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PESQUISA DO IBGE

Comércio varejista cresce 0,2% no Brasil, mas cai até 5,3% no Pará

Enquanto o país registra leve alta nas vendas e bate recorde histórico, comerciantes de Belém relatam queda no faturamento e início de ano “arrastado”

Jéssica Nascimento

24 de abril de 2026 às 07:00

Centro comercial de Belém.

Centro comercial de Belém. ( Foto: Foto: Thiago Gomes )

O comércio varejista brasileiro apresentou crescimento de 0,2% em fevereiro de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), alcançando um novo recorde histórico. No Pará, porém, a realidade é diferente: o setor acumula queda de 5,3% no volume de vendas no mesmo comparativo, evidenciando um descompasso entre o cenário nacional e o regional, especialmente no centro comercial de Belém.

(Foto: Thiago Gomes)
(Foto: Thiago Gomes)

Crescimento nacional contrasta com retração local

Em âmbito nacional, o varejo mostra sinais de recuperação gradual. O avanço de 0,6% em relação a janeiro reforça a tendência positiva apontada pela Pesquisa Mensal do Comércio (PMC). 

O aumento, ainda que tímido, é suficiente para levar o setor ao maior patamar desde o início da série histórica, em 2000.

No Pará, entretanto, os números seguem em direção oposta. Em fevereiro de 2026, tanto o índice de receita nominal quanto o volume de vendas caíram 1,3% na comparação mensal. 

Já no comparativo com fevereiro de 2025, as quedas são ainda mais expressivas: -4,1% na receita e -5,3% no volume de vendas.

(Foto: Thiago Gomes)
(Foto: Thiago Gomes)

Percepções divergentes entre lojistas

Apesar dos dados negativos no estado, há empresários que demonstram otimismo. O diretor do Sindilojas de Belém, Muzaffar Said, afirma que parte do comércio acompanha a tendência nacional.

“O crescimento da minha loja acompanhou essa tendência. A tendência é positiva. Essa pesquisa do IBGE procede e a gente tá esperando mais crescimento ainda”, declarou.

Ele reconhece, porém, fatores externos que impactam o consumo.

“Tudo bem que veio a guerra do Oriente Médio, que impactou no preço do combustível. Isso reflete no preço das coisas, aumenta a inflação e tira o poder aquisitivo do povo”, admitiu.

Muzaffar Said, diretor do Sindilojas (Sindicato do Comércio Varejista e Lojista de Belém) e representante das lojas de rua, lojas de shopping
Muzaffar Said, diretor do Sindilojas (Sindicato do Comércio Varejista e Lojista de Belém) e representante das lojas de rua, lojas de shopping (Foto: Thiago Gomes)

Ainda assim, datas sazonais têm ajudado a impulsionar as vendas.

“Datas como Carnaval e Páscoa trouxeram aumento nas vendas neste ano em comparação com o ano passado. Essas datas sempre trazem bons resultados”, analisou. 

Realidade no comércio de rua é mais cautelosa

Já entre gerentes e lojistas do centro comercial de Belém, o cenário relatado é menos otimista. João Aguiar, gerente comercial, diz que os números nacionais não refletem a realidade local.

(Foto: Thiago Gomes)
(Foto: Thiago Gomes)

“Esse resultado da pesquisa do IBGE não é o que eu vejo na loja. Em termos de venda e faturamento, não houve crescimento em comparação com o ano anterior”, disse. 

Segundo ele, o início de 2026 foi marcado por retração.

“A gente percebeu que o começo desse trimestre teve uma queda no nível de venda. Foi o inverso do crescimento apontado nacionalmente”, observou.

João Aguiar, gerente comercial de uma loja do centro comercial de Belém.
João Aguiar, gerente comercial de uma loja do centro comercial de Belém. (Foto: Thiago Gomes)

Aguiar também destaca o comportamento mais cauteloso do consumidor. “O consumidor tá se segurando mais pra comprar. O pessoal do atacado está comprando só pra repor, não está formando estoque”, destacou. 

Datas comemorativas e expectativa de recuperação

Mesmo diante das dificuldades, há expectativa de melhora nos próximos meses, impulsionada por datas importantes para o varejo. O Dia das Mães, por exemplo, é visto como uma oportunidade de recuperação.

“Apesar desse começo desfavorável, acredito que para o Dia das Mães as vendas tendem a aumentar”, afirmou João Aguiar.

Muzaffar Said reforça a importância da data. “Depois do Natal e do Círio de Nazaré, o Dia das Mães é uma das melhores datas para o comércio”, declarou.

(Foto: Thiago Gomes)
(Foto: Thiago Gomes)

Comércio varejista – Pará (Fonte: IBGE)

Período: Fevereiro de 2026

Variação mensal

(fevereiro de 2026 em relação ao mês anterior)

  • Receita nominal de vendas: -1,3%
  • Volume de vendas: -1,3%

Variação em relação ao mesmo mês do ano anterior

(fevereiro de 2026 vs. fevereiro de 2025)

  • Receita nominal de vendas: -4,1%
  • Volume de vendas: -5,3%

Variação no ano (acumulado)

(janeiro e fevereiro de 2026 vs. mesmo período de 2025)

  • Receita nominal de vendas: -0,6%
  • Volume de vendas: -2,1%

Variação acumulada em 12 meses

(em relação aos 12 meses anteriores)

  • Receita nominal de vendas: 4,9%
  • Volume de vendas: 0,2%