Artistas paraenses relatam superação da covid-19 e falam de esperança

Joelma Klaudia, Fernando Dacko, Dj Edilson, do Príncipe Negro, e Móizes Freire falam sobre luta contra o novo coronavírus

Ana Carolina Matos

O inimigo é invisível. Basta um único deslize para ser alvo de um vírus ainda desconhecido e, por isso mesmo, assustador para a humanidade. No Brasil, a covid-19 desbancou o câncer e o infarto no ranking de mortes no país. Em um período de medo e desesperança, a recuperação de vítimas do novo coronavírus dão um pouco de alento aos corações angustiados. Profissionais do segmento cultural que foram infectados pela doença conversaram com OLIBERAL sobre o processo de recuperação, as angústias e cuidados a partir de agora. O coro foi uníssono: não desanime. Cuide-se. É possível sair dessa.

A cantora e compositora Joelma Klaudia foi uma das pessoas a conseguir superar o novo coronavírus. A artista paraense apresentou sintomas do dia 14 de abril ao dia 10 de maio. Ela conta que, durante o tratamento, fez dois protocolos de medicamentos e teve melhoras e pioras no quadro de saúde. 

A cantora e compositora Joelma Klaudia superou a covid-19 (Agis Junior)

"As minhas maiores dificuldades foram apresentar o pico dos sintomas durante os dias em que o sistema de saúde público e privado estavam fechando suas portas. Fiquei à deriva, vi a possibilidade da morte e  comecei a fazer orações para me conectar com Deus", relembra.

Durante o processo, a artista revela que teve medo da morte e se viu enfrentando as precariedades de um sistema de saúde sobrecarregado. 

"Foi um processo de dor, angústia e medo constantes", descreve Joelma Klaudia.

"Esse foi o maior medo da minha vida. Nada se compara a sentir febre, dores no corpo, fadiga, dores nas costas, calafrios, dores de cabeça, dores abdominais, falta de ar e saber que, se piorar, não haverá leito nem médicos disponíveis. Preferia ter tido dez partos normais", compara, em tom descontraído.

Para a cantora, o apoio da família, amigos e fãs foi fundamental para a recuperação. "Muitos familiares, amigos e fãs se fizeram presente de várias formas. Esse carinho e atenção fizeram muita diferença no meu quadro emocional e atuaram diretamente na minha melhora", reflete a artista. "Para todas as pessoas que estão passando por esse calvário, aconselho que se conectem com o seu Deus, se alimentem de boas notícias, boa música e bons filmes", aconselhou.

Técnico de som do Teatro Margarida Schivasappa, Fernando Dacko passou por uma fogueira. Ele manifestou um modo mais grave de covid-19 e chegou a ficar internado de 28 de abril até o dia 3 de maio. Outras pessoas da família, como os filhos e a esposa, também foram infectados com a doença, de maneira mais branda. "(Fiquei) mentalizando que se fosse pra acontecer algo terrível, que fosse comigo, que eu tentaria suportar, ou se fosse o pior, eu já tinha vivido 60 anos", relembrou.

Técnico de som, Fernando Dacko contou com o apoio da família na recuperação (Arquivo pessoal)

 

Dacko chegou, inclusive, a escrever uma carta para o médico Dráuzio Varella. Segundo ele, a ideia desabafar. "Eu queria compartilhar um pouco da experiência que tive, da minha relação tão diversa e marcante com aquele lugar, com a vida, com o fato de trabalhar trazendo alegria pras pessoas, a terrível face da morte, com a qual me deparei lá, mais uma vez, com a minha recuperação e como o lugar passou a representar uma vitória da vida, pra mim", disse.

Ele destacou ainda a importância dos cuidados que recebeu da família, principalmente de Simone Almeida, com quem é casado. Para ele, a dica para as pessoas nesse momento é que tenham "disciplina” e “consciência”. 

É preciso ficar muito atento ao próprio corpo e cuidar dele, ser responsável e colaborativo com o próximo”, pontua Fernando Dacko.

Conhecido das festas de aparelhagem, DJ Edilson, do Príncipe Negro, é outro profissional de cultura que conseguiu superar os problemas de saúde causados pela sorrateira pandemia global. O artista ainda sofre os efeitos da doença e faz tratamento para recuperação completa do pulmão, que foi muito afetado pelo vírus. Ele não atesta mais como positivo para a covid-19, mas ainda segue recebendo cuidados no Hospital Regional Dr. Abelardo Santos.

Para o músico, além do enfraquecimento físico, a maior dificuldade é a saudade. "A falta da família é algo difícil. Aqui não podemos ter acompanhantes, mas a atenção dos profissionais presentes ajuda muito nesse momento", declarou. 

DJ Edilson, da aparelhagem Príncipe Negro, segue em recuperação dos pulmões (Reprodução/Instagram)

Outro fator também o ajudou na recuperação: o DJ de uma das aparelhagens mais conhecidas do Pará vai ser pai pela primeira vez. A esposa está grávida de três meses.

"Se você se ama, ama sua vida, ama seus amigos, seus familires, se proteja. Se for possíel, fique em casa", ressalta DJ Edilson, do Príncipe Negro.

O paranse, que há 25 anos atua no Príncipe Negro ao lado do irmão, DJ Edielson, dá dicas para pessoas afetadas diretamente pela pandemia. "Sempre digo: confiem em Deus. Acreditem que vai dar tudo certo. Ter fé e pensamento positivo com certeza ajuda muito na recuperação”, pontuou Edilson.

Violonista e empresário do segmento musical, Moizés Freire foi internado no dia 29 de abril. No dia 11 de maio veio a boa notícia: estava recuperado da doença. O músico conta que por vezes teve dificuldade até de se movimentar na cama do hospital mas que, com o tempo e tratamento adequado, conseguiu se recuperar e voltar para casa.

O violonista e empresário do ramo musical, Moizés Freire, teve sintomas agressivos da doença (Divulgação)

 Para o artista, o momento agora é de auto-cuidado consigo e com o próximo. Moizés agora cuida dos pulmões, que foram diretamente afetados pelo novo coronavírus. "O pulmão fica como um balão seco que não enche. Fui criando artifício pra sobreviver", relembra.

"Nós temos tudo para voltarmos pessoas melhores desse período", estima Moizés Freire.

Apesar da preocupação, o músico agora aconselha outras pessoas a partir da experiência pessoal. "Acreditar que você vai ficar bom é um grande passo. Outra coisa é que, quando sentir um sintoma, procurar logo um médico. Fazer o tratamento direito também é importante. Outra coisa que eu aconselho é dar um tempo de cigarro e bebida alcoólica. De ressaca, o organismo não consegue. Nós temos tudo pra voltarmos pessoas melhores desse período. Mais solidários, dando mais valor ao nosso dinheiro. Nosso trabalho agora é ficar em casa", pontuou.

Cultura
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