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Betânia Arroyo lança ‘As Gêmeas do Jutuba' para celebrar a infância na Amazônia

Lançamento ocorrerá nesta quarta (13), às 17h, no Auditório David Mufarrej, da Unama, em Belém

Eduardo Rocha
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Ser uma criança no meio da Floresta Amazônica é poder construir desde pequeno uma identidade com o meio ambiente em uma região estrutural para a vida no planeta. Também é estar e crescer em um contexto de desafios gigantescos para se ter uma vida digna. É nesse cenário que se desenrola a trama do livro “As Gêmeas do Jutuba”, escrito pela professora Betânia Fidalgo Arroyo e que terá lançamento às 17h desta quarta-feira (13), no Auditório David Mufarrej, da Universidade da Amazônia (Unama), no bairro do Umarizal, em Belém. Betânia Arroyo é reitora da Unama e membro da Academia Paraense de Letras (APL).

“‘As Gêmeas do Jutuba’ (Jutuba é uma das ilhas do Distrito de Outeiro) é uma narrativa sensível inspirada nas vivências que tive como educadora nas ilhas de Belém. O livro acompanha o universo de duas meninas ribeirinhas, a Dani e a Day, suas descobertas, afetos, brincadeiras e a relação profunda com o território amazônico. Embora seja uma obra literária, ela nasce de experiências reais, memórias afetivas e histórias que conheci ao longo da minha trajetória docente. E o meu respeito à cultura local”, ressalta a autora. O livro tem ilustrações de Matheus Souza e sai pela Editora Unama.

A autora detalha o processo de construção do livro. “Nessas viagens, conheci lugares lindos, cheios de árvores altas, praias de rio e muitas casinhas simples e acolhedoras. Mas o mais especial sempre foi conhecer as pessoas: crianças curiosas, famílias generosas e cheias de histórias para contar. Muitas vezes, eu escutava essas histórias debaixo de uma mangueira, na beira do rio ou dentro de uma sala de aula de madeira, com o vento entrando pela janela".

Betânia Arroyo pondera que existe na obra uma fusão entre realidade e ficção. “A literatura me permitiu transformar lembranças e sentimentos em uma narrativa poética, capaz de valorizar a infância amazônica e dar visibilidade a personagens e contextos que muitas vezes permanecem invisíveis para grande parte do país”.

Esperança

Para a autora, ser criança nas comunidades ribeirinhas da Amazônia é viver entre belezas imensas e desafios igualmente profundos. “É crescer cercado pelos rios, pelas marés, pela cultura oral, pelos saberes da floresta e pela força das famílias que resistem diariamente às dificuldades de acesso, transporte, saúde e educação. Durante mais de 40 anos de atuação na educação, iniciei minha trajetória justamente nas ilhas de Belém e depois percorri outros territórios amazônicos, inclusive no Acre, convivendo com realidades em que chegar à escola muitas vezes significava atravessar rios, enfrentar longas distâncias e vencer o isolamento geográfico”, pontua Betânia.

“A educação, nesses lugares, chega muito além do conteúdo formal. Ela chega como presença, acolhimento, dignidade e possibilidade de futuro. Uma escola em uma comunidade ribeirinha representa esperança para muitas famílias. Ela fortalece identidades, preserva memórias e amplia horizontes. Sempre acreditei que educar na Amazônia exige sensibilidade para compreender o território, respeitar a cultura local e reconhecer que cada criança carrega consigo uma riqueza humana e cultural imensa. Meu papel como educadora tem muito disso, o de conservar uma ponte entre sonhos e oportunidades. No caso das gêmeas do Jutuba, essa narrativa vem à tona”, enfatiza a professora. 

Betânia Arroyo diz que sua intenção com o livro é preservar memórias, valorizar a cultura amazônica e reafirmar a educação, o conhecimento como primordiais para toda a população. “As Gêmeas do Jutuba” integra a coleção “Baú da Professora”, que “nasce desse desejo de transformar experiências vividas em narrativas que dialoguem com crianças, famílias e educadores”. Esse “Baú” também reúne os livros “Balainha” e “Dona Nazaré do Jamaci”.

A autora destaca que “As Gêmeas de Jutuba” também é uma homenagem às populações ribeirinhas, às escolas das ilhas e aos professores que fazem da educação um ato de resistência e amor, mesmo diante das adversidades. “Quero que as crianças amazônicas se reconheçam nessas páginas e percebam que suas histórias, seus sotaques, seus modos de viver e seus territórios têm beleza, importância e pertencem à literatura brasileira”, arremata.

 

Serviço:

Lançamento do livro ‘As Gêmeas do Jutuba, de Betânia Fidalgo Arroyo

Data: Quarta-feira, 13 de maio de 2026

Horário: 17h

Local: Auditório David Mufarrej, da Unama (Av. Alcindo Cacela, 287, Umarizal)

Evento aberto ao público

 

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