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Arte Para 2021: A poética do olhar e as memórias de Vicente Cecim

Mostra deste ano traz obras feitas pelo artista na década de 70, assim como documentários realizados pelo filho Bruno Cecim, em sua homenagem

Lucas Costa

A linha da história da videoarte no Pará percorrida pelo Arte Pará 2021, também desenha uma homenagem especial a um multiartista: Vicente Cecim - cuja poética atravessa a literatura e o audiovisual. Mais conhecido por seu trabalho como escritor, Cecim faleceu em junho de 2021, vítima da covid-19, mas deixou um legado imenso de uma Amazônia imaginada em suas criações.

Vicente Cecim está presente no Arte Pará 2021. Três vídeos do ciclo “KinemAndara”, realizados pelo artista em super-8 nos anos 70, antes de iniciar sua obra literária, estão disponíveis na mostra “Uma história da videoarte na Amazônia (episódio I): Pará”, disponível no site www.artepara2021.com. Os vídeos são “Permanência” (1976), “Rumores” (1979), e “Sombras” (1977).

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“É indispensável homenagear Vicente Cecim”, avalia o curador do Arte Pará 2021, Paulo Herkenhoff, em seu texto curatorial. Ele também destaca a identidade que Cecim deu a seus trabalhos com super-8, câmera usada por artistas do Brasil em resistência à ditadura militar de 64.

Frame de 'Sombras', de Vicente Cecim (Vicente Cecim/ Divulgação)

“Em seus experimentos imagéticos, Vicente Cecim operou com o sentimento do vazio do mundo que está na psicanálise de Lacan, na literatura de Clarice Lispector e na obra de Lygia Clark e Mira Schendel; com as questões heideggerianas sobre o ser e o tempo e com os limites do dizível no limiar da metafísica, como discutiu Wittgenstein. O visível pede uma voz. Em Vicente Cecim é o cinema que lhe pede a literatura, não o oposto. Antes de refletir criticamente sobre a Amazônia através do discurso literário, ele precisou pensar o sujeito amazônico na metrópole. Por tudo isso, em conclusão, há que se pensar a obra de Vicente Cecim como da ordem do cinema do inapelável na existência humana”, escreve Herkenhoff.

Cecim está presente no Arte Pará além de suas obras. Dois documentários feitos pelo filho, o fotógrafo e cineasta Bruno Cecim, após a morte do escritor, também fazem parte do Arte Pará 2021: “Vicente Franz Cecim e a KinemAndara” (2021), e “Cecim da AmazoOnia” (2021).

Bruno Cecim em 'Vicente Franz Cecim e a KinemAndara' (Bruno Cecim/ Divulgação)

As produções exploram tanto o Cecim escritor quanto o cineasta. Em “Vicente Franz Cecim e a KinemAndara”, Bruno foca principalmente na produção cinematográfica do pai; já em “Cecim da AmazoOnia”, ele reúne uma série de depoimentos, pensamentos e lembranças dos amigos, escritores e críticos sobre o escritor e cineasta paraense.

Paulo Herkenhoff elogia a produção de Bruno, selecionada para o Arte Pará 2021. “O título composto [Vicente Franz Cecim e a KinamAndara] anuncia sua criatividade, pois Kinem alude a cinema em alemão, enquanto mundo ficcional de ‘Viagem a Andara oO mundo invisível’, é o título de uma aclamada peça literária ficcional de seu pai. Ativista em festivais de cinema e vídeo, Bruno Cecim demonstrou que a biografia deve ser sua própria poesia”, escreve Herkenhoff.

Edição 2021

O salão Arte Pará tem sua mostra totalmente virtual em 2021. Sob curadoria de Paulo Herkenhoff, e curadoria adjunta de Roberta Maiorana, a edição carrega como conceito “Uma História da Videoarte na Amazônia (episódio 1): Pará”, reunindo trabalhos de 46 artistas convidados. A mostra está disponível no site www.artepara2021.com.

O Arte Pará 2021 é realizado pela Fundação Romulo Maiorana, e tem como patrocinador novamente a Fibra Centro Universitário, renovando a parceria que existe desde 2012. O salão tem ainda apoio do Grupo Liberal e Instituto Inclusartiz.

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