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Obra de Tonny Brasil vira patrimônio cultural do Pará

Governadora sancionou que reconhece o legado musical do “rei do tecnobrega”

Eduardo Rocha
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O Pará se despedia do cantor, compositor multi-instrumentista paraense Tonny Brasil em 2 de junho de 2024. Hoje, dia 2 de junho de 2026, o Pará celebra o fato de que a obra desse artista tão querido das plateias nos municípios paraenses acaba de se tornar patrimônio cultural de natureza imaterial do Estado. Isso porque na edição dessa segunda-feira (1º) do Diário Oficial do Estado do Pará foi publicada a lei com esse teor sancionada pela governador do Estado, Hana Ghassan Tuma. O projeto de lei, de iniciativa do deputado estadual Elias Santiago, foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) e resultou nessa legislação estadual. Antonio Luiz do Carmo Conceição, mais conhecido como Tonny Brasil, notabilizou-se como o "pai do tecnobrega".

A Lei nº 11.461, de 29 de maio de 2026, indica: 'Fica declarado como patrimônio cultural de natureza imaterial do Estado do Pará a obra musical do artista paraense Tonny Brasil, nos termos do art. 286 da Constituição do Estado do Pará". Esse reconhecimento à produção desse expoente do brega paraense foi celebrado por artistas que atuam na cena musical paraense. 

Um deles é o cantor Beny Pérola Negra. "O que falar de Tony Brasil? Tony Brasil foi um cantor, compositor, produtor, multi-instrumentista, ou seja, ele tocava vários instrumentos. Uma pessoa de uma inteligência fantástica, inclusive, eu gravei algumas peças de Tony Brasil, um ser humano incrível, uma pessoa muito bacana", destaca o cantor. 

"Tive a oportunidade de várias vezes estar junto com Tony Brasil ali no Boteco da Princesa, na avenida Alcindo Cacela. A gente sentava, conversava muito. Ele me passou muita experiência de vida e foi muito importante para minha carreira. Na verdade, não só para minha carreira, como para a arte paraense. Essa homenagem, esse reconhecimento ao trabalho dele é merecido. Obrigado, Tony Brasil, por existir; minha vida te agradece. Muito obrigado", ressalta Beny Pérola Negra.

Pra sempre

Tonny Brasil faleceu aos 57 anos. Em abril de 2024, ele havia sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Na data do falecimento de Tonny, muitos artistas lamentaram o fato, entre eles Edilson Morenno, Valéria Paiva e Rolon Ho. O cantor e compositor Wanderley Andrade relembrou, na ocasião: "O último trabalho que nós tivemos foi na gravação de um CD, no nosso estúdio e que ele compôs praticamente todas as canções dentro do meu carro. Eu nunca vou esquecer esse momento. Ali eu vi a humildade e simplicidade do Tonny com seus colegas compositores". Wanderley salientou ter sido um "privilegiado de ter sido amigo dele".

Autor de cerca de 2 mil músicas, da quais 700 gravadas por artistas do naipe da Banda Calypso, Wanderley Andrade e Gaby Amarantos. Tonny escutou o gênero zouk pela primeira vez em Cayena, capital da Guiana Francesa. Em seguida, ele introduziu o ritmo em Belém, fundindo com o brega-calipso e com o brega melody. Entre os grandes sucessos de Tonny Brasil figuram: "Oração", "A Primeira Vez", "Isso é Amor", "Leviana", "Doce Mel", "Cúmbia do Compadre", "Sonho", "Ragga Melody", "Mundiquinha", "Lana" e "Oh, Carol".

O filho de Tonny Brasil, o cantor, compositor e músico Jimmy Góes, da banda Les Rita Pavone, destaca como recebeu a informação de que a obra do pai passa a ser patrimônio cultural de natureza imaterial do Pará. "Recebo com muita felicidade e satisfação. Meu pai construiu grandes coisas na carreira dele. Acho que devido à importância do trabalho dele, tanto pelas músicas, quanto pelos artistas e bandas, as aparelhagens, enfim, todo esse movimento que o tecnobrega tem até hoje, a obra dele ser considerada patrimônio cultural é umas das tantas homenagens que ele merece. Nem digo isso por ser meu pai, mas por ser um grande artista". 

Jimmy destaca que Tonny deixou um legado de quase 3 mil músicas. "A cultura amazônica é muito abrangente, mas se for falar de música paraense em algum momento pode ser que precise citar o nome dele. Eu não sei muito como é nas outras cidades, em outros estados também, mas aqui em Belém, ontem mesmo, eu estava chegando em casa e algum vizinho estava com o som alto na rua tocando 'Caprichos', que é conhecida na voz do Nelsinho Rodrigues, e 'Don’t Cry', conhecida na voz do Marcelo Wall, numa versão meio piseiro, arrocha, sei lá. Andar por Belém envolve a experiência de eventualmente ouvir alguma composição dele", pontua Jimmy.

Ele sabe que Tonny concretizou grandes sucessos com grandes intérpretes. "Algumas das músicas que eu gosto muito são 'Fórmula Mágica', sucesso da Banda Calypso na voz da Joelma; 'Caprichos' e 'Don’t Cry' de que eu já falei; 'Ragga Melody 3', que é uma canetada! Tem também 'O Cego', na voz da Anna di Oliveira (aliás, todo esse disco dela é incrível); 'Não Sou Tua' na voz da Hellen Patrícia, Banda Xeiro Verde; 'Leviana' na voz do Diogo. Alguns dos que que me lembrei agora". "Leviana" é um clássico gravado por grandes nomes como Reginaldo Rossi, Leonardo, Pablo e Léo Magalhães.

Tonny Brasil nasceu em Belém. "A gente (Jimmy e Tonny) conversava muito sobre música. Algumas vezes, eu toquei com ele. Aprendi muita coisa, mas talvez a mais importante seja a de 'fazer a minha onda'. Ele sempre falava: 'Meu filho, faça a sua onda! Faça a sua história!'. É algo que eu faço desde antes dele falar, mas foi importante ouvir. Ele tinha bastante orgulho do caminho que eu segui", arremata Jimmy Góes.

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