Balança comercial do Pará fecha 2025 com saldo de US$ 21,5 bilhões

Resultado consolidou o estado com o 3º maior saldo do país após avanço nos setores de mineração e agropecuária

Gabriel da Mota
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A balança comercial do Pará registrou um superávit de US$ 21,5 bilhões no ano de 2025, consolidando o estado com o 3º maior saldo do país. O resultado, que representa um crescimento de 2,6% em relação a 2024, consta no Boletim de Comércio Exterior do Pará 2025, divulgado na última sexta-feira (15) pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa). O desempenho foi impulsionado pelas exportações dos setores mineral e agropecuário, que alcançaram US$ 24,2 bilhões ao longo do ano passado.

Minério de ferro e soja lideram as vendas para o exterior

Os produtos minerais continuam como os principais itens da pauta de exportações paraense. O minério de ferro liderou o faturamento, somando US$ 11,6 bilhões, o correspondente a 48% do total comercializado pelo Estado. O cobre atingiu US$ 3,6 bilhões (14,8%), enquanto a alumina calcinada registrou US$ 1,9 bilhão (7,8%). No agronegócio, as vendas externas de carne bovina desossada cresceram 70,3%, atingindo US$ 1,2 bilhão, e a soja teve alta de 6,9%, somando US$ 1,6 bilhão. A China permaneceu como o principal destino dessas mercadorias, absorvendo US$ 11 bilhões, o equivalente a 45,6% das exportações totais, seguida por Malásia e Estados Unidos. O volume total exportado expandiu 5,4% na comparação com 2024, superando a média nacional de 3,5%, o que colocou o Pará na 5ª posição entre os maiores exportadores nacionais, respondendo por sete por cento das vendas externas do País.

Apenas 10 municípios concentram a maior parte das exportações

Cerca de 90% das vendas do Estado ao mercado internacional se concentram em apenas 10 municípios paraenses. Canaã dos Carajás lidera o ranking local com US$ 6,6 bilhões em transações externas, o que representa 27% do total geral. Em 2º lugar ficou Parauapebas, com US$ 5,3 bilhões, seguido por Barcarena, com US$ 3,4 bilhões. O município de Marabá apresentou crescimento de 22,6%, somando US$ 3,2 bilhões, enquanto Itaituba teve a maior expansão percentual do levantamento, com uma alta de 132,2%. De acordo com o estudo da Fapespa, a dependência do comércio exterior é elevada, visto que em 2023 a proporção das exportações representou 43,6% do Produto Interno Bruto (PIB) paraense, índice muito superior à média nacional de 15,5%.

Importações crescem mais de 30% impulsionadas por óleo diesel

As importações paraenses também demonstraram elevação em 2025, atingindo o montante de US$ 2,7 bilhões, uma alta de 33,7% na comparação com o ano anterior. O município de Barcarena concentrou a maior fatia das compras externas, respondendo por 40,4% do total do Estado, seguido pela capital, Belém. Marabá, Parauapebas e Santarém também apresentaram crescimento significativo nas compras. O principal item importado pelo Pará foi o gasóleo (óleo diesel), vindo majoritariamente da Rússia, totalizando US$ 316,5 milhões. Além disso, destacaram-se o gás natural liquefeito comprado dos Estados Unidos e os fertilizantes procedentes de Canadá, Marrocos e Egito. O mercado norte-americano seguiu como a principal origem das importações, com 32% de participação, vindo a Rússia e a China na sequência.

Análise indica necessidade de diversificação e foco na bioeconomia

"O panorama do comércio exterior paraense elenca suas principais potencialidades, com destaque para minérios e agronegócio. O documento permite que o Estado e os municípios possam se planejar e atrair novos investimentos privados para a geração de empregos", explicou o diretor da Diretoria de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas e Análise Conjuntural (Diepsac), Márcio Ponte. A análise aponta para a importância estratégica das commodities, mas reforça a urgência de agregar valor à pauta estadual. "O estudo mostra o potencial exportador do Estado, hoje influenciado pela mineração e pela agropecuária, mas demonstra que o canal está aberto para outros produtos. A bioeconomia certamente ocupará esse espaço com grande destaque, pois há investimento na geração de tecnologia e inovação para o uso de produtos não madeireiros e da biodiversidade", afirmou o presidente da Fapespa, Marcel Botelho.

Desempenho do comércio exterior do Pará em 2025

  • Saldo da balança comercial: superávit de US$ 21,5 bilhões (+2,6% em relação a 2024)
  • Total de exportações: US$ 24,2 bilhões (+5,4% em relação a 2024)
  • Total de importações: US$ 2,7 bilhões (+33,7% em relação a 2024)
  • Participação das exportações no PIB estadual (dados de 2023): 43,6% (média nacional é de 15,5%)
  • Principais produtos exportados: minério de ferro (US$ 11,6 bilhões), cobre (US$ 3,6 bilhões), soja (US$ 1,6 bihão), alumina calcinada (US$ 1,9 bilhão) e carne bovina desossada (US$ 1,2 bilhão)
  • Principais municípios exportadores: Canaã dos Carajás (US$ 6,6 bilhões), Parauapebas (US$ 5,3 bilhões) e Barcarena (US$ 3,4 bilhões)
  • Principal destino das exportações: China (US$ 11 bilhões, correspondendo a 45,6% do total)
  • Principal produto importado: gasóleo/óleo diesel da Rússia (US$ 316,5 milhões)
  • Principal origem das importações: Estados Unidos (32% de participação)
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