Artistas paraenses integram exposição coletiva em São Paulo
Mostra traz como importância das redes de dormir na cultura brasileira
Uma peça comum no dia-a-dia dos nortistas é tema da exposição Vaivém, que apresenta as redes de dormir na arte e cultura visual no Brasil. Oito paraenses integram a mostra coletiva, que está em exposição no Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo, até dia 29 de julho. A curadoria é do crítico, historiador da arte e curador do MAC-Niterói, Raphael Fonseca. Do Pará, estão presentes os nomes de Alexandre Sequeira, Bené Fonteles, Danielle Fonseca, Luciana Magno, Luiz Braga, Marcone Moreira, Clinger Carvalho e Armando Queiroz.
Com o trabalho intitulado "Puã", de 2005, o fotógrafo Alexandre Sequeira conta que o trabalho traz a impressão da imagem de um morador da Vila Nazaré do Mocajuba, em Curuçá, sob uma rede. "Esse trabalho traz a fotografia e um objeto pessoal, que é a rede. A curadoria da exposição achou por bem apresentar não apenas a peça, o objeto, como também uma imagem fotográfica que é a rede de volta à residência do morador", explica.
Para ele, que trabalha com fotografia desde a década de 1980, dividir o espaço com nomes de renome como Tarsila do Amaral, Tunga, Debret, Claudia Andujar, Hélio Oiticica entre outros, é motivo de orgulho. "Eu fico super feliz porque na verdade é um conjunto de artistas que admiro muito. É um exposição itinerante que começa por São Paulo, vai pra Brasília, Rio de Janeiro e encerra em Belo Horizonte, em 2020. Acho que o destino esperado de toda arte é que ela esteja em um local que possa ser protegida, bem cuidada, preservada e que possa ser vista pelo maior de número de pessoas", comenta.
Outra paraense que faz parte da exposição é Danielle Fonseca, com a fotografia “Brasil Chululu, dorme teu soninho bonitinho”, que a artista fez durante uma viagem ao Rio de Janeiro em 2014. Na imagem, um homem deitado em uma rede atada por um dos lados em um carro que traz na lateral a palavra Brasil, trabalho feito exclusivamente pra a exposição, a exemplo de outros artistas. "Fiz a foto durante outra exposição que eu tava fazendo na cidade. Eu tava voltando da praia e me chamou muita atenção esse comportamento desse costume tão comum pra ele, mas que talvez não fosse tão comum assim, já que era perto da estrada", relembra. Já vinha pensando nessa temática porque tinha a ver com esse projeto do curador, que é a tese de doutorado dele e é de onde veio a exposição", acrescenta ela, que trabalha com arte desde 1997 e entrou no ramo fotográfico em 2003.
Entre pinturas, esculturas, instalações, fotografias, vídeos, documentos, intervenções e performances, além de objetos de cultura visual, como HQs e selos, a mostra reúne o trabalho de 140 artistas de todo país, com a participação de mais de 30 artistas contemporâneos indígenas, como Arissana Pataxó, Denilson Baniwá, Duhigó Tukano, Gustavo Caboco, Jaider Esbell e o coletivo MAHKU, e ativistas da causa, como Bené Fonteles, Cláudia Andujar, e o objeto de Bispo do Rosário Rede de Socorro.
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