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Rapper paraense Nic Dias lança single com mensagem contra o racismo

'Remédio pra Racista é Bala' chega com videoclipe revidando a violência do racismo

Nic Dias não é o tipo de artista que passa despercebido onde pisa. O videoclipe que a rapper de Icoaraci lança nesta quinta-feira, 17, às 14h, é uma amostra da forte personalidade que tem. “Remédio pra Racista é Bala” é explícito, sangrento e não deixa dúvidas sobre a mensagem: para revidar o racismo, só respondendo na mesma moeda.

Dirigido pelo cineasta Vladimir Cunha, o videoclipe têm influência na estética do cinema grindhouse norte americano dos anos 70, trazendo Nic Dias como a chefe de uma gang que caça, tortura e mata racistas e facistas. O público pode acompanhar o lançamento no canal do Youtube da artista.

Assista:

Armas, sangue e violência não foram poupados nas imagens de “Remédio pra Racista é Bala”. A resposta vem à altura dos efeitos do racismo estrutural na sociedade, que provoca um verdadeiro extermínio da juventude negra no Brasil.

Segundo um relatório do Mapa da Violência emitido em 2017, a cada 23 minutos morre um jovem negro no Brasil. No clipe, são esses mesmos jovens que comandam esse ato de resposta à realidade tão dura.

 

 

“A realidade não é um conto de fadas, na verdade a paz pra gente não existe, nunca existiu. Esse clipe simboliza a morte de milhões e milhões de negros ao longo desse período todo de escravidão e de pós-escravidão até hoje, e retrata todo esse ciclo de violência que a gente vive, a forma que a gente se sente e como deveria reagir”, explica a artista.

Para dar cor e ainda mais vida ao universo da letra de “Remédio pra Racista é Bala”, Nic teve parceria do jornalista, documentarista e cineasta paraense Valdimir Cunha, que já dirigiu filmes para Dona Onete, Felipe Cordeiro, Molho Negro, e assina co-direção no documentário Brega S/A.

Vlad se inspirou no universo estético do grindhouse dos anos 70, marcado pela decadência urbana, o desencanto e a violência contada através de peças de baixo orçamento. Essa violência de gangues urbanas dos Estados Unidos no período da Guerra do Vietnã foi traduzida para o sentimento de revolta da população negra brasileira.

“O clipe é uma tradução do sentimento de tá no limite, que é isso que a letra da Nic fala muito. Até que ponto alguém aguenta e consegue viver com essa violência racista cotidianamente e intermitente? A gente começou a construir esse universo dessa gang, dessa galera que a Nic tem, que é muito diversa fisicamente, muito bonito, muito legal de ver, e que ao mesmo tempo tá ali com ela numa situação de dar o troco, numa fotografia muito claustrofóbica, que é de propósito”, detalha Vlad sobre o videoclipe.

As imagens impressas nas lentes e registradas no clipe podem chocar quem não vivencia a realidade da periferia que, diariamente, convive com a violência e é violentada pela opressão do racismo nas ruas. São imagens duras e, por vezes, censuradas, privadas da denúncia que o clipe grita.

Durante a campanha de divulgação do clipe houve dificuldade, por exemplo, de veicular um outdoor, recusado por empresas de mídia que viram no título da faixa, “Remédio pra Racista é Bala”, teor ofensivo e racista.

Para Nic, a coragem de escrever versos denunciativos e escancarar isso da forma mais crua possível é motivo de orgulho. “É a satisfação de ter coragem pra falar certas coisas, de não ter medo, de não precisar se esconder, é sobre coragem, acima de tudo, é sobre coragem”, declara.

O público pode acompanhar a estreia ao vivo do videoclipe de “Remédio pra Racista é Bala” a partir de 14h no canal do Youtube da artista. A música já está disponível para audição em todas as plataformas de streaming de música.

Música
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