Ator suíço Bruno Ganz, que interpretou Hitler, morre aos 77 anos

As cenas de "A Queda", protagonizado por ele, viraram memes. O filme foi indicado ao Oscar 2005

Com informações da Reuters

Bruno Ganz, o ator suíço que interpretou Adolf Hitler no filme "A Queda: As últimas Horas de Hitler" (2004), indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 2005, morreu de câncer na casa dele em Zurique no último sábado, 16, aos 77 anos, disse o agente dele.

Ganz foi ativo em teatro de língua alemã, cinema e televisão por mais de 50 anos e ganhou o Iffland-Ring, prêmio mais importante para os atores de língua alemã.

"A Queda não levou o Oscar, mas sim o Prêmio Goya de Melhor Filme Europeu, em 2006. Nessa interpretação, Ganz foi reconhecido como Melhor Ator no Prêmio do Cinema Europeu e no Prêmio do Cinema Alenão, de 2004 e 2005.

"Um dos atores mais importantes de nossos tempos, seu brilhante trabalho permanece. Nós choramos com a família e amigos de Bruno Ganz", disse o ministro alemão de Relações Exteriores, Heiko Maas, no Twiter.

Filho de pai mecânico suíço e de mãe italina, Ganz cresceu em Zurique e decidiu se tornar ator após um técnico de iluminação permitir que ele entrasse em um teatro local.

Não foi um caminho fácil, com a família se opondo à escolha de carreira. Quando adolescente, Ganz abandonou a escola para participar de aulas noturnas de atuação em Zurique, onde também trabalhou como livreiro e treinou como paramédico.

No início dos anos 1960, Ganz deixou a Suíça para trabalhar em teatro na Alemanha e, a partir da década de 1970, atuou no teatro Schaubuehne, em Berlim.

Ele ganhou elogios por suas atuações, incluindo no cinema, onde trabalhou com renomados diretores alemães como Wim Wenders, Werner Herzog e Volker Schloendorff.

Um de seus papéis mais famosos surgiu quando ele interpretou Hitler no filme "A Queda", de 2004, que dramatizou os últimos dias do ditador nazista no bunker de Berlim, uma das primeiras tentativas da Alemanha de caracterizar o führer no cinema.

Ganz retratou Hitler como um louco delirante, mas também como uma figura paterna sofrendo da doença de Parkinson. Os delírios continuaram a aparecer em muitas paródias da internet.

Imergir-se no papel de Hitler afetou o ator, que mais tarde admitiu ter sido assombrado por seu retrato por um longo tempo.

"Eu tenho a tendência de me identificar com meus papéis de tal forma que pareço estar totalmente convencido sobre certas afirmações que, na vida real, eu nunca acreditaria", disse Ganz.

Ele também continuou a trabalhar no palco, interpretando papéis clássicos como "Faust" e "Hamlet", além de aparecer em filmes como "O Leitor", "O Candidato da Manchúria" e "A Árvore da Vida".

Mas ele perdeu por pouco alguns papéis, incluindo o personagem principal ao lado de Julia Roberts em "Uma Linda Mulher", que foi para Richard Gere. Ele também foi rejeitado por Steven Spielberg para o papel principal na "Lista de Schindler", vencedor do Oscar.

Intensamente privado, ele evitou Hollywood. Casou-se uma vez, separou-se da esposa com quem teve um filho e morou em Zurique, Berlim e Veneza.

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