CONTINUE EM OLIBERAL.COM
X

Dia Nacional do Choro apresenta jovens instrumentistas paraenses que mantêm vivo legado dos chorões

O cenário do choro no Pará ganha novos contornos com o protagonismo de jovens mulheres, como Mariana Raiol e Eduarda Reis, mas preserva o legado de chorões paraenses

Bruna Dias Merabet
fonte

O choro, que une 7 cordas, cavaquinho, flauta e bandolim em um misto de alegria com melancolia, é celebrado neste dia 23 de abril. A data, que marca o Dia Nacional do Choro, faz referência ao nascimento de Pixinguinha, mestre da flauta e do saxofone que consolidou o gênero como o primeiro ritmo urbano do país.

Paulinho Moura, músico e coordenador do projeto Choro do Pará, desempenha um papel fundamental na disseminação do gênero no Estado há 20 anos. Sediada na Casa das Artes, em Belém, a iniciativa funciona como uma escola de ensino gratuito que celebra a música popular brasileira desde 2006. O projeto promove oficinas de instrumentos de cordas, sopro e percussão voltadas para iniciantes e profissionais. As atividades culminam em rodas de choro e apresentações da Orquestra Choro do Pará, que valorizam tanto as composições clássicas quanto o repertório local.

“O gênero se torna importante no Pará a partir de vários processos, como uma casa dedicada a esse gênero e uma escola de moldes informais, o que fez surgir vários grupos, como o grupo só de meninas, que é o Charme do Choro, que está completando 20 anos também. No dia 7 de dezembro está completando 20 anos o próprio grupo Charme do Choro, e vários outros grupos. Como você vê, tem até um grupo de Mosqueiro, Choro com Café, que foi fundado pelo Jorge Bindola, que foi aluno do Choro do Pará desde o primeiro ano”, explica Paulinho Moura.

VEJA MAIS

image Mestre Vieira completaria 90 anos nesta terça (29); confira o 1º choro gravado por ele
Instrumentista, referência para músicos dentro e fora do Pará, Vieira nasceu em outubro de 1934 e faleceu em fevereiro de 2018

image Salve Jorge: 23 de abril é comemorado o Dia do Choro e do Santo Guerreiro
O músico Diego Xavier fala do cenário do choro no Pará e no Brasil

image Carta, choro e surpresas: Fafá de Belém 'adota' equipe feminina de vôlei do Marajó
Cantora se emociona e se solidariza com email enviado pela equipe de Breves, no interior do Pará, e decide doar materiais para treinos e auxílio mensal

O músico e professor desenvolveu sua paixão pelo choro ainda na infância, antes mesmo de compreender as complexidades da vida. Quando criança, mesmo sem identificar tecnicamente o gênero, ele ouvia discos de choro ao lado de seu pai, o que deu início à sua trajetória como admirador do ritmo. Aos 11 anos, ao ganhar sua primeira viola, começou a produzir os primeiros sons, ingressando na prática dessa ciência musical que considera o primeiro gênero genuinamente forjado no Brasil.

“O papai colocava os discos de choro, colocava na época, inclusive foi o que me fez gostar em 1978. Identificava o disco pelo selo que tinha, sem saber explicar ao certo qual era. A partir daí ficou marcado aquilo, depois quando comecei a tocar violão ficava fazendo solinhos e comecei a me interessar ainda mais quando vi um grupo de choro na televisão”, relembra.

Como foi citado por Paulinho Moura, hoje já existem diversos grupos de choro pelo Pará, muitos deles criados a partir de alunos do projeto Choro do Pará. Mariana Raiol e Eduarda Reis aprenderam a amar o choro ainda na adolescência; com 20 e 18 anos, respectivamente, hoje elas fazem parte do grupo Choro com Café, de Mosqueiro, Região Metropolitana de Belém.

A bandolinista Mariana Raiol percorreu um caminho de descoberta musical, passando por diversos instrumentos até encontrar o seu preferido, apresentado pelo professor Paulo Jorge. Inicialmente focada no violão popular, Mariana foi introduzida ao universo do choro durante suas aulas, momento em que conheceu o grupo formado por seu professor. Embora ainda não integrasse o conjunto Choro com Café naquela época, o contato com o gênero despertou nela o desejo de explorar e aprofundar seus conhecimentos sobre essa vertente da música brasileira.

“Com o bandolim encontrei mais recursos e mais flexibilidade em aprender um choro, apesar de nunca ter feito aulas específicas com alguém que toque e ensine. Tive meu professor que, mesmo não tendo domínio do instrumento, me mostrou as possibilidades e ao que eu deveria dar importância. E desde lá eu venho tentando me podar, atendendo repertórios dos clássicos do choro”, relembra.

Mariana sempre colocou a música em um papel importante na sua vida e o choro como resistência, além de entender que ela pode ser uma referência para que jovens possam ser vistos nesses espaços.

“Acredito que a nova geração enxergue esse patrimônio como uma riqueza histórica, seja pela variedade das notas ou pela beleza das melodias, mesmo às vezes não sendo fácil entendê-las. O choro se mostra vivo, um tanto difícil de ser apreciado, mas ao mesmo tempo pulsante. As dificuldades do choro nos impulsionam a querer ser melhores, a sempre ter o que aprender, a tocar por amor e porque gostamos. A gostar não porque é o que a maioria quer ou gosta, e sim porque é o que nos faz bem e nos faz felizes”, pontua.

A violonista Eduarda Reis é uma das artistas que compartilha o encantamento pelo choro por meio do violão de 7 cordas. Esse instrumento diferencia-se do modelo tradicional pela presença de uma corda grave adicional, geralmente afinada em Dó ou Si, que permite a criação de contrapontos conhecidos como "baixarias". Popularizado no choro e no samba, o violão de 7 cordas é utilizado tanto para acompanhamento quanto para solos, conferindo maior profundidade à harmonia. No contexto do choro, o instrumento costuma utilizar cordas de nylon e é frequentemente tocado com o auxílio de uma dedeira.

“Escolhi o violão de 7 cordas porque sempre achei bonita a sonoridade dele e sempre me interessei pelas baixarias e pelos fraseados que existem no choro. Penso bastante em crescer e poder tocar em outros estados do Brasil ou até mesmo em outros países, para poder mostrar como o choro é um gênero musical tão pouco valorizado, porém um dos gêneros mais bonitos da música brasileira”, destaca.

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Cultura
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS EM CULTURA

MAIS LIDAS EM CULTURA