Museus como espaços de diálogo e transformação são tema de seminário em Belém
Encontro reúne instituições culturais, universidades e coletivos para debater Amazônia, pertencimento e construção de futuros sustentáveis
Nesta sexta-feira, 22, o Fórum Landi, em Belém, recebe o Seminário Instituto Cultural Vale – Museus Unindo um Mundo Dividido, encontro que integra a programação da 24ª Semana Nacional de Museus e propõe uma reflexão sobre o papel dos equipamentos culturais na sociedade contemporânea. Mais do que espaços de preservação de acervos, museus, centros culturais e instituições científicas são apresentados como territórios de escuta, pertencimento e articulação comunitária.
Realizado em meio às discussões sobre regeneração ambiental e crise climática intensificadas no contexto pós-COP30, o seminário reforça a relação indissociável entre cultura e natureza. Inspirado pela museologia social, o evento reúne experiências de instituições que atuam diretamente nos territórios, valorizando saberes ancestrais, tecnologias tradicionais e expressões culturais locais como caminhos possíveis para enfrentar as divisões sociais e os desafios do presente.
Participam das mesas representantes de instituições como Instituto Inhotim, Museu do Amanhã, Universidade Federal do Pará, Universidade Federal do Oeste do Pará e Observatório de Favelas, entre outras organizações. A programação abordará temas como os futuros da Amazônia, ecologia, regeneração e o papel da arte na reconstrução dos vínculos coletivos.
“A Semana Nacional de Museus nos convida a refletir sobre o papel da cultura na construção de futuros mais inclusivos, justos e sustentáveis, e os museus como territórios de diálogo e diversidade. Nesse contexto, o Seminário Instituto Cultural Vale é uma oportunidade única para compartilhar experiências, conhecer novas abordagens e fortalecer a conexão com diferentes públicos”, afirmou Luciana Godim, diretora do Instituto Cultural Vale.
Segundo Gabriela Sobral, diretora da Casa da Cultura de Canaã dos Carajás, o encontro nasce em sintonia com o tema da Semana Nacional de Museus. “Nosso objetivo é debater como os mais diversos espaços culturais possuem uma potencialidade única para abordar as complexas temáticas do mundo contemporâneo”, destacou.
Para Gabriela, a cultura desempenha um papel essencial ao afirmar identidades plurais em um cenário global marcado por conflitos territoriais e fragmentações sociais. “E isso ocorre não de uma forma separatista, mas como um elemento construtivo da nossa própria humanidade. Queremos mostrar que os equipamentos culturais são capazes de promover diálogos interculturais diretos, combatendo divisões violentas e transformando a cultura em uma ferramenta de conexão e paz”, concluiu.
O seminário também propõe uma reflexão sobre os museus e centros culturais como pontes em uma sociedade atravessada por desigualdades e polarizações. A proposta é promover um intercâmbio de experiências entre iniciativas que atuam no coração das comunidades, transformando o patrimônio cultural em instrumento de pertencimento, regeneração e criação coletiva.
“Eu nasci e cresci na Maré, no Rio de Janeiro, o maior conjunto de favelas do Brasil. Aprendi em casa, com a família e a vizinhança, que as utopias são movimentadas sempre coletivamente. É junto que articulamos os gestos que melhoram nossas formas de viver e compartilhar”, afirmou Isabela Souza.
Ela destaca que a construção de uma cultura do bem-viver orienta o trabalho desenvolvido pelo Observatório de Favelas há mais de duas décadas. “E eu tenho a sorte de seguir praticando soluções comunitárias pela defesa dos direitos fundamentais, nossa maior utopia!”, finalizou.
Programação
22 de maio
Fórum Landi, Belém, Pará
14h às 14h20: Abertura
Mariana Luz, Diretora de Investimento Social Privado e Cultura da Vale
Bruno Chagas, Secretário de Cultura do PA
Roberta Rodrigues, Fórum Landi - Universidade Federal do Pará
14h20 às 15h50 - Mesa 1: Amazônia Pós-COP: Arte, Ecologias e Futuros em Disputa Mediação: Luciana Gondim – Diretora do Instituto Cultural Vale
Fabio Scarano – Curador do Museu do Amanhã
Luciana Carvalho – Antropóloga e professora da UFOPA/Consultora Unesco e IPHAN
Alita Mariah – Diretora de Natureza do Instituto Inhotim
15h50 às 16h55 - Mesa 2: Sonhar Territórios: Movimentar utopias para uma cultura do bem viver
Mediação: Gabriela Sobral – Diretora da Casa da Cultura de Canaã dos Carajás - ICV
Ronaldo Guedes – Ceramista marajoara e idealizador do Atelier Arte Mangue Marajó Isabela Souza – Diretora Observatório de Favelas e Galpão Bela Maré
16h55 às 18h - Mesa 3: Mundo fragmentado: tecnologias ancestrais e arte para regenerar o comum
Mediação: Gabriel Gutierrez – Centro Cultural Vale Maranhão - ICV
Jandaraci Araujo – Diretora executiva do Museu Afro Brasil
Paulo Desana – Artista indígena
18h – Encerramento
Apresentação Vale Música
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