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Por Marco Antônio Moreira

Coluna assinada pelo presidente da Associação dos Críticos de Cinema do Pará (ACCPA), membro-fundador da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (ABRACCINE) e membro da Academia Paraense de Ciências (APC). Doutorando em Artes pelo PPGARTES/UFPA; Mestre em Artes pela UFPA. Professor de Cinema em várias instituições de ensino, coordenador-geral do Centro de Estudos Cinematográficos (CEC), crítico de cinema e pesquisador.

Milton Nascimento e seu talento musical no cinema

Marco Antonio Moreira

Milton Nascimento comemorou 79 anos de idade e celebrou seu aniversário com muitas congratulações que foram compartilhadas em diversos meios de comunicação por públicos e artistas de vários segmentos da cultura brasileira e internacional Seu talento imensurável foi comemorado nessa data especial em uma das raras unanimidades relacionada a um músico brasileiro com diversos anos de carreira. Acompanho a carreira de Milton há muito tempo. Seus discos/CDs sempre me arrebataram e marcaram minha trajetória como admirador de música. Por meio do talento de Milton Nascimento, é possível aprender e sentir a música de maneira surpreendente. Certamente, Milton é um dos ícones musicais da trajetória de muitos admiradores de música. Momentos antológicos inesquecíveis relacionados a Milton incluem álbuns, músicas, shows e entrevistas que ele participou, em diversas fases de sua carreira.

Como cinéfilo, ao acompanhar suas declarações e entrevistas, percebi que ele se referia diversas vezes ao cinema. Um dos grandes momentos de sua vida relatados aconteceu quando ele assistiu pela primeira vez o clássico francês Jules e Jim (1961) de François Truffaut com Jeanne Moreau. Apaixonado e impactado pelo filme de Truffaut e sua história de amores, ele decidiu efetivamente estabelecer uma carreira musical que, em curto prazo, se consolidou como uma das maiores referências da música brasileira. Felizmente, Milton Nascimento tem nos proporcionado trabalhos extraordinários desde seu primeiro disco, no final dos anos 60. Em alguns casos, a partir de sua paixão pelo cinema, suas composições foram criadas exclusivamente para filmes, além de sua eventual participação como ator.

Sua primeira participação aconteceu em Os Deuses e os Mortos (1970) de Ruy Guerra. Ele compôs uma bela trilha musical vinculado ao movimento cinema novo brasileiro. Em 1970, criou a trilha do documentário Tostão A Fera de Ouro (1970) que inclui o sucesso Aqui é o país do futebol em parceria com Fernando Brandt (que é muito lembrada em filmes, documentários e reportagens sobre futebol). Em 1976, Milton voltou a trabalhar com o cineasta Ruy Guerra em A Queda que apresenta uma belíssima composição chamada E Daí (A Queda). No elenco, Nelson Xavier, em um dos melhores filmes do cinema brasileiro.

Com a trilha musical do documentário Jango (1984) de Silvio Tendler, em parceria com o excelente músico e arranjador Wagner Tiso, Milton conseguiu um dos maiores sucessos da sua carreira com a canção Coração de Estudante. Esta música acalentou corações e mentes, nos anos 1980, quando se acreditava na possibilidade de novos rumos para o país após diversos problemas políticos e econômicos. Nos anos 1980, além de Jango, ele compôs a música dos filmes Chico Rei (1985) de Walter Lima Jr. e Jorge, Um Brasileiro (1989) de Paulo Thiago.

Nos anos 1990, com a preocupante crise de produção, distribuição e exibição de filmes brasileiros, Milton realizou as trilhas musicais de A Terceira Margem do Rio (1995) de Nelson Pereira dos Santos em brilhante parceria com Caetano Veloso e Menino Maluquinho (1994) de Helvécio Ratton com participação vocal de Rita Lee. Neste ano, Milton compôs o tema musical do filme de Carlos Diegues, Veja essa Canção (1994). Outros filmes que tiveram sua colaboração musical foram Sonhos e Desejos (2006), Uma Professora muito Maluquinha (2010), Rio 2 (2014) e O Outro Lado do Paraíso (2014).

Evidentemente, independente da exclusividade de sua composições para uma produção cinematográfica, a obra musical de Milton é frequentemente selecionada para participação em diversos filmes nacionais ou estrangeiros, especialmente Maria Maria (1978) composta em parceria com Fernando Brandt além de músicas dos álbuns Clube da Esquina 1 e 2. Milton Nascimento teve poucas participações como ator como em Os Deuses e os Mortos (1970) Fitzcarraldo (1980) de Werner Herzog e Noites de Sertão (1984).

Entre suas recentes colaborações com o cinema, indico a trilha musical do filme O Coronel e O Lobisomem (2005) de Maurício Farias. Em mais uma brilhante parceria em algumas canções com Caetano Veloso, Milton nos presenteia com belas músicas que demonstram sua maneira mágica de criar harmonias e melodias sensíveis e cativantes, como em O Senhor do Tempo. Esta canção é um dos melhores momentos de sua carreira.

Espero que a parceria de Milton Nascimento com o cinema seja mais intensa. Precisamos de Milton como artista para engrandecer nosso cinema nacional! Parabéns, mestre!

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