janeiro e maio de 2026 foram criados 12.813 empregos formais, resultado de 216.878 admissões e 204.065 desligamentos.
O setor de Serviços liderou a geração de vagas, seguido pela Indústria, Comércio e Construção Civil.
Saldo de empregos formais por setor
- Serviços: +9.239
- Indústria: +2.053
- Comércio: +1.964
- Construção Civil: +724
- Agropecuária: -1.167
Segundo o Dieese/PA:
"A construção civil respondeu por 15,3% das admissões e 15,9% dos desligamentos registrados na economia paraense e concentrou aproximadamente 9,7% de todos os vínculos formais existentes no estado."
Municípios ligados à mineração lideram geração de empregos
As análises mostram forte concentração da geração de empregos em municípios associados à mineração, infraestrutura e grandes projetos de investimento.
Parauapebas liderou o ranking estadual com ampla vantagem sobre os demais municípios.
Municípios com maiores saldos de emprego na construção civil (1º semestre de 2026)
- Parauapebas — 1.527
- Marabá — 512
- Canaã dos Carajás — 464
- Santarém — 235
- Altamira — 231
- Curionópolis — 170
- Benevides — 126
- Redenção — 122
- Santana do Araguaia — 113
- Tucumã — 108
"Parauapebas, Marabá e Canaã dos Carajás concentraram a maior parte do saldo positivo de empregos, refletindo a continuidade dos investimentos em mineração, infraestrutura e expansão urbana", destacam as análises do Dieese/PA.
Pará concentra mais da metade dos empregos da construção na Região Norte
Entre janeiro e maio de 2026, a construção civil da Região Norte registrou:
- Admissões: 60.099
- Desligamentos: 55.163
- Saldo: +4.936 empregos
- Estoque formal: 178.247 vínculos
- Crescimento do estoque: 2,85%
O Pará manteve a liderança regional.
Participação do Pará na Região Norte
- 55,1% das admissões
- 58,7% dos desligamentos
- 55,2% do estoque formal da construção
"Mais da metade dos trabalhadores formais da construção civil da Região Norte está empregada no Pará, consolidando a liderança do Estado no setor", ressaltam os técnicos do Dieese/PA.
Veraneio deve acelerar obras no segundo semestre
Para o Dieese/PA, o período de estiagem cria condições favoráveis para intensificar os canteiros de obras em todo o Estado.
"A redução das chuvas, associada aos investimentos públicos e privados, à expansão imobiliária e à execução de grandes empreendimentos de infraestrutura, tende a ampliar a demanda por trabalhadores e fortalecer o dinamismo econômico da construção civil ao longo do segundo semestre", afirmam as análises.
Desafio é transformar crescimento em empregos mais estáveis
Apesar das perspectivas positivas, o Dieese alerta que a expansão da atividade precisa ser acompanhada por políticas voltadas à valorização do trabalho.
"O crescimento da construção civil deve vir acompanhado de qualificação profissional, fortalecimento da negociação coletiva, valorização da mão de obra e melhoria das condições de saúde e segurança nos canteiros de obras", destaca o estudo.
O órgão também chama atenção para os impactos das altas temperaturas durante o veraneio amazônico.
"É fundamental garantir água potável, pausas adequadas, áreas de descanso, equipamentos de proteção e organização das jornadas compatíveis com as condições climáticas, reduzindo a exposição dos trabalhadores ao estresse térmico", conclui o Dieese/PA.
A expectativa é de que a construção civil mantenha trajetória de crescimento durante o segundo semestre de 2026, especialmente nos municípios que concentram investimentos em infraestrutura, mineração, logística, saneamento, habitação e expansão urbana. Para o Dieese, o desafio será transformar esse dinamismo em empregos formais mais estáveis, melhores salários, maior proteção social e condições adequadas de trabalho para os trabalhadores paraenses.
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