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Alta nos preços dos materiais de construção inibe compras em Belém

Preços de lajotas e tubulações quase dobraram desde o início da pandemia de covid-19

O Liberal

A alta nos preços dos materiais de construção, desencadeada pela escassez de insumos ao longo da pandemia de covid-19, segue pressionando a inflação dos produtos utilizados em obras e reparos, com alguns itens até dobrando de preço nos últimos dois anos.

Willian Eugênio trabalha há quase 13 anos no ramo e classifica a situação atual do segmento como difícil. Além de tudo, as férias do mês de julho sempre desaquecem as vendas, que só devem voltar a crescer em agosto.

"Sinto que, como os preços estão muito elevados, muita gente não consegue comprar. Estou sentindo na pele, pois estou fazendo uma obra na loja e está tudo muito caro. E a relação com os fornecedores ficou a mesma coisa: não tem acordo, só faz aumentar o preço. Às vezes eu baixo minha margem de lucro para não perder a venda. Hoje, eu não faço mais aquelas vendas grandes, com muito material. As pessoas procuram mais a loja para pequenos reparos", diz ele.

Alta de quase 90%

Willian elegeu dois materiais básicos de qualquer construção para exemplificar o peso da inflação no setor: a mesma lajota que ele vendia no início de 2020 por R$18,90 está custando, em julho de 2022, R$35,90, uma alta de 89%. Já um tubo de esgoto de 100 milímetros saltou de R$50 para R$100 no mesmo período.

"Tudo que é derivado do petróleo aumentou. O que vejo é que até vendo a mesma quantidade que em 2019, mas com menos lucro. Então não cresci e ainda perdi clientes. Esse período entre agosto e dezembro é o melhor para a gente, né? Então vamos ver como será", afirma. 

Segundo Fernando Gonçalves, gerente de uma loja do ramo que também fica em Belém, o primeiro semestre de 2022 foi, sem dúvidas, melhor que em 2021. Ainda assim, é preciso ter muito jogo de cintura para atender as demandas dos clientes de formas satisfatórias.

"2020 e 2021 foram bem difíceis. Hoje temos essa volta, com mais gente vindo aqui e comprando, mas muita reclamação do preço. Gente que chega querendo levar um número x de um produto y, e leva menos quando se depara com os valores. Tudo encareceu, principalmente os canos, tubos e materiais plásticos. Os materiais de aço então, acho que bateu 100% de aumento, ainda mais porque é caro para transportar. Não sei como vão reverter isso", reflete. 

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As preocupações de Willian e Fernando espelham dados já registrados pelo Índice Nacional do Custo da Construção. A pesquisa registrou que a inflação dos materiais e equipamentos usados pela indústria da construção no Brasil alcançou 51,21% entre janeiro de 2020 e março de 2022. Entre as variações mais expressivas estão os condutores elétricos (91,9%), tubos e conexões de PVC (91,8%), vergalhões e arames de aço ao carbono (81,5%) e eletroduto de PVC (70,8%).

Para a servidora pública Kátia Damasceno, que está reformando um imóvel para disponibilizar para aluguel no bairro da Pedreira, os preços foram surpreendentes. "Tinha um bom tempo que eu não fazia obra, mas percebi que ficou mais caro. Na verdade estourei e bem meu orçamento inicial, acho que gastei mais de mil reais a mais do que planejei. As lajotas saíram caras e a parte de encanação da cozinha também. Até o negócio das tomadas achei o preço salgado", afirma. 
 

Economia
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