Documentário 'Cercados' é selecionado para festival internacional
O canadense 'HotDocs' é um dos mais relevantes do gênero no mundo

Documentário original Globoplay, produzido em parceria com o Jornalismo da Globo, ‘Cercados’ foi selecionado para o festival canadense HotDocs, um dos mais relevantes do gênero no mundo, que começa no dia 29 de abril.
Com direção de Caio Cavechini, que assina o roteiro com Eliane Scardovelli, a produção será exibida no programa “Systems Down” do evento, que evidencia a luta de cidadãos contra sistemas opressores, e também participa da disputa na categoria “Escolha do Público”.
Lançado em dezembro de 2020 e disponível no Globoplay, ‘Cercados’ foi gravado em Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Manaus e Fortaleza, e mostra os desafios da cobertura da imprensa no primeiro ano da pandemia de covid-19 no Brasil.
São registros de hospitais lotados, cemitérios beirando o colapso, a movimentação na área de imprensa do Palácio da Alvorada, além das reuniões de pauta de grandes veículos de comunicação do país. “É uma honra estar em um dos maiores eventos do cinema documentário do mundo. Ao mesmo tempo, é triste saber que a história que estamos levando pela primeira vez a uma plateia internacional não é o registro de um passado recente, mas de um presente doloroso”, diz o diretor Caio Cavechini.
Destaque entre os festivais de cinema, HotDocs credencia documentários para a corrida ao Oscar. ‘Cercados’ é uma das quatro obras brasileiras selecionadas para o evento. Para o documentário, a jornalista Danielle Zampolo, repórter do Profissão Repórter, da TV Globo, passou mais de 40 dias em frente ao Hospital Tite Setúbal, na zona leste de São Paulo, ouvindo histórias dos familiares e vítimas da covid-19.
Com a câmera no ombro, ela presenciou momentos de esperança, alegria e tristeza, mas também ouviu muitas provocações. Pessoas que diziam que tudo era invenção.
“Estar aqui, no hospital, significa dizer que isso está acontecendo de verdade”, afirma. Ao longo de três meses, a equipe acompanhou os profissionais de imprensa e presenciou situações importantes do trabalho de 63 pessoas. É um filme de vivência. Ele mostra com precisão que a pandemia, também para os jornalistas, não está sendo tarefa fácil.
Em maio, o fotógrafo Edmar Barros, da Associated Press, chorava toda vez que ia ao cemitério em Manaus e presenciava enterros em valas coletivas feitos por tratores. “Ouvi histórias muito tristes. Eu tinha falado que não queria mais voltar. Mas a gente tem de mostrar o que acontece”, conta. Everton Lucas, da cearense TVC, perdeu o avô José Gilbenê Barbosa após 18 dias de internação. Sua história pessoal se mistura às próprias tristezas que ele reportou.
O nome do filme assume um caleidoscópio de significados. Em termos físicos, é uma referência ao local onde os profissionais da imprensa fazem a cobertura diária do Palácio Alvorada. Um cercadinho mesmo, onde a imprensa fica encurralada diante dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro.
O lugar aparece várias vezes no filme. Também é um lugar simbólico: a luta da imprensa diante de quem insiste em negar a pandemia. Uma referência ao combate das fake news e ao trabalho minucioso para checar e desconstruir uma informação falsa. “Meu pai morreu de covid. Você fica numa espécie de trincheira vendo que informações falsas são divulgadas por pessoas que deveriam ser confiáveis”, diz Roney Domingos, do G1.
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