Chico César e Zeca Baleiro lançam álbum ‘Ao Arrepio da Lei’ e confirmam show em Belém

Em entrevista ao Grupo Liberal, os dois falaram sobre a criação das músicas e a relação com o Pará

Abílio Dantas
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Dois jovens compositores, um paraibano e o outro maranhense, chegaram em São Paulo entre os anos 80 e início dos 90, dividiram apartamento e começaram juntos a vida de artistas. Após 30 anos de amizade, duas carreiras consolidadas na música brasileira e muitos hits, a dupla sai em turnê pelo país para divulgar o primeiro álbum totalmente feito em parceria.

Chico César e Zeca Baleiro lançam "Ao Arrepio da Lei"

Parece roteiro de cinema, mas é exatamente essa a trajetória de “Ao Arrepio da Lei”, show e disco de Chico César e Zeca Baleiro, cujas canções já podem ser escutadas em todas as plataformas digitais. Em entrevista exclusiva ao Grupo Liberal, via mensagens de WhatsApp, os dois falaram sobre a criação das músicas e confirmaram: a turnê chega a Belém em novembro deste ano.

O disco veio a público no dia 1º de março, dois anos após anunciarem o primeiro disco a dois com o single duplo Lovers + Respira, em 2021. Do total de 20 canções compostas, foram escolhidas 11: Ao Arrepio da Lei, Bardo, Respira, Mocó, Narcisos, Verão, Lovers, Néon, Beije-me Antes, Dislike e Aglomerar. A seleção, segundo Chico César, foi “espontânea e orgânica”.

“Creio que encontramos as canções mais potentes no seu conjunto, porque às vezes a canção é boa, mas não cabe em um conjunto específico. O próprio disco ele vai se alinhando. E com esse disco não foi diferente. Nós tínhamos várias canções prontas ou quase prontas. Algumas a gente acabou dando uma burilada na letra, já no momento de gravar. A seleção final foi feita vendo o que soava mais potente”, detalha.

Apesar de serem autores que tratam de temáticas semelhantes em seus trabalhos, como relacionamentos na era digital e observações sobre a vida nas cidades, Chico e Zeca não combinaram antes de compor quais seriam as temáticas de “Ao Arrepio da Lei”, como explica também Chico César. “Nunca houve um diálogo sobre os assuntos dos quais as canções tratariam. Uma mandava um pedaço para o outro via internet, já que estávamos na pandemia, não nos encontrávamos fisicamente; e o outro continuava, escrevia um pouquinho, mandava de volta para o outro. Isso normalmente já ia indo junto letra com música. Um mexia no que o outro escreveu, mudava. Um mudava a harmonia que o outro começou. Nós trabalhamos com muita liberdade”, revela.

A construção de álbuns tem sido uma característica dos dois em suas carreiras individuais, que atravessaram o tempo e os fizeram referências para compositores mais jovens, como o paraense Felipe Cordeiro e os pernambucanos Almério e Martins. Para Zeca Baleiro, é curioso observar a passagem do tempo. “É engraçado, né? Num dia você é fã, no outro é ídolo; uma hora você é aprendiz e com o tempo os jovens passam a te chamar de mestre (risos). É curioso! Mas é muito bom e rejuvenescedor trabalhar com artistas das novas gerações, nos faz bem”.

Para Chico César, foi também a capacidade de transitar no tempo que fez com que os amigos atravessassem as décadas capazes de ainda criar juntos. “Acho que eu e o Zeca sempre tivemos a percepção do que nós temos em comum. De que nós somos artistas da mesma geração. Inclusive, respeitando o que não temos em comum, o que temos de diferença. Temos consciência de que temos algo identitário, que somos nordestinos, dos anos 90, com o olhar no mundo. Nordestinos que não queriam ser lidos somente como regionais. Nordestinos que beberam na Vanguarda Paulistana, sendo pós-tropicalistas, que beberam no rock nacional”, destaca. E os dois possuem também, em comum, uma forte ligação com Belém.

“Olha, o Pará mora no nosso coração. É um dos estados mais calorosos do país, sem trocadilhos (risos). Tenho parentes aí e grande amigos também. Suponho que o nosso show em Belém será uma festa. Fizemos dois shows no Sul já - Curitiba e Florianópolis -, que foram verdadeiras celebrações. Esquentou nosso coração. Em novembro, chegamos a Belém”, anuncia Zeca Baleiro.

O músico Swami Jr., que já havia trabalhado com Chico e Zeca em shows e discos, foi convidado a produzir o álbum, que ainda tem uma canção produzida por Érico Theobaldo (“Lovers") e outra por Alexandre Fontanetti (“Verão”). Outra parceira artística de ambos desde os anos 80, Vange Miliet, foi convidada para fazer as fotos de divulgação e para a capa do álbum, que tem projeto gráfico de Andrea Pedro.

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