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Curtas filmados no Pará concorrem a prêmio no 50º Festival de Gramado

“Benzedeira” e “Socorro” concorrem a melhor curta-metragem no tradicional festival de cinema

Vito Gemaque

Dois curtas-metragens filmados no Pará estão concorrendo no 50º Festival de Cinema de Gramado, na categoria curtas brasileiros. Os filmes no estilo documentário “Benzedeira” e “Socorro” foram exibidos essa semana e atraíram a atenção do público e da crítica por tocarem em temas sensíveis da atualidade. A premiação será na noite de hoje (21).

“Benzedeira” tem direção compartilhada entre Pedro Olaia e San Marcelo. A obra aborda assuntos como a identidade de gênero, a ancestralidade e a defesa do meio ambiente. Já “Socorro”, da premiada documentarista Suzana Lira, fala um pouco sobre a vida da defensora de direitos humanos de Barcarena, Socorro do Burajuba, quilombola e líder comunitária.

Segundo o crítico de cinema paraense do Grupo Liberal, Ismaelino Pinto, que é júri no festival, ambos os filmes foram bem recebidos pela crítica e pelo público. “A recepção foi boa. Nessa edição a curadoria tentou dialogar com temas atuais, com a representatividade, seja de qualquer vertente. Todos os dois filmes passam por essa questão ambiental, e também são filmes de afirmação de uma identidade cultural, que chamamos hoje de ancestralidade”, enfatiza Ismaelino.

Ele ressalta ainda a ampliação da representatividade com filmes de quase todos os Estados brasileiros. Além dos filmes paraenses, a região Norte possui uma animação de um coletivo do Amapá e outra obra do Amazonas. “Isso é uma coisa que nunca aconteceu no Festival”, ressalta.

O crítico destacou ainda a importância de editais e leis de incentivo que propiciaram a produção das duas obras paraenses. “A importância de manter esses editais para o audiovisual e para a produção do cinema independente é muito importante”, assegura.

De acordo com a sinopse, “Benzedeira” é um filme que “imerge no universo da benzedeira Maria do Bairro que escolheu o silêncio para dividir a sabedoria que lhe foi confiada. Manoel Amorim, conhecido como Maria do Bairro, a bicha preta conhecedora de ervas e benzedor, se dedica à cura do corpo e da alma de quem a procura". O filme foi gravado na cidade de Bragança, nordeste paraense.

“Por ser um personagem forte, que é praticamente desconhecido, do interior de Bragança, chamou muito a atenção do público e da crítica. Ela traz consigo todas essas práticas das benzedeiras antigas, e também faz um trabalho de preservação”, completa o crítico.

O outro curta “Socorro”, que também toca em temas parecidos como ancestralidade e a defesa do meio ambiente, tem no título a expressão dos problemas da Amazônia. “Socorro” é um grito de ajuda para preservar o meio ambiente e as populações tradicionais da região através da história da líder comunitária Socorro do Burajuba, do município de Barcarena, nordeste do Pará. Ela tem sido uma das principais lideranças populares a lutar pelo ressarcimento dos danos causados por acidentes ambientais recorrentes em Barcarena.

“Ela encabeça o movimento em Barcarena dentro dos quilombolas que lutam contra essa depredação do meio ambiente, através desses vazamentos de rejeitos da mineração de bauxita”, diz. “É um filme forte! Ela como qualquer outra ativista está na lista de pessoas ameaçadas, sofre perseguição muito forte contra si e sua família”, explica Ismaelino.

Na avaliação do crítico paraense ambos os filmes tem chances de ganhar o prêmio de melhor curta brasileiro do Festival de Cinema de Gramado. Os diretores de “Benzedeira” foram convidados a participar do Infinitte Film Festival, realizado em Miami (EUA), que ocorre em setembro deste ano.

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