Mestre Damasceno passa a dar nome ao terminal hidroviário de Salvaterra
A partir de projeto de lei aprovado na Alepa e sancionado pela governadora do Estado do Pará Hana Ghassan Tuma, o produtor cultural falecido em 2025 recebe essa homenagem post mortem em reconhecimento ao seu legado à cultura amazônica
Em 26 de agosto de 2025, a cultura da Amazônia perdeu um de seus maiores nomes, o de Mestre Damasceno. Ele faleceu aos 71 anos de idade, em virtude de complicações por câncer metastático e pneumonia. Em reconhecimento à contribuição dada por ele à cultura da região, a governadora do Estado do Pará, Hana Ghassan, acaba de sancionar lei estadual, dando o nome de Mestre Damascenoo ao principal terminal hidroviário de Salvaterra, no Marajó. O projeto de lei com esse conteúdo havia sido proposto pela deputada estadual Maria do Carmo e aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa).
A homenagem concretiza-se por meio da Lei nº 11.464, de 29 de maio de 2026: "Fica denominado de Terminal Hidroviário Mestre Damasceno, o Terminal Hidroviário Foz do Rio Camará, localizado no Município de Salvaterra, na Ilha do Marajó", é comunicado na legislação cujo teor foi publicado na edição do Diário Oficial do Estado do Pará nesta segunda-feira (1º).
Vida na cultura
E foi em Salvaterra, no Arquipélago do Marajó, que nasceu Damasceno Gregório dos Santos em 22 de julho de 1954, na comunidade quilombola do Salvá. Após completar 13 anos de idade, ele se transferiu para a sede de Salvaterra, permanecendo lá até completar 18 anos. Em seguida, rumou para Belém, em busca de melhores condições de vida. Mas, aos 19 anos de idade, Damasceno perdeu a visão em um acidente de trabalho. No entanto, a arte cruzou o caminho ele ou vice-versa e nunca mais se largaram.
Em 1973, Mestre Damasceno iniciou sua carreira cultural como “colocador” (participante ativo) no Boi-Bumbá, em Soure. Ele seguiu em frente e se tornou cantor, compositor, repentista e mestre de carimbó, toadas, samba e brega, além de diretor artístico e guardião da tradição marajoara.
Mestre Damasceno foi o criador do Búfalo‑Bumbá, uma versão marajoara do folguedo junino, com o búfalo como personagem central, ou seja, um teatro de rua com figurinos, enredo e diálogos assinados por ele próprio. Esse artista ainda legou para a cultura amazônica o conjunto de carimbó Nativos Marajoaras e o Festival de Boi-Bumbá de Mestre Damasceno, entre outras atrações que enriquecem a vida cultural do Pará.
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