Curta-metragem 'Pássaros' mistura clássica expressão popular com crítica social

A peça pensada para ser apresentada no teatro para 400 pessoas precisou ser adaptada para o audiovisual por causa da pandemia do novo coronavírus

Vito Gemaque

Inspirado na cultura popular dos pássaros juninos, o curta-metragem “Pássaros”, adaptação do musical teatral “Pássaro Inquieto”, chega à plataforma Youtube na próxima sexta-feira, dia 26. 

A obra utiliza os espetáculos de melodrama-fantasia dos pássaros juninos como referência para trabalhar a crítica social da colonização. A peça pensada para ser apresentada no teatro para 400 pessoas precisou ser adaptada para o audiovisual por causa da pandemia do novo coronavírus. O filme estará disponível no canal do Youtube da produtora Maíri.

Com a direção de Jesus Maia e Lucas de Castro, que também assina o roteiro, a trama se passa na antiga terra de Ybirá, onde a princesa Helena de Arandis (Marcela Alves) e o Guerreiro Taiguara da etnia Maíri (Vagner Mendes) embarcam em uma jornada para recuperar o que lhes foi tirado, mas descobrem que o mundo inteiro está preste a mudar.

Os Maíris são os primeiros habitantes de Ybirá, com uma sabedoria e conexão com a floresta terão que resistir às investidas da família Arandis, uma parte da família real de Ourém, que se mudou para comandar o processo de colonização.

O povo Mairí protagoniza a história de 'Pássaros' (Divulgação)

Dom Abelardo (Yuri Wariss) é o irmão mais novo do Rei de Ourém e foi designado a governar a recém fundada colônia. Dona Constança (Helena Bastos) é sua esposa e mãe da princesa Helena (Marcela Alves) e príncipe Jeoaquim (Yuri Avelar).

“A concepção original do projeto era para ser uma peça musical, não era audiovisual. Isso veio pelas dificuldades da pandemia, resolvemos migrar a exibição”, explica o criador, produtor e diretor Lucas de Castro. O autor que é brincante em um pássaro junino desde 2017 ressalta que a obra não é uma clássica opereta popular, mas uma adaptação com forte influência nos 'pássaros'.

“A peça inicialmente se chamava 'Pássaro Inquieto', era a nossa autoidentificação como indivíduos paraenses. Eu criei um universo fantástico que fala tanto dos pássaros juninos, quanto aborda as questões sociopolíticas, que não são características dos pássaros, por ser melodrama-fantasia voltado para públicos familiares. Os pássaros são uma manifestação popular de resistência, onde majoritariamente os brincantes lutam para continuar com o pássaro. Porém, nos enredos não se costuma abordar esse tipo de temática da colonização, da relação entre colonizadores e os povos indígenas”, explica.

A equipe técnica formada por Beatriz de Oliveira (assistente de direção), Karina Castro e Taynara Garcia (Dir. coreográficas), Leno Ávila (Dir musical) e Murilo Ferreira (preparador de elenco), junto com Jesus e Lucas ensaiou um elenco de 23 pessoas, desde setembro de 2020 até janeiro de 2021.

A família Arandis, do curta 'Pássaros' (Divulgação)

O cronograma foi pensado por núcleos para com o limite de 5 ou 7 pessoas por ensaio, respeitando o distanciamento e o uso de máscara. As gravações ocorreram no começo de fevereiro, junto com o processo de edição e finalização.

A atriz Marcela Alves, 25 anos, que interpreta a princesa Helena, também verá o resultado do trabalho junto com o público. Para produzir a obra de 30 minutos, os produtores precisaram adaptar os ensaios e filmagens às medidas de restrição da Covid-19. Cada ator somente tinha contato com o seu núcleo artístico.

“Participar de algo inspirado em nossa cultura, nossa gente e história, é diferente, existe uma empatia. Para mim foi uma experiência muito legal, porque é um roteiro original, do Lucas e com direção do Jesus, mas é uma história paraense. No tempo que faço teatro nunca tinha feito algo do tipo, tem músicas originais para o espetáculo, arranjos originais, o processo de criação muda o tom da música, muda a movimentação da cena. Nesse momento de pandemia a arte é uma fuga, uma forma da gente estar saindo um pouco da realidade que estamos vivendo”, assegura Marcela.

Lucas Castro conta que, em conversa com os demais diretores, a parte mais difícil foi não ter todo o elenco junto. “É ainda mais desafiador manter a mesma energia, trabalhando por núcleos. O trabalho de corpo e canto foi muito intenso, eles usavam máscara o tempo todo, cansavam mais rápido, mas ainda assim conseguiam se divertir, transformar o ambiente e os ensaios em algo leve. Nós valorizamos muito os nossos artistas e foi um prazer trabalhar com esse elenco”, concluiu Lucas.

O projeto foi contemplado pelo Prêmio Preamar de arte e cultura – Produção e Circulação no ano de 2020. Com o objetivo de ser acessível, sua exibição terá legendas CC e audiodescrição, além de disponibilidade gratuitamente na internet. Além da exibição, a produtora Maíri fará uma oficina nos dias 23, 24 e 25 de fevereiro, das 18h00 às 20h30, no Teatro de Apartamento  - Tv. Soares Carneiro, 826 - Umarizal, Belém. Para se inscrever os interessados devem entrar no Instagram da produtora @mairiprodutora.

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