Do Marajó para o mundo: Mestre Damasceno e os Nativos Marajoara lançam ‘Chegou Meu Boi’

O novo trabalho autoral segue a tradição marajoara, com carimbó, toadas de búfalo-bumbá e um banguê

Thainá Dias

Da Ilha do Marajó para o resto do mundo, Mestre Damasceno e o Conjunto de Carimbó Nativos Marajoara lançam seu novo álbumChegou Meu Boi” na próxima sexta-feira (14) em todas as plataformas digitais de música. O trabalho segue a tradição marajoara, com carimbó, toadas de búfalo-bumbá e um banguê. O projeto, que foi financiado, por emenda parlamentar da deputada estadual Marinor Brito, dá continuidade ao trabalho emblemático do artista nas terras amazônicas e totaliza onze músicas especiais. O show de lançamento será no sábado (15), a partir das 20h no Espaço Cultural Apoena.

Segundo Mestre Damasceno, “a ideia surgiu mais uma vez com intuito de escrever sobre nossa cultura popular maravilhosa”. O artista explica que são novas canções com potencial para grandes sucessos. “Desejamos cada vez mais que nosso público se apaixone pelo nosso trabalho, porque é tudo feito para eles. Nossa mensagem deve passar para nossas crianças e jovens, para que desenvolvam um trabalho igual ao nosso, para que aprendam com a natureza”, destacou.

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O produtor musical, Guto Nunes, responsável pelo andamento do novo trabalho, afirmou que é um trabalho minucioso. “Esse é o terceiro trabalho que produzimos do Mestre Damasceno. Nós estamos mantendo a materialização das obras desse artista, fazendo shows de lançamento, divulgando nas mídias sociais, fazendo o cadastro das letras, então é todo um trabalho atrás do lançamento”, explicou.

Guto disse ainda que a produção preza pela arte. “Unido a tudo isso, ainda usamos da arte visual do nosso querido Noberto Ferreira para dar ainda mais cor e beleza ao nosso trabalho”. Ainda de acordo com o produtor, é um trabalho coletivo, de muitas mãos que somam e resultam em um trabalho magnifico e cheio da cultura paraense.

“São vinte anos ao lado desse ícone, então a gratidão é imensa. É um artista incansável dentro da nossa cultura”, celebra o produtor. Nesse novo álbum, as músicas são inteiramente autorais e exclusivas do Mestre e do conjunto Nativos Marajoara. “A escola ganhou inúmeros admiradores no Estado do Pará e no Marajó, e nós também ganhamos um hino que jamais será esquecido, porque ele fala sobre os marajoaras em cada verso”, diz a nota de agradecimento.

"A delegação de Mestre Damasceno escutou de integrantes da escola que o carnaval é para quem tem história. E a Paraíso do Tuiuti representou, na Avenida, de forma muito bela, a história do nosso contador de histórias do Marajó! Precisaremos de muito tempo para conseguir expressar toda a nossa gratidão!”, disse ainda o comunicado de Mestre Damasceno.

Trajetória

Damasceno Gregório dos Santos, ou como é mais conhecido, Mestre Damasceno, celebra 50 anos de atuação na cultura popular em 2023. Oriundo do quilombo de Salvá, localizado no município de Salvaterra, ilha do Marajó, tornou-se pessoa com deficiência visual aos 19 anos, devido a um acidente de trabalho. É cantor e compositor de toadas de boi-bumbá, de carimbó, xote, samba e brega.

O artista já participou de algumas gravações coletivas, como no CD Salvaterra Canta Carimbó (1999), gravando quatro músicas, entre elas, a canção Pescaria, com o Mestre Ronaldo Silva; em 2013 gravou o CD Poesia e Reflexões, com 11 canções (projeto de uma escola municipal de Salvaterra). Em janeiro de 2023, Mestre Damasceno lançou o Álbum Búfalo-Bumbá, com participação especial de Felipe Cordeiro e Luiz Pardal.

Em fevereiro deste ano, o artista foi homenageado pela Escola de Samba Paraíso do Tuiuti, no Carnaval do grupo especial do Rio de Janeiro, juntamente com o seu Búfalo-Bumbá. A escola ficou na oitava posição da competição, mas a equipe de Damasceno destacou, em suas redes sociais, o sentimento de gratidão aos sambistas cariocas da agremiação. 

Damasceno tem nove filhos e se descreve como um pai presente e carinhoso. Foi criado pela avó, Raimunda Ramos, que lhe ensinou poesia. Neto de uma indígena e de um homem negro, que foi escravizado e vendido no mercado do Ver-o-peso, em Belém, brincou de boi-bumbá quando criança, e aos 19, se tornou colocador, como são chamadas as pessoas que organizam a brincadeira nos municípios amazônidas e paraenses.

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