Fotografias de Sebastião Salgado sobre trabalho humano entram em cartaz em Belém
Exposição ‘Trabalhadores’ reúne 150 imagens e integra programação gratuita do Centro Cultural Banco da Amazônia
Marcada por registros que atravessam diferentes países e períodos históricos, a exposição “Trabalhadores”, do fotógrafo Sebastião Salgado, chega a Belém nesta quarta-feira (15), passando a integrar a programação do Centro Cultural Banco da Amazônia. Com entrada gratuita, a mostra ocupa a Galeria 1 e reúne cerca de 150 fotografias produzidas ao longo de seis anos, entre 1986 e 1992.
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O conjunto apresenta um recorte do trabalho humano ao redor do mundo, com imagens marcadas pelo uso da força física e por processos produtivos anteriores à mecanização.
O público poderá visitar a exposição até o dia 14 de agosto de 2026, de terça a sexta-feira, das 10h às 16h, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 14h.
Construção narrativa
Na última terça-feira (14), foi realizada uma coletiva de imprensa no centro cultural para apresentar a novidade à imprensa. Com curadoria e design de Lélia Wanick Salgado, a exposição apresenta fotografias que retratam desde grandes cadeias produtivas ligadas à terra, como plantações de cana-de-açúcar no Brasil, cultivos de chá na África e tabaco em Cuba, até práticas no mar e na indústria alimentícia, incluindo a pesca artesanal e industrial.
Ao longo do percurso, os registros evidenciam o papel central do trabalhador em diferentes contextos econômicos e sociais.
A mostra também reúne cenas da produção industrial, com fábricas, linhas de montagem e complexos siderúrgicos, além de atividades de extração, como minas de carvão na Índia, extração de enxofre na Indonésia e o garimpo de Serra Pelada, no Pará. O percurso inclui ainda imagens de campos petrolíferos, operações energéticas e grandes obras de engenharia, como barragens e túneis.
Legado
Falecido em maio de 2025, Sebastião Salgado construiu uma trajetória marcada por registros de grande impacto social e ambiental, sendo reconhecido internacionalmente como um dos principais nomes da fotografia documental contemporânea.
Em preto e branco, as fotografias documentam diferentes formas de trabalho e transformações nas relações produtivas ao longo do tempo.
Preservação das obras
De acordo com Álvaro Razuk, da Maré Produções, responsável pela realização da exposição, o projeto segue um padrão rigoroso de curadoria e apresentação.
“Todas as exposições do Sebastião são curadas e desenhadas pela Lélia. Existe um rigor muito grande na sequência narrativa, no posicionamento das legendas e até na iluminação”, afirmou, explicando ainda que a montagem segue critérios técnicos específicos, incluindo controle de luminosidade e cuidados de preservação do acervo.
Segundo Razuk, o transporte e a conservação das obras também envolvem protocolos especializados. Ele destacou que as fotografias utilizam ampliações analógicas e são acompanhadas por seguro específico durante todo o deslocamento. “Temos um tipo de seguro, que cobre desde o local de origem até o museu. Quando as obras chegam, fazemos laudos para verificar qualquer alteração, se elas estão íntegras”, disse.
O produtor também informou que a exposição contará com ações educativas e de acessibilidade. Segundo ele, haverá formação de monitores para mediação com o público, além de recursos como placas táteis e audiodescrição.
Razuk ressaltou ainda que a realização da mostra permite ao público compreender a dimensão do trabalho do fotógrafo. “Ao ver uma exposição como essa, é possível entender a qualidade do trabalho e por que ele é tão reconhecido internacionalmente”, afirmou.
A gerente do Centro Cultural Banco da Amazônia, Ana Amélia Fadul, destacou que a exposição também propõe reflexões sobre o trabalho em suas diferentes dimensões. “A exposição ‘Trabalhadores’ traz à tona a necessidade de discutir o trabalho e todas as suas formas, incluindo questões como trabalho digno, proteção e combate ao trabalho escravo”, disse.
O Centro Cultural tem se destacado pelas exposições que tem trazido ao público nos últimos tempos. Segundo Ana Amélia, a curadoria do espaço segue diretrizes institucionais que priorizam temas ligados à sustentabilidade, diversidade e cidadania.
“Chegamos ao número de 100 mil bilhetes emitidos, recebe em média 1.500 pessoas por semana, somado a esse número temos, 1.000 visitantes por domingo; em eventos especiais, como a COP 30, 10 mil visitantes, e em três edições de ‘Uma noite no Museu, 3.200 pessoas”, diz orgulhosa.
Programação paralela e formação
Além da visitação, a programação inclui atividades diversas, como oficinas e palestras, que seguem até o dia 14 de agosto.
Entre os destaques está a palestra “Trabalhadores hoje: o que a fotografia aprendeu com Salgado?”, com Maíra C. Gamarra, no dia 23 de maio, e o minicurso “Horizontes da Fotografia Amazônica Contemporânea: Da Prática à Curadoria”, ministrado por Evna Moura, no dia 13 de junho, ampliando o diálogo entre fotografia, história e questões contemporâneas.
A programação inclui, no dia 27 de julho, a atividade “O Barroco e o trabalho na fotografia contemporânea”, com a curadora Rosely Nakagawa, voltada a artistas e fotógrafos interessados nas relações entre estética, história e representação.
Já no dia 15 de agosto, será realizada a oficina “Campo, corte e extracampo. Olhos de ver com Salgado”, ministrada pelo fotógrafo e educador Miguel Chikaoka, que propõe uma experiência prática de leitura e criação de imagens a partir do recorte e do extracampo fotográfico.
Confira a programação completa:
- Sábado - 23 de Maio
10h às 12h
Palestra ‘Trabalhadores hoje: o que a fotografia aprendeu com Salgado?’
Com Maíra C. Gamarra
- Sábado - 13 de junho
10 às 12h e 13h às 16h
Minicurso ‘Horizontes da Fotografia Amazônica Contemporânea: Da Prática à Curadoria’
Com Evna Moura
- Sábado - 27 de julho
10h às 11h
Palestra: ‘O Barroco e o trabalho na fotografia contemporânea’
Com Rosely Nakagawa
- Sábado - 15 de agosto
10 às 12h e 13h às 16h
Oficina ‘Campo, corte e extracampo. Olhos de ver com Salgado’
Com Miguel Chikaoka
SERVIÇO:
Exposição ‘Trabalhadores, de Sebastião Salgado’
- Local: Galeria 1 – Centro Cultural Banco da Amazônia - Av. Presidente Vargas, 800 – Campina, em Belém;
- Visitação: 15 de abril a 14 de agosto de 2026;
- Horários: Terça a sexta, das 10h às 16h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 14h;
- Entrada gratuita.
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