Ceramistas de Icoaraci comemoram a volta do Círio e impulsionam com a produção da arte marajoara

A expectativa é grande para a recepção dos turistas

Bruna Lima

Ceramistas de Icoaraci entram no clima do Círio com suas produções personalizadas que marcam a época. E a expectativa é grande, já que depois de dois anos toda a movimentação de turismo, consumo e das procissões retornam normalmente, após os dois anos de interrupção em decorrência da pandemia do novo coronavírus. Os artesãos da Vila Sorriso se consideram prontos para o retorno e falam como anda a produção de suas artes.

A ceramista Socorro Abreu é uma das fundadoras da Sociedade de Artesãos e Amigos de Icoaraci (Soami) e diz que não só ela, mas as demais famílias de artesãos estão com boas expectativas para o Círio 2022.

"A gente está feliz e cheios de expectativa. No meu caso, a gente já vem confeccionando a coleção do Círio há alguns meses. A gente trabalha com xícaras, canetas e outros objetos fazendo a mistura da imagem da santa com os traços marajoaras", explica Socorro.

A artesã acrescenta que a movimentação é maior na semana que antecede o Círio e também a semana posterior, pois turistas de outros municípios do Pará, do Brasil e até de outros cantos do mundo movimentam não só Belém como também a Feira do Paracuri, via principal do artesanato no distrito.

Bruno Gonçalves, filho do mestre Doca Leite, diz que o Círio é o Natal dos artesãos, pois é o momento que mais conseguem comercializar com a arte que produzem. Assim como Socorro, ele também está com grande expectativa para o retorno da festividade.

Ele diz que há dois meses a oficina da família já vem se preparando com a coleção especial do Círio. Seus objetos são variados, ele produz desde a imagem de Nossa Senhora de Nazaré até pratos e entre outros objetos de decoração usando a arte marajoara como principal foco.

"Aqui na oficina a gente tem algumas parcerias e já produzimos aproximadamente 300 peças, parte dessas peças já foram distribuídas às empresas parceiras e outra parte fica na oficina para a venda dos visitantes que vêm para o Paracuri nesse momento pré e pós círio", explica o ceramista.

Socorro Abreu faz um apanhado histórico a respeito da cultura dos ceramistas em Icoaraci, que é uma cultura antiga no distrito. Ela explica que as oficinas e lojas são locais administrados por núcleos familiares e que a cultura da cerâmica geralmente passa de pai para filho.

A técnica usada pelos ceramistas é quase predominante com os traços marajoaras e isso se deve a proximidade geográfica de Icoaraci para Ilha do Marajó. "Claro que alguns artesãos usam outras técnicas, mas a arte marajoara é predominante, pois como tinham muitas aldeias indígenas no Marajó era mais fácil o contato e o aprendizado. A migração também contribuiu para que essa atividade se concentrasse aqui em Icoaraci", explica Socorro.

No caso de Socorro, ela diz que se enquadra nessa realidade, pois era moradora da ilha da ilha do Marajó e há 30 anos se mudou para o distrito de Icoacari, onde passou a praticar a técnica de arte marajoara. "Eu não aprendi a técnica em um núcleo familiar, como é mais comum, aprendi com uma amiga. E daí passei para o meu marido e hoje o sustento da minha família é com a arte marajoara", acrescenta.

Em 1995, os artesãos do Paracuri sentiram a necessidade de criar a associação em virtude de precisarem de melhorias e de infraestrutura para receberem os consumidores das cerâmicas. E foi a partir da criação da associação que conseguiram criar a Feira do Paracuri, que hoje é um ponto de trabalho e turismo focado na cerâmica marajoara.

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Cultura
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