Musical sobre Fafá de Belém estreia temporada em Belém com novidades; confira

O cantor Elói Iglesias integrará a montagem na capital paraense, que revisita 50 anos de carreira da artista

Amanda Martins
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O espetáculo “Fafá de Belém, O Musical” percorre mais de cinco décadas da trajetória de uma das vozes mais conhecidas da música nacional. Em circulação pelo Brasil desde a estreia no início de 2026, no Rio de Janeiro, a produção segue em temporada em São Paulo e agora gera expectativa para chegar à capital paraense, onde será apresentada no Theatro da Paz, entre os dias 6  a 16 de agosto.

Idealizador e produtor artístico do musical, Jô Santana, adiantou com exclusividade ao Grupo Liberal que a montagem, assinada por Gustavo Gasparani e Eduardo Rieche, terá novidades na temporada em Belém. Uma delas é a participação de Elói Iglesias, em uma cena que homenageia a Festa Chiquita e a entrega do “Veado de Ouro”. 

No palco, ele e Fafá, vivida na fase dos dias atuais por Lucinha Lins, recebem o tradicional troféu, que reconhece, dentro da festa anualmente, personalidades que lutam pelos direitos, dão voz e valorizam a diversidade e a cultura.

image Musical de Fafá, idealizado por Jô Santana, terá participação de Elói Iglesias quando a montagem vier para a capital paraense, em agosto (Carmem Helena / O Liberal)

“A gente homenageia esse movimento histórico e também o Elói, que foi o primeiro grupo LGBT dos anos 70. É fundamental trazer isso para o espetáculo, porque muita gente fora do Pará não conhece essa história. Em São Paulo, o público ficou encantado ao descobrir esse universo”, explica Jô, ressaltando que o momento será bastante simbólico.

Sobre sua participação, Elói destaca o significado da presença na montagem. “É uma honra poder participar. A obra da Fafá se renova e se reconecta com o tempo”, afirma.

Ele também ressalta a relação entre o musical e a trajetória da manifestação cultural criada por ele. “Saber que estamos no caminho certo e que essa história está sendo contada com respeito é importante. É uma festa reconhecida, que combate preconceitos e valoriza a diversidade”, completa.

Com linguagem teatral, a história de Fafá de Belém é construída a partir de três planos narrativos que se cruzam ao longo da encenação: o presente, durante a gravação de um documentário em homenagem aos 50 anos de carreira da cantora no próprio Theatro da Paz; o Círio de Nazaré; as lembranças da infância em uma Belém poética; e os momentos da trajetória artística, incluindo a participação no movimento Diretas Já e outros episódios da vida pública.

Nesse contexto, está a participação da cantora Naieme. Ela conquistou um Kikito no Festival de Cinema de Gramado de 2025, como melhor atriz pela interpretação da personagem Jaque no filme “Boiuna”. 

“Foi escolhida entre mais de mil atores nas audições em São Paulo. Ela faz a cineasta que conduz esse documentário dentro da história e atua como uma narradora fundamental para atravessar as memórias da Fafá. É uma presença muito importante no espetáculo”, afirma Jô Santana.

REPERTÓRIO MUSICAL

A montagem também inclui uma homenagem a um grupo de drag queens, que interpreta músicas como “Abandonada”, “Meu Homem”, “Memórias” e “Sob Medida”, relacionando a obra de Fafá à comunidade LGBTQIA+.

O repertório reúne canções como “Amazônia”, “Pauapixuna”, “Bom Dia Belém”, “Foi Assim”, “Eu Preciso Aprender a Ser Só”, “Sedução”, “Filho da Bahia”, “Cavalgada”, “Que Me Venha Esse Homem”, “Eu Sou de Lá”, “Ave Maria” e “Vermelho”, com estética inspirada no Boi de Parintins.

Jô destacou a participação da artista no processo de criação. Segundo ele, Fafá respondeu a um extenso material de pesquisa e acompanhou as etapas da montagem. “Ela respondeu a mais de cinquenta perguntas, revisitando momentos e memórias muito particulares da vida dela. Durante todo o processo, esteve presente de forma generosa e acompanhou o desenvolvimento do espetáculo com muita proximidade”, afirma. 

CONSTRUÇÃO DRAMATÚRGICA E RECEPÇÃO DO PÚBLICO

Além de Lucinha, mais duas intérpretes se revezam no papel da artista em diferentes fases: Fafá-menina, interpretada por Laura Saab (neta da cantora) e Clarah Passos; e Fafá-cantora, vivida por Helga Nemetick.

Sobre a construção do espetáculo, Jô conta que a proposta foi ampliar a abordagem da trajetória da artista. “Buscamos mostrar suas contradições, fragilidades, afetos, coragem e sua importância não apenas como artista, mas como cidadã e figura pública. Quando se trabalha com uma personalidade tão conhecida, existe o desafio de surpreender o público sem perder a verdade dos fatos. Esse equilíbrio foi construído ao longo do processo”, diz.

Ele também comenta a escolha das intérpretes. “Lucinha Lins traz experiência e sensibilidade de uma artista que viveu a mesma época e compreende aquela dimensão artística. Helga Nemetick,  representa a energia e a intensidade da jovem Fafá. Já Laura Saab chegou ao processo por meio de um vídeo, participou da seleção usando o sobrenome do pai e foi unanimidade na equipe”, afirmou.

Sobre a recepção do público, Jô destaca a proposta de diálogo com diferentes gerações. “A trajetória da Fafá se mistura com a história recente do Brasil. O público revisita momentos políticos e culturais importantes enquanto acompanha a narrativa”, diz.

Ele acrescenta ainda que a estrutura prevê momentos de forte reação da plateia. “Existe um momento muito forte ao final do primeiro ato, em que o público reage de forma muito intensa. Cada pessoa encontra um ponto de conexão com a história que está sendo contada”, afirma. 

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