Novo álbum de Iris da Selva chega com 10 faixas e mistura carimbó e MPB
Cantor de Icoaraci apresenta trabalho de estreia ao público nacional nesta quinta-feira (9)
O álbum homônimo do cantor e compositor paraense Iris da Selva chega com dez faixas às plataformas digitais nesta quinta-feira (9). O trabalho de estreia reúne elementos do carimbó e da Música Popular Brasileira (MPB) com referências urbanas nortistas, marcando a apresentação do artista ao público nacional.
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Lançado pelo selo Budokaos, o disco conta com produção de Marcel Barreto e participações de Karina Diaz, do grupo Pássaros Urbanos, além de Borblue e Flor de Mururé.
Natural de Icoaraci, distrito de Belém conhecido pela tradição na cerâmica, o artista constrói no álbum uma narrativa musical que dialoga com suas origens e vivências.
A sonoridade do trabalho parte da instrumentação tradicional do carimbó, com banjo, tambor curimbó, maracas, flauta transversal e violão de nylon, incorporando também efeitos de ambientação. O resultado combina elementos acústicos e texturas sonoras que acompanham as composições assinadas pelo próprio artista, responsável ainda por boa parte das cordas gravadas no disco.
Entre tradição e vivência
Ao falar sobre o processo de construção do álbum, Iris da Selva afirma que a sonoridade surgiu de forma espontânea, a partir de experiências acumuladas ao longo do tempo. “Essa sonoridade é fruto dessas vivências ao longo do tempo e muitas vezes envolvidas em processos intuitivos. Gosto de música desde a infância e compor é há muito tempo uma forma de expressar meu olhar sobre o mundo”, diz.
Ele também destaca a presença do carimbó como elemento central do trabalho, relacionando a escolha musical ao contexto contemporâneo. “Trazer essa identidade dentro de um tempo em que coletivamente falamos muito sobre ancestralidade pra mim é estar atento ao presente através da música”, acrescenta.
As letras do álbum abordam experiências pessoais e observações sobre a vida urbana, conectadas a temas mais amplos. De acordo com o artista, a construção das canções parte de vivências individuais, mas busca estabelecer diálogo com diferentes públicos.
“O disco traz um pouco da nossa relação com o espaço urbano e como essa vida corrida nos afasta de um olhar mais sensível. Eu falo a partir da minha rua, mas tenho certeza que meu sentir não é isolado e conversa com todo mundo que tem uma vivência parecida”, diz o cantor.
Ainda segundo Iris, o carimbó aparece como um dos elementos mais diretamente associados ao território, mas tende a aproximar o público à medida que é apresentado.
“Talvez a única coisa que seja ‘local’ é o carimbó. Mas assim que as pessoas conhecem ou se reconectam, logo se sentem em casa e aprensetadas a mais um universo da música brasileira”, acrescenta.
No primeiro trabalho da carreira, o artista revela que a proposta é criar uma conexão sensível com quem escuta. Ele diz esperar que o álbum alcance diferentes públicos e desperte sentimentos diversos.
“Eu quero mesmo é que as pessoas se sintam acolhidas, que minha voz chegue onde necessita chegar. Quero que esse disco crie novos imaginários, que traga sentimentos de esperança, orgulho, e seja um trabalho de referência pra quem tá vindo ainda”, afirma.
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