Bolsa de valores 2026: saiba se vale a pena investir com a queda da Selic

Especialista avalia riscos fiscais e cenário de máximas históricas para o investidor pessoa física

Gabriel da Mota
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O investidor paraense inicia janeiro de 2026 diante de um cenário de contrastes na bolsa de valores. De um lado, o brilho das máximas históricas atrai quem busca rentabilidade; de outro, a névoa das incertezas fiscais e o burburinho das coalizões eleitorais exigem cautela. Com a expectativa de queda na taxa Selic, o fluxo de capitais tende a migrar da renda fixa para a variável, mas o caminho não é livre de obstáculos para a pessoa física.

"Para o pequeno investidor que está iniciando na bolsa de valores neste ano de 2026, o cenário é desafiador e convidativo, pois o mercado está próximo das máximas com expectativa de queda nos juros. Em um ambiente de redução da Selic, o fluxo de investimentos naturalmente se volta para a renda variável, tanto para CPFs quanto para grandes instituições", explicou Leonardo Macedo, educador financeiro.

A performance de 2025 deixou lições valiosas. Enquanto o CDI acumulado foi de 14,32% (com rendimento líquido de 11,81% em CDBs), algumas "blue chips" surpreenderam. A Vale, por exemplo, saltou 42% no ano, enquanto a Petrobras, apesar dos dividendos de 11%, amargou uma queda real de 10%.

Riscos fiscais e eleitorais estão no radar de 2026 

O cenário político de 2026, embora as eleições ocorram apenas em outubro, já começa a projetar sombras sobre o pregão. As primeiras coalizões e propostas econômicas podem elevar o prêmio de risco, especialmente com a dívida pública em rota de ascensão, estimada entre 83% e 86% do PIB até o fim do ano. Outro ponto de atenção é a nova taxação de 10% sobre dividendos acima de R$ 50 mil mensais, que entra em vigor agora.

"O fiscal ainda preocupa bastante, com o mercado monitorando se haverá alteração no Arcabouço para acomodar gastos em ano eleitoral. No primeiro semestre, a B3 pode sofrer com a 'ressaca' das antecipações de JCP feitas no final de 2025, o que reduz a liquidez imediata para novos aportes", alertou Leonardo Macedo.

image Leonardo Macedo, educador financeiro (Arquivo pessoal)

Para compreender o otimismo atual, é preciso recordar que o ano de 2025 foi um divisor de águas. A B3 rompeu a barreira dos recordes históricos impulsionada por um alinhamento raro entre a valorização das commodities no exterior e uma janela de otimismo com a economia doméstica no primeiro semestre. Um período em que o investidor aprendeu, na prática, que o índice alto nem sempre significa dinheiro no bolso de todos, já que o desempenho ficou concentrado em setores específicos da velha economia.

Essa escalada de 2025 também foi marcada por volatilidade. Em diversos momentos, o mercado flertou com a instabilidade global e crises de crédito que testaram a paciência de quem havia acabado de sair da poupança. 

Estratégia de aportes fracionados reduz riscos 

Para quem decide entrar na bolsa de valores em 2026 agora, a recomendação técnica é a prudência. O ideal é evitar aportes únicos no topo do mercado, optando por entradas graduais que permitam uma média de preço mais saudável.

"A bolsa está disponível para todos, mas nem todos têm o perfil arrojado necessário para suportar a oscilação que não é de praxe para o investidor comum. Por isso, a recomendação é começar com pouco para aprender e fazer aportes fracionados, evitando a exposição a um único preço de compra", finalizou o educador financeiro.

O MERCADO EM NÚMEROS (simulação baseada em 2025)

Vale: +42% (ações) + 9,6% (proventos) 

Petrobras: -10% (ações) + 11% (proventos) 

CDI: 14,32% (acumulado no ano) 

CDB: 11,81% (rendimento líquido médio) 

Dívida pública: projeção de 83% a 86% do PIB para 2026

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