Brasil já arrecadou mais de R$ 2 trilhões em impostos em 2022

Tributação sobre o consumo e o reaquecimento da economia explicam a maior arrecadação

Fabrício Queiroz
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O ritmo da arrecadação de impostos está mais rápido no Brasil. No último dia 14 de setembro, o montante de tributos pagos pelos contribuintes bateu R$ 2 trilhões. No ano passado, o mesmo montante foi alcançado somente em 13 de outubro. Ou seja, o país levou um mês a menos para alcançar a mesma marca expressiva.

No Estado do Pará, a arrecadação de impostos municipais, estaduais e federais no superou R$ 31,9 bilhões no período de 1º de janeiro até a manhã de ontem (26), segundo apontam as estimativas do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), organização responsável pela ferramenta “Impostômetro”. O valor é cerca 10% maior do que o que arrecadado em igual período do ano passado, quando o volume de tributos recolhidos foi de R$ 28,6 bilhões.

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Na análise da advogada especializada em direito empresarial Ellen Martins, a entrada em vigor da lei de liberdade econômica, que diminuiu a interferência de tramites burocráticos na operação das empresas, contribuiu para que o setor produtivo gerasse mais receita e, consequentemente, mais tributos. Contudo, ela ressalta que há outros fatores que impactam no ritmo de arrecadação.

“Esse aumento pode ser pelo impacto das mais diversas situações como o retorno ávido das atividades pós pandemia. Outro fator em que o lucro nominal das empresas pode ter aumentado está ligado à alta dos preços dos produtos, provocando aumento de arrecadação. Esses são dois fatores estão sendo vivenciados fortemente pelo brasileiro no último ano”, avalia.

Se por um lado, a alta arrecadação pode significar mais recursos à disposição do Estado para investimentos e obras; por outro, como efeito disso, se oneram as atividades econômicas. Ellen Martins explica que uma forma de conter a alta de preços é aumentar a taxa de juros. Quando isso não ocorre o processo de compra fica facilitado, gerando mais receita ao poder público. “Isso viabiliza a circulação de bens e consumo e, como possuímos a maior fatia da carga tributária em virtude de incidência de contribuições como PIS e COFINS e ICMS (para mercadorias) e ISS (para serviços), os gastos consequentemente são elevados. Diante desse contexto, ao incidir o tributo sobre o fornecimento de produtos e serviços, se onera praticamente todos os elos da cadeia econômica, daí a importância de estudo nas decisões de investimento e planejamento tributário”, pontua.

Nas ruas de Belém, a população reconhece a importância da tributação para manutenção de serviços públicos essenciais, no entanto, também destaca a necessidade de medidas mais estratégicas para investimentos. “Em termos de aplicação são três itens principais, que é segurança, saúde e educação que são precárias. Isso é o básico do básico”, avalia o taxista Gerson Bernardo da Luz, 60 anos.

Da mesma forma, a vendedora ambulante Ester Penha, 44 anos, diz que observa o peso da carga tributária em produtos e serviços do dia a dia, como a escalada dos preços da alimentação e das contas de energia. “Nós trabalhamos apenas para sobreviver”, critica ela, que elenca áreas onde crê que há maior necessidade de recursos. “Deveria ser mais aplicado na saúde porque a gente não consegue quase nada nos postos de saúde. Tem também a questão do desemprego, tem muita gente passando fome”, lamenta a trabalhadora.

Para a advogada Ellen Martins, é necessário que o Brasil reestruture sua malha tributária, com reformas que ampliem a tributação sobre a renda e não o consumo. “Outra alternativa, também, seria promover a reforma administrativa, criando estratégias para tornar mais célere e menos oneroso, o que já traria um retorno na gestão e eficiência de deslocamento dos gastos públicos”, defende.

Economia
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