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Designer paraense Carlos Alcantarino fala da importância do mundo conhecer a cultura amazônica

Em entrevista exclusiva a O Liberal, o designer fala que temos muito a aprender com os povos originários da região

Sonia Ferro

O designer Carlos Alcantarino abriu na última sexta, 20, em Belém, a exposição “Caboclos da Amazônia - Arquitetura, Design e Música”. O trabalho de arte contemporânea é uma amostra do quanto o design está presente no dia a dia. No caso da região amazônica, são cores e formatos vistos como únicos e fora do padrão sulista. A diferença está na relação estabelecida entre o homem, suas construções e a paisagem que por aqui é formada por florestas e rios.

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Nesta entrevista exclusiva, o designer paraense, radicado no Rio de Janeiro há quarenta anos, fala sobre a construção dessa percepção. E também sobre como essa relação entre o homem amazônico e o meio ambiente podem contribuir muito para que o design, a arquitetura, a engenharia e o paisagismo sejam cada vez mais intermediários da sustentabilidade que muito se fala no mundo. A exposição ficará aberta até o dia 19 de junho no estacionamento do Centro Social de Nazaré.

- Quando falávamos sobre arquitetura e design há alguns anos, soava como algo inacessível, mas de um tempo pra cá, percebemos que são termos que estão mais presentes na mídia. De fato, houve essa popularização do design no Brasil?

Sem dúvida. Eu acho que de alguns anos pra cá, começou a se falar sobre design aqui no Brasil. Eu mesmo sou fruto disso porque eu nasci em Belém, estudava engenharia aqui e não existia design nessa época. Na minha primeira exposição, como experiência em design, eu fiz numa balsa porque eu quis tirar qualquer ranço sobre a exposição de design ser uma coisa elitizada. Por isso que eu coloquei a exposição numa balsa para tornar o design acessível a todos. A gente era engenheiro, advogado, dentista, mas não design. Eu acho que de um tempo pra cá, isso mudou. Primeiro que houve uma série de faculdades que começaram a aparecer. Depois, a própria importância do design por si. As empresas começaram a ver que o design era importante. Junto com essas faculdades, com essas universidades, veio uma série de estudantes, de jovens interessados no design que se formaram. Com isso, o design passou a ajudar no desenvolvimento da indústria, por exemplo. No início, se falava que se copiava muito, mas o design brasileiro começou a evoluir cada vez mais e ganhar prêmios. Começamos a interagir com o resto do mundo. Hoje, realmente, o design está cada vez mais popular.

- Estás com a exposição “Caboclos da Amazônia - Arquitetura, Design e Música”, montada em Belém e que traz as tuas referências da paisagem amazônica. Quais são elas?

 As construções/arquitetura/designs dos povos da floresta e ribeirinhos são feitas por elementos e adequadas ao entorno em que vivem. Estamos vivendo um momento de reflexão sobre preservação do meio ambiente e de culturas. O que temos a aprender com a Amazônia?

Com relação às paisagens amazônicas, eu acho que o projeto do caboclo da Amazônia começou quando eu me dei conta da grandiosidade, da beleza das nossas paisagens. Em um passeio de barco no Combu, eu achei aquilo de uma exuberância tão grande. Quanto mais eu voltava, mais eu gostava do que eu via. É uma floresta única aquilo! É um paisagismo incrível. Não existe outro lugar no mundo com esse tipo de paisagismo, com esse tipo de beleza, de grandiosidade.

Então, eu colocaria isso como o início de todo o processo do meu trabalho nesse projeto. Há uma arquitetura cabocla, do ribeirinho. A floresta é o grande ambiente e as casinhas são apenas coadjuvantes porque o principal ali é a grandiosidade da floresta, dos rios. Eu acho que as casas se inserem de uma maneira tão incrível que, realmente, é como se fizessem parte daquilo ali. Aquela simplicidade, aquela pureza de estilo combina com a floresta.

Exposição "Caboclos da Amazônia - Arquitetura, Design e Música" (João Alberto Agência Rizoma)

- Muito se fala sobre a preservação da região amazônica. Como a arquitetura e o design podem ajudar?

A  Amazônia se tornou um assunto internacional. Todo mundo fala de Amazônia. Então, o nosso projeto quer trazer um pouco do que o povo da Amazônia, o povo original da Amazônia, o povo mais simples da Amazônia oferece de resultado enquanto ser aqui. A gente está falando da arquitetura deles, dos objetos que eles criam, da música, desses ritmos que embala esse lugar. Ou seja, nós estamos falando de uma cultura. E essa cultura é que eu acho que ainda é muito pouco conhecida. Muitos falam em floresta, devastação de floresta, de socioambiental, de ecodesign, mas o que o caboclo, o original daqui dessa região, produz, pouco se fala. E um dos motivos da gente realizar essa exposição é exatamente valorizar esse processo.

-  Pra ti, qual o princípio básico do design/arquitetura que devemos estar atentos antes de começar qualquer projeto?

A arquitetura e o design são fundamentais nesse processo de preservação da região. Primeiro, o design enquanto metodologia já utiliza a tecnologia em prol de uma sustentabilidade. Por si só, a própria definição do design já condiz com isso aí. Uma otimização de processo, de tecnologia. Então ele pode contribuir muito para a preservação da natureza através, por exemplo, do tipo de materiais utilizados e da otimização desses processos. E a arquitetura, idem. Ela tem que se adequar ao habitat em que ela está inserida e não ao contrário. Então, é muito importante que tanto o design quanto a arquitetura se integrem ao meio ambiente e não destruam o meio ambiente, que deem as mãos e vão juntas nesse processo de preservação.

Exposição Caboclos da Amazônia - Arquitetura, Design e Música (João Alberto / Agência Rizoma)

- És um designer de sucesso, morando no Rio de Janeiro há quase quarenta anos. Quais dicas darias para quem está começando nessa área?

Eu acho que o principal e mais difícil de tudo não é desenhar. Isso você aprende na escola. O mais importante é saber olhar. Não é apenas enxergar. É olhar atento, procurar entender o que está acontecendo, o porquê daquilo ali. Aquilo ali vai se transformar em uma série de referências para você. Então, é você saber olhar e transformar isso em referência na sua vida.

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