Com o tema 'Rēdawa Ancestral', festividade do Sairé destaca território e ancestralidade em 2026

Coordenação afirma que lema reforça a relação do povo Borari com a terra, a espiritualidade, a memória e a preservação cultural

O Liberal
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A festividade do Sairé 2026 terá como tema central 'Rēdawa Ancestral', lançado no último domingo (19). A proposta coloca o território no centro da celebração, reafirmando a profunda relação do povo Borari com a natureza, a espiritualidade, a memória e a identidade cultural.

O lema parte da compreensão de que o território transcende os limites geográficos. Ele é entendido como uma rede de relações que conecta a terra, as águas, a floresta, a ancestralidade, a cultura e os modos de vida do povo Borari.

Segundo Maria Eulália, coordenadora de comunicação do Sairé, o tema reflete a concepção histórica do povo Borari. Para eles, o território é parte essencial da existência coletiva e espiritual. Ela explica que "no Sairé, o território nunca foi apenas um espaço geográfico."

"Para o nosso povo, ele é um organismo vivo onde habitam a memória dos mais antigos, a força da natureza, a espiritualidade e os ensinamentos transmitidos entre as gerações. É aqui que reconhecemos nossa identidade e reafirmamos quem somos", declarou a coordenadora.

Rito Tradicional de 2026 expressa conexão ancestral

Essa profunda compreensão do território ancestral estará presente em todos os momentos do Rito Tradicional de 2026, conforme Maria Eulália. As celebrações anuais continuarão a expressar a ligação da comunidade com sua terra e raízes.

Entre os elementos que manifestarão essa conexão estão:

  • A procissão;
  • As ladainhas;
  • A condução do Arco do Sairé;
  • As rezas e os cantos;
  • Os gestos simbólicos.

Preservação territorial: defendendo a cultura e a fé

O tema "Rēdawa Ancestral" também busca ampliar a compreensão do público sobre a importância da preservação territorial. A coordenadora explica que defender o território vai além da geografia.

Segundo ela, "Rēdawa Ancestral convida todos a compreender que defender o território é também preservar a cultura, a fé, a língua, a memória e os conhecimentos que sustentam a existência do povo Borari".

Sincretismo religioso é pilar do Sairé

Um aspecto central do Sairé, que o marca há mais de três séculos, é o sincretismo religioso. A festa dialoga entre a espiritualidade indígena e a tradição católica, permanecendo como um de seus principais elementos.

Maria Eulália ressalta que "a nossa festa é, por essência, uma manifestação de encontro. Há mais de trezentos anos, reúne a tradição católica trazida pelos missionários e a espiritualidade ancestral preservada pelo nosso povo Borari."

Ela complementa que "esse diálogo não representa uma substituição de crenças, mas uma convivência construída ao longo do tempo, onde diferentes formas de compreender o sagrado encontram espaço para coexistir".

A coordenadora observa que a presença dos ancestrais e dos encantados se associa à continuidade da vida e à memória coletiva. Também está ligada à relação espiritual com o território.

Paralelamente, o rito mantém práticas católicas como as ladainhas, as orações e a devoção à Coroa do Divino Espírito Santo.

Maria Eulália destaca que "essas dimensões não se anulam; elas se complementam e revelam a identidade singular do Sairé". O tema reafirma o sincretismo como patrimônio cultural e espiritual.

"O rito reconhece que a fé é um território de encontros, onde o respeito às diferentes expressões do sagrado fortalece a comunidade", conclui a coordenadora.

Território indígena: um compromisso com a vida

Para além das dimensões religiosa e cultural, o tema dialoga com o debate sobre a defesa dos territórios indígenas. Ele também aborda os modos de vida tradicionais.

A principal mensagem da edição de 2026, segundo a coordenadora, é clara: a preservação do território está diretamente ligada à continuidade da vida.

Maria Eulália enfatiza: "A principal mensagem é que não existe futuro sem território. Cuidar da floresta, das águas, da cultura e da memória é um compromisso coletivo que ultrapassa o povo Borari e diz respeito a toda a humanidade".

O Rito Religioso de 2026 pretende convidar moradores, integrantes da Corte do Sairé, parentes indígenas e visitantes. O objetivo é que todos reconheçam o território como uma herança a ser protegida.

Para a coordenadora, o Sairé transcende a celebração de uma tradição centenária. Ele reafirma que a cultura é um instrumento de resistência, de esperança e de continuidade.

Ela finaliza: "'Rēdawa Ancestral' recorda que nossos ancestrais permanecem vivos em cada canto, em cada gesto, em cada reza e em cada caminhada feita em defesa do território."

"Ao participar do rito, cada pessoa é convidada a reconhecer que proteger a terra é também proteger a memória, a identidade e a possibilidade de um futuro onde diferentes povos possam continuar existindo com dignidade e respeito", conclui.

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