Teatro do Oprimido é caminho contra as desigualdades sociais, afirma diretor Rui Frati

O diretor do Centro do Teatro do Oprimido, na França, veio a Belém participar de atividades com educadores e estudantes

O Liberal

Para o diretor do Centro do Teatro do Oprimido, na França, Rui Frati, o mundo continua sofrendo com as mazelas produzidas pela desigualdade social, o que torna o Teatro do Oprimido ainda atual. Em passagem por Belém na última semana, o diretor falou sobre o método e modelo cênico-pedagógico criado nos anos 1970 por Augusto Boal, e destacou a experiência que grupos e instituições da Amazônia possuem com o Teatro do Oprimido.

O Norte do Brasil, e particularmente o Pará, na visão de Rui Frati, por seu passado histórico, é “um terreno fértil para o desenvolvimento de diferentes práticas artísticas”. “Por sua prática de Educação Popular com a forte presença das teorias de Paulo Freire, pelos movimentos de conquistas socias, pela qualidade de pesquisas e realizações de sua ‘intelligentsia’ universitária e política”, explica.

Em encontro realizado na Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará (ETDUFPA), na sexta-feira, 20, o diretor pôde trocar ideias sobre arte, cultura e projetos para o futuro. No decorrer da semana, se reuniu também com profissionais do Instituto Universidade Popular (Unipop), do Movimento República de Emaús, do Núcleo de Arte, Cultura e Educação da Secretaria Municipal de Educação de Belém (Nace/Semec), da Fundação Escola Bosque (Funbosque), da Escola de Aplicação da UFPA e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

“Vocês são vanguarda, prática popular e reflexão universitária”, afirma Rui Frati, quando reflete sobre a presença do Teatro do Oprimido no Pará. De acordo com ele, o TO (Teatro do Oprimido), continua relevante para as instituições com as quais dialoga por ser “uma forma de luta contra as desigualdades”, que são muitas e múltiplas. “Infelizmente nosso mundo vai mal. Ora, isso nos provoca, nos exige ainda mais atenção, mais vontade de ir à luta.  Vivemos cercados por conflitos que vão da fome quotidiana, da violência física entre seres humanos até as desigualdades de gênero, passando pelos perigos do mundo digital, das Fake News. São conflitos que exigem nossa presença e aguçam nossa vontade de ação”, declara.

Vontade de ação esta que dá origem aos projetos do Centro do Teatro do Oprimido, na França. “Somos uma associação sem objetivos de lucro, da qual sou diretor. Artistas, administradores e técnicos, em torno de dez pessoas, da administração à direção técnica, asseguram o funcionamento do teatro e da companhia. Quinze atrizes e atores, que são também formadores especializados no método Teatro do Oprimido, asseguram a parte artística, criativa e de intercâmbio social”, explica.

Sobre planos para os próximos anos, Rui Frati adianta quais são seus maiores desejos com o Centro. “É meu sonho romper fronteiras e continuar desenvolvendo as possibilidades de outras formas de conviver, para solidificar esse outro mundo que é possível. De Belém à Oiapoque a utopia pode virar realidade, abrindo espaços para novas utopias. Ações e reflexões”, completa.

O que é o Teatro do Oprimido?

Teatro do Oprimido é um método e modelo cênico-pedagógico que tem como objetivo a conscientização social, criado pelo teatrólogo brasileiro Augusto Boal nos anos 1970.

De acordo com o criador, o Teatro do Oprimido pretende transformar o espectador em sujeito atuante, transformador da ação dramática que lhe é apresentada.

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