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Em 'Brasil 70', Adnet divide cena com Santoro e exalta papel do ator como João Saldanha

Criada por Naná Xavier e Rafael Dornellas e com direção de Pedro e Paulo Morelli, Brasil 70: A Saga do Tri chega à Netflix em maio

Estadão Conteúdo
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Série da Netflix sobre a conquista do tricampeonato da Copa do Mundo conquistado pela Seleção Brasileira em 1970, Brasil 70: A Saga do Tri mistura personalidades e momentos reais com algumas tramas fictícias para narrar uma das vitórias mais importantes do futebol nacional. Entre os grandes personagens reais inseridos na história está João Saldanha (1917-1990), jornalista que, após comandar o plantel canarinho nas eliminatórias, foi substituído por Zagallo (1930-2024) e acabou atuando como comentarista dos jogos da competição.

Polêmico, temperamental e politicamente ativo, Saldanha foi vivido na série por Rodrigo Santoro, que, por sua vez, dividiu quase todas as suas cenas com Marcelo Adnet, responsável por narrar os lances da Copa recriados em Brasil 70.

"O Rodrigo Santoro é um gênio, é um ator genial, ele estudou muito o João Saldanha", afirmou Adnet em entrevista concedida ao Estadão no evento de pré-estreia da série, realizado na Nubank Arena (ex-Allianz Parque), em São Paulo.

O comediante, que já havia estudado a vida do jornalista para a composição do samba-enredo de 2021 do Botafogo Samba Clube, contou que, embora nunca tenha conhecido o comentarista, ele era seu ídolo. "Agora eu conheci, filmei ao lado do João Saldanha", disse ele, elogiando a atuação de Santoro. "Ele era o João, fumando, mal-humorado, com observações fortes, uma personalidade fortíssima, inabalável."

Na série, Adnet interpreta o narrador fictício Eusébio, cujas transmissões eram acompanhadas dos comentários de Saldanha. "Uma das coisas que constroem meu personagem é o amor e a admiração pelo João Saldanha, é colocar ele num pedestal, acima de mim (...) Essa relação é fundamental", contou ele, dizendo que Santoro o "provocava muito" em suas leituras de roteiro.

"A gente lia uma cena e o Rodrigo fazia grandes questionamentos como você está falando isso por quê? Você fala isso com raiva ou com alegria? Então, a gente construiu essa relação. Mas para mim, eu estava na frente do João Saldanha."

Embora interprete um dos poucos personagens fictícios de Brasil 70, isso não significou menos pesquisa para Adnet em comparação aos colegas de elenco. Conhecido pela ótima imitação de Galvão Bueno, ele até inclui alguns tons da histórica voz do futebol nacional, mas precisou aprender a falar como os locutores esportivos dos primórdios da TV brasileira.

"É uma época muito diferente para a narração, com a televisão chegando em 1970, em cores, a primeira transmissão da Copa, a gente vindo numa tradição de rádio muito forte, então era uma coisa nova pra TV. Então, eu assisti muito material da época para pegar aquele registro que não tinha variação de tom, então era uma coisa bastante fixa."

Parte do novo aprendizado veio com a adoção do sotaque "padronizado" das transmissões televisivas. "O carioca segurava o 's' nas transmissões, era um sotaque de locutor. Tinha um registro específico que eu ouvi bastante até pegar."

"Foi muito difícil construir um tom de uma época e um registro tão específico, inclusive o vocabulário."

Se a pesquisa não foi fácil, ao menos Adnet não precisou se submeter ao mesmo processo de transformação física que os atores que viveram os jogadores da Seleção. "Foi muito bom fazer um personagem fictício, porque eu não precisei ficar parecido com ninguém. O nosso Pelé, o Lucas Agrícola é o Pelé! Todos são muito parecidos, então eu me livrei disso de ficar colado em alguém."

Criada por Naná Xavier e Rafael Dornellas e com direção de Pedro e Paulo Morelli, Brasil 70: A Saga do Tri chega à Netflix em 29 de maio.

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