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Com alta na procura por peixe às véspera da Semana Santa, preço sobe ainda mais no Ver-o-Peso

Apesar da alta demanda, vendedores acreditam que abastecimento de pescado para o feriado prolongado em Belém está garantido

Natália Mello

A dias do início da Semana Santa, comerciantes do Mercado de Peixe do Ver-o-Peso falam sobre a baixa quantidade de peixe na Pedra do Sal – principal ponto de descarregamento do peixe que é vendido na feira – e, consequentemente, do alto valor generalizado do produto. Apesar dos carregamentos estarem chegando com menor quantidade, o vendedor Thyago Cardoso, que trabalha em um box dentro do complexo, diz que a procura se mantém e que a expectativa é sempre boa para o período.

“Todos os peixes estão ‘dando’, mas devido à procura, acaba rápido quando a gente vai comprar, e aí o peixe vai ficando mais caro. A Dourada, na semana passada, vendíamos a R$ 20, agora está R$ 25, a maior estava R$ 22, R$ 23, agora está R$ 30, mas tudo aumentou, filhote, pescada amarela. É a lei da demanda e oferta né, mas o público compra. Ano passado a gente vendeu, aqui no box, dois quase mil quilos de peixe, juntando entrega para restaurante e entrega aqui no box. A expectativa desse ano é ser melhor ainda”, declarou o jovem de 20 anos, que trabalha no box com o pai desde os 12.

No último dia 24 de março, entrou em vigor o decreto estadual que restringe a exportação para garantir o abastecimento interno durante o feriado prolongado. Pelo documento, assinado pelo governador Helder Barbalho, no período de 1º a 15 de abril deste ano, a administração fica autorizada a suspender a emissão de documentos necessários para a movimentação de toda e qualquer espécie de pescado in natura, fresco, resfriado, congelado e curado (salgado) para fora do Estado.

Apesar da procura ser considerada mais alta por alguns comerciantes no local, o movimento no box do comerciante Silas Silva Barros não foi bom nesta quinta-feira (7), o que ele atribui aos preços dos produtos. Há 30 anos trabalhando no Mercado de Peixe do complexo turístico, para ele tem sido um pouco difícil o período. “O movimento de hoje estava fraco. Os barcos estão chegando com pouco peixe, aí o preço está alto, aí é difícil. O quilo do filhote a R$ 32, da pescada amarela R$ 30. Mas semana que vem deve melhorar o abastecimento e o movimento”, diz. “Mas peixe não vai faltar, nunca falta”, garante.

Seu Alberto Leal, de 73 anos, costuma ir quase que diariamente ao Ver-o-Peso. “O dia que eu não venho no Ver-o-Peso eu durmo com febre”, brinca. Como frequentador assíduo do mercado, ele também vem observando esses aumentos constantes, mesmo para ele, que prefere comprar a cabeça do peixe para consumo.

“É normal aumentar o preço devido ao período, por isso a gente até compra antes. Para a minha mulher eu compro pescada amarela, filhote, mas eu gosto das cabeças”, ressalta. “Já aumentou para a Semana Santa e é o momento que a gente está vivendo, né? De inflação também. Você comprava pescada amarela de R$ 15, agora compra de R$ 25. Somado a inflação, tem o período mesmo”, relata o aposentado, que, mesmo com o custo alto, não deixa de consumir pescado em casa. “Como mais peixe que carne”.

Diferente de seu Alberto, Tânia Gonçalves foi pela primeira vez ao mercado de peixe nesta quinta-feira. Após chegar na Pedra do Peixe e não conseguir comprar pescado, devido ao horário avançado, ela conheceu o espaço do Ver-o-Peso e saiu com uma sacola de alguns quilos de filé de dourada.

“É minha primeira vez no mercado. Não consegui na Pedra porque tem que vir cedinho, 6h. Eu compro mesmo lá onde eu moro, na Pratinha, costumo comprar pescada branca, porque lá é difícil ter dourada. Lá na Pratinha vendem peixe, mas como está caro, estão deixando de vender, aí vim comprar aqui. E realmente está caro, achei um peixe menor, de R$ 34 o quilo. Para a Semana Santa e não sabemos se vai baixar ou aumentar. E eu pesquiso muito, porque está tudo caro, a carne está cara, mas a gente tem que comer, né, tem que comprar, senão a gente come só os enlatados de taberna, que inclusive aumentou também”, reclama.

Decreto

Com a publicação do decreto, a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) fica autorizada a suspender a emissão de Guia de Transporte Animal (GTA) para pescados vivos, e a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) a suspender a emissão de Nota Fiscal para a comercialização e circulação do pescado. Para cumprimento da medida, que costuma ser adotada todos os anos, deve haver controle e fiscalização nos postos de fronteira e nos entrepostos de embarque fluvial de pescado para exportação.

O coordenador de aquicultura da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), Alan Pragana, informou que a Adepará e a Polícia Militar vêm fazendo a fiscalização nos pontos interestaduais. As Feiras do Pescado apoiadas pelo governo do estado, em parceria com diversas prefeituras, ocorrerão conforme programação local - no caso de Belém, as feiras estão marcadas para os dias 13 e 14 de abril,  no Parque Shopping, Aldeia Amazônica, Centur e no ginásio Almir Gabriel, em ananindeua. A tabela de preços será divulgada no decorrer dos proximos dias. A Secretaria Municipal de Economia informa que, até o momento, não houve nenhuma apreensão de mercado na capital.

O decreto não alcança pescado congelado e com selo de aprovação do Serviço de Inspeção Federal (SIF), expedido em favor de indústrias registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Dessa forma, a exportação desse tipo de produto continua autorizada.

Economia
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